Mala feita com “couro” de T-Rex vai a leilão e pode valer meio milhão de euros

Uma mala criada com colagénio derivado de fósseis de T-Rex vai a leilão e pode atingir valores superiores a 500 mil euros. Mas a comunidade científica está dividida.

Uma mala inspirada num Tyrannosaurus rex pode estar prestes a tornar-se um dos acessórios mais caros e controversos do mundo. A peça, criada através de um material desenvolvido em laboratório a partir de proteínas encontradas em fósseis de dinossauro, vai ser leiloada em Paris e poderá atingir valores entre os 300 mil e os 500 mil euros.

A iniciativa pretende mostrar o potencial dos materiais cultivados em laboratório como alternativa ao couro tradicional. No entanto, nem todos os cientistas concordam com a forma como o projeto tem sido apresentado ao público.

Afinal, o que é esta mala de “couro de T-Rex”?

O projeto foi desenvolvido pela empresa britânica Lab-Grown Leather Ltd., especializada em materiais biológicos produzidos em laboratório. A base do processo está em fragmentos de proteínas antigas encontrados em fósseis de Tyrannosaurus rex descobertos nos Estados Unidos no início dos anos 2000.

Segundo os responsáveis, esses fragmentos permitiram recriar colagénio em laboratório. Posteriormente, esse colagénio foi transformado num material semelhante ao couro, que acabou por ser utilizado para fabricar a mala.

A peça final apresenta uma tonalidade azul-turquesa e esteve recentemente em exposição no museu Art Zoo, em Amesterdão, antes de seguir para leilão.

mala t-rex

Uma alternativa ao couro tradicional?

Os responsáveis pelo projeto defendem que esta tecnologia poderá representar uma alternativa mais sustentável ao couro convencional e aos materiais sintéticos.

Che Connon, um dos cientistas envolvidos, explica que muitos dos chamados “couros veganos” dependem fortemente de plásticos e derivados de petróleo. O objetivo deste novo material seria precisamente eliminar essa dependência.

Segundo a equipa, o produto final não contém plásticos nem revestimentos sintéticos, oferecendo uma solução potencialmente mais ecológica para a indústria da moda de luxo.

A comunidade científica está dividida

Apesar do impacto mediático, vários especialistas têm levantado dúvidas sobre a utilização da expressão “couro de T-Rex”.

A paleontóloga Melanie During, da Universidade Livre de Amesterdão, explica que é possível encontrar vestígios de colagénio em alguns fósseis de dinossauro. No entanto, esses vestígios são extremamente limitados e degradados pelo passar de milhões de anos.

Na sua opinião, esses fragmentos não são suficientes para recriar verdadeiramente a pele ou o couro de um Tyrannosaurus rex.

Thomas Holtz Jr., paleontólogo da Universidade de Maryland, vai mais longe. O especialista lembra que o colagénio encontrado nos fósseis provém do interior dos ossos e não da pele do animal. Além disso, mesmo que a proteína fosse reproduzida com sucesso, faltaria a estrutura natural das fibras que dá ao couro as suas propriedades únicas.

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Marketing ou revolução tecnológica?

É precisamente aqui que surge a principal polémica.

Embora o material tenha sido desenvolvido a partir de informação biológica associada a fósseis de T-Rex, vários cientistas consideram que chamar-lhe “couro de dinossauro” é uma simplificação excessiva e potencialmente enganadora.

Por outro lado, os responsáveis argumentam que o objetivo nunca foi recriar literalmente a pele de um dinossauro, mas sim demonstrar como proteínas ancestrais podem inspirar novos materiais biotecnológicos.

Um acessório único e extremamente caro

Independentemente da discussão científica, a verdade é que a mala já conseguiu cumprir um dos seus objetivos: chamar a atenção do mundo.

A peça segue agora para leilão em Paris com uma base de licitação próxima dos 500 mil dólares, o equivalente a cerca de 460 mil euros.

Se alguém estará disposto a pagar esse valor por uma mala inspirada num dos predadores mais famosos da história da Terra? Descobriremos muito em breve.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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