Quem está a planear comprar um portátil ou desktop novo nos próximos meses vai sentir mais uma pancada no bolso. A Microsoft decidiu aumentar o preço das licenças Windows para fabricantes de computadores, e desta vez a subida é bem mais acentuada do que o costume. A notícia foi avançada pela publicação taiwanesa United Daily News, citando executivos de marcas de PCs.
Subida de preços foge ao padrão habitual
Todos os anos a Microsoft ajusta os valores que cobra às marcas pelas licenças Windows OEM aquelas que vêm pré-instaladas nas máquinas que compramos. Normalmente, essas atualizações rondam os 2% ou 3%, valores que passam quase despercebidos no preço final. Mas em julho a história foi diferente.
Segundo um executivo de uma marca de PCs ouvido pela publicação, o aumento desta vez ficou entre 7% e 10%. É o maior salto dos últimos anos, e chega numa altura em que os preços dos componentes já estão a disparar por conta da procura por memória e processadores para PCs com capacidades de inteligência artificial.

Quanto pagas depende do processador que tens
A estrutura de preços das licenças Windows não é igual para todos os computadores. A Microsoft cobra valores diferentes consoante o processador instalado na máquina um portátil com chip i7 implica uma licença mais cara do que um modelo equipado com i3 ou i5.
Esta diferenciação por escalão de CPU faz com que o impacto da subida varie. Modelos topo de gama, que já custam mais por causa dos componentes, levam também com o peso maior no lado do software.
Marcas confirmam nova ronda de aumentos
O problema é que este custo adicional das licenças Windows não vem sozinho. Em Taiwan, tanto a ASUS como a Acer já confirmaram que vão aplicar mais uma ronda de aumentos de preços durante este trimestre, na ordem dos 5%. A ASUS foi ainda mais longe nos números: comparando com o último trimestre de 2025, alguns dos seus produtos estão agora a ser vendidos por valores quase 30% superiores.
A razão para esta escalada brutal prende-se sobretudo com a memória RAM e os SSDs, que viram a procura explodir nos últimos meses. A memória sozinha representa uma fatia enorme do custo de produção de um PC novo, e tem sido o principal motor desta subida de preços.

Vendas globais caem pela primeira vez em mais de um ano
O efeito prático de tudo isto já se vê nos números de mercado. A Counterpoint Research estima que os envios globais de PCs no segundo trimestre de 2026 devem rondar os 65 milhões de unidades, uma quebra de 4% face ao mesmo período do ano anterior. É a primeira descida registada desde o início de 2025.
Por um lado, há ainda algum impulso vindo dos PCs com funcionalidades de IA e da migração para versões mais recentes do Windows. Por outro, os preços cada vez mais altos estão a travar quem estava a pensar renovar o equipamento. Muita gente simplesmente adia a compra quando o orçamento já não chega.
Um aumento quase invisível no meio do caos
Curiosamente, fontes da indústria admitem que esta subida específica das licenças Windows tem passado quase despercebida ao público. A razão é simples: com a memória, os processadores e os SSDs a subirem de preço ao longo de todo o ano, mais um aumento mesmo que seja este acaba por se diluir no barulho geral.
Para quem compra, porém, o resultado é o mesmo: o computador que custava X euros no ano passado custa agora bastante mais, e não traz nenhuma funcionalidade extra para justificar a diferença. É só inflação pura a acumular-se, camada após camada, sem que se receba nada em troca.
Via: Digital Trends




