O mais recente MacBook Pro equipado com processador M5 Max está a gerar queixas por um motivo inesperado: o sobreaquecimento é tão severo que chega a deformar fisicamente as teclas do teclado. Pelo menos um utilizador reportou que a tecla delete ficou presa na estrutura do portátil depois de o equipamento atingir temperaturas extremas durante a utilização intensiva.
Fora do período de garantia, a Apple cobra cerca de 895 dólares (aproximadamente 820 euros) para corrigir o problema um valor que voltou a pôr em cima da mesa a discussão sobre a eficácia do sistema de arrefecimento atual da marca.
Temperaturas a ultrapassar os 100°C em segundos
A arquitectura de refrigeração do MacBook Pro com M5 Max assenta em duas ventoinhas de perfil baixo e apenas um heat pipe. Quando se lança uma tarefa exigente edição de vídeo, renderização 3D ou processamento de inteligência artificial , o portátil pode saltar para os 100°C em poucos segundos, uma temperatura que põe em risco componentes sensíveis ao calor prolongado.
As teclas mais próximas da saída de ar quente são as que sofrem mais: o plástico ou silicone dos keycaps cede, a tecla entorta ligeiramente e fica encravada no chassis. Não é um caso isolado de uma máquina defeituosa; vários utilizadores, sobretudo os que receberam configurações personalizadas vindas da China, apontam falhas no controlo de qualidade e uma maior incidência deste tipo de avaria.

Memórias NAND a ferver e ecrãs com problemas de cor
Já tinha havido relatos de distorção de cor nos ecrãs de modelos anteriores, mas agora juntam-se observações de que as memórias NAND flash também atingem os 100°C durante operações intensivas de IA. Para quem conhece SSDs PCIe NVMe Gen 5, essa temperatura não é propriamente uma surpresa estes componentes aquecem bastante por natureza , mas a conjugação de vários pontos quentes dentro da mesma caixa fina de alumínio cria um problema de gestão térmica que a Apple parece não ter resolvido.
O design de arrefecimento do MacBook Pro mantém-se praticamente inalterado há vários anos, enquanto os limites de potência dos processadores foram sendo empurrados para cima. O resultado prático é este: um portátil potente que, sob carga real, transforma-se numa chapa quente capaz de alterar fisicamente peças de plástico.
Rumores de câmara de vapor no futuro
Circulam rumores na indústria de que a Apple poderá finalmente adoptar um sistema de arrefecimento por câmara de vapor (vapor chamber) nas próximas gerações. Esta tecnologia distribui o calor de forma mais uniforme e eficiente, sendo comum em portáteis gaming e workstations de gama alta de outras marcas.
Por agora, os engenheiros da Apple garantem que os chips mais recentes foram desenhados para suportar temperaturas elevadas sem comprometer a longevidade. Mas os utilizadores continuam desconfortáveis com a ideia de trabalhar num portátil que aquece tanto e com razão, porque a sensação térmica nas mãos e a integridade física do teclado são tão importantes quanto a resistência interna do silício.
O que podes fazer enquanto esperas por uma solução
Se tens um MacBook Pro M5 Max e começas a notar calor excessivo ou teclas que ficam presas, a recomendação passa por limpezas regulares para evitar acumulação de pó nas membranas do teclado o pó retém calor e piora a situação. Elevar ligeiramente o portátil com um suporte também ajuda a melhorar o fluxo de ar por baixo.
Entretanto, fica a questão: conseguirá a Apple corrigir isto via software, limitando a potência do processador em cenários críticos, ou será necessário esperar por uma revisão de hardware? Para já, quem comprou o modelo topo de gama está a aprender da pior maneira que desempenho bruto sem arrefecimento à altura sai caro literal e figurativamente.
Via: ShiftDelete




