A Motorola entrou a correr no programa beta do Android 17. Dias depois de a Google lançar o primeiro beta para os Pixel em fevereiro, a Motorola já tinha o seu próprio programa anunciado. Hoje, esse beta está disponível em mais de uma dúzia de dispositivos — um número que envergonha a maioria da concorrência.
Só que há um problema: o Android 16 ainda não chegou a todos os telefones elegíveis.
Um rollout que ficou pelo caminho
A Motorola começou a distribuir o Android 16 em setembro de 2025, antes de marcas como a OnePlus, Oppo ou Vivo. Os primeiros a receber foram o Edge 60 Pro e o Edge 50 Fusion — boa entrada. Mas a partir daí, o ritmo abrandou.
Os Razr 2025 e Razr Ultra 2025, dispositivos premium, só receberam a actualização no final de fevereiro de 2026. Para os telefones de gama de entrada, a situação é pior. O Moto G35, por exemplo, está só agora a receber o Android 16 — enquanto o Android 17 já está em fase beta.
Para piorar, a Motorola nunca publicou um calendário oficial de actualizações. Os utilizadores ficam sem saber quando esperar, sem comunicação clara, sem previsão.

O lado positivo existe — e é real
Apesar das falhas no ritmo, há sinais concretos de melhoria na política de software da Motorola.
Os telefones de gama média e alta, que antes recebiam 3 versões do sistema operativo, passaram a ter direito a 5. E no início deste ano, a marca lançou a linha Motorola Signature, que promete 7 gerações de actualizações principais — o melhor compromisso disponível num dispositivo Android.
A aposta no Android 17 beta também diz muito sobre a direcção que a empresa quer tomar. Enquanto outras marcas demoraram mais de um mês a reagir ao anúncio da Google, a Motorola respondeu em dias. Isso não acontece por acidente.
O que falta mesmo
A intenção está lá. A execução ainda patina. Lançar um beta do Android 17 enquanto o Android 16 ainda não chegou a toda a gama elegível é, no mínimo, uma gestão de prioridades discutível.
O que os utilizadores Motorola precisam não é de betas agressivos — é de um compromisso claro sobre quando cada dispositivo vai ser actualizado. Um calendário público, simples, honesto. É o mínimo que marcas como a Samsung e a Google já oferecem há anos.
A Motorola está a melhorar. Mas ainda tem trabalho a fazer para que essa melhoria se sinta no dia a dia de quem usa os seus telefones.




