A Qualcomm prepara-se para aumentar os preços dos seus chips Snapdragon a partir de 1 de setembro de 2026. De acordo com a Bloomberg, a fabricante terá enviado uma carta a todos os seus principais clientes a avisar que os valores vão subir a dois dígitos uma decisão que promete encarecer uma fatia enorme dos gadgets que chegam ao mercado europeu.
Qualquer marca que faça encomendas de chips depois dessa data vai pagar mais. E, considerando que a Qualcomm domina o mercado de processadores para Android, a lista de dispositivos afetados é muito maior do que pode parecer à primeira vista.
Porque é que a Qualcomm está a aumentar preços agora?
A empresa garante que esgotou todas as alternativas para absorver os custos crescentes dos seus próprios fornecedores. Tentou encontrar fontes alternativas de componentes, mas sem sucesso.
A explosão da construção de data centers dedicados a inteligência artificial consumiu volumes gigantescos de memória e semicondutores os mesmos que entram em telemóveis, tablets e computadores portáteis. A TSMC, responsável pelo fabrico de chips para Qualcomm, Apple, Nvidia e praticamente todos os grandes nomes da indústria, tornou-se o estrangulamento global. Está a expandir capacidade, mas analistas de Wall Street acreditam que a pressão vai durar até 2027.
Há poucos dias, a Nikkei Asia avançou que a TSMC poderá aumentar os seus próprios preços entre 5% e 10%, consoante o chip e o volume da encomenda. Como a TSMC é o principal fabricante da Qualcomm, não surpreende que a gigante americana passe o aumento aos clientes, ajustando a margem.

Que dispositivos vão ficar mais caros na Europa?
Tudo o que traz um chip Snapdragon lá dentro e essa lista é bem mais extensa do que muita gente imagina.
Os smartphones topo de gama da Samsung, Xiaomi e OnePlus são os alvos óbvios. Mas a Qualcomm também está presente numa fatia crescente de portáteis Windows, nos óculos inteligentes Ray-Ban da Meta, nos auriculares Quest da mesma marca, no recém-lançado Galaxy Watch 9, em tablets premium, dobráveis e por aí fora.
A presença da Qualcomm em tantas categorias significa que isto não é apenas uma história sobre telemóvens é uma história sobre eletrónica de consumo em geral. Curiosamente, as ações da empresa até subiram com a notícia. Os investidores estão a antecipar um aumento de receita. Os consumidores, como é hábito, vão acabar a pagar por outra coisa.

Quando é que os preços vão subir mesmo nas lojas?
Com a data-limite fixada em setembro de 2026, os dispositivos mais afetados deverão ser os que chegam ao mercado em 2027 depende de quando cada marca faz a encomenda dos chips à Qualcomm.
Se juntarmos o disparo nos custos de memória que também se está a fazer sentir, 2027 corre o risco de ser um dos piores anos para comprar eletrónica de consumo, não só smartphones. Quem estava à espera de renovar o telemóvel ou o portátil pode querer antecipar a decisão, antes que os aumentos cheguem às prateleiras portuguesas e europeias.
O que esperar nos próximos meses
Para já, nenhuma marca confirmou publicamente como vai reagir ao aumento. Algumas podem tentar absorver parte do custo para manter os preços competitivos, outras vão simplesmente passar a fatura ao consumidor final.
O cenário mais provável é uma subida gradual de preços ao longo de 2027, especialmente nas gamas média-alta e topo de gama, onde os chips Snapdragon mais recentes são praticamente obrigatórios. Quem estiver atento ao mercado europeu nos próximos meses vai notar os sinais e, se calhar, vai querer fazer as contas antes de adiar a compra daquele smartphone novo.
Via: Digital Trends




