Afinal quanta RAM precisas realmente no teu smartphone em 2026?

A inteligência artificial está a mudar os requisitos dos smartphones. Descobre quanta RAM precisas realmente em 2026 e porque 12GB podem tornar-se o novo padrão.

Durante muitos anos, a conversa era simples. Um smartphone com 4GB de RAM era suficiente para a maioria dos utilizadores, 6GB ofereciam algum conforto extra e 8GB garantiam uma experiência fluida durante vários anos. Tudo o que estivesse acima disso parecia mais uma questão de marketing do que uma necessidade real.

Em 2026, essa realidade está a mudar rapidamente.

A culpa, ou o mérito, depende da perspetiva, pertence à inteligência artificial. Cada vez mais funcionalidades são executadas diretamente no smartphone, sem recorrer à cloud, e isso está a aumentar significativamente os requisitos de hardware. O resultado é que a quantidade de memória RAM começa novamente a assumir um papel central na escolha de um novo equipamento.

Porque é que a RAM continua a ser importante?

A memória RAM funciona como o espaço de trabalho temporário do smartphone. É nela que ficam armazenadas as aplicações abertas, os separadores do navegador, processos em segundo plano e outras tarefas em execução.

Quanto mais RAM existir disponível, maior será a capacidade do dispositivo para manter aplicações abertas sem necessidade de recarregamento. É também um dos fatores que influencia a fluidez da multitarefa e a rapidez com que alternamos entre diferentes aplicações.

Apesar da evolução dos processadores e dos sistemas operativos, a RAM continua a ser um recurso fundamental para garantir uma experiência consistente, especialmente à medida que as aplicações se tornam mais exigentes.

Afinal quanta RAM precisas realmente no teu smartphone em 2026?

8GB continuam a ser suficientes para a maioria das pessoas

A boa notícia é que nem todos precisam de correr atrás dos modelos com 16GB ou mais.

Para utilização diária, 8GB de RAM continuam a oferecer uma experiência perfeitamente satisfatória em 2026. Navegação web, redes sociais, fotografia, streaming de vídeo, mensagens e multitarefa moderada funcionam sem dificuldades na maioria dos smartphones modernos.

Até o próprio Google estabelece atualmente 6GB como requisito mínimo para executar todos os serviços Android de forma completa, o que demonstra que equipamentos com 8GB ainda têm uma margem confortável para utilização convencional.

O problema surge quando entramos no universo da inteligência artificial avançada.

A inteligência artificial mudou as regras do jogo

Durante o Google I/O 2026, a empresa apresentou o Gemini Intelligence, uma nova camada de funcionalidades inteligentes capaz de executar tarefas complexas diretamente no dispositivo.

Entre as novidades encontram-se ferramentas capazes de melhorar automaticamente ditados por voz, criar widgets personalizados através de comandos de voz ou executar sequências completas de ações entre várias aplicações.

Ao contrário dos assistentes tradicionais que dependem fortemente da cloud, estas funcionalidades são processadas localmente no smartphone. Isto oferece vantagens claras em privacidade, rapidez de resposta e funcionamento offline, mas exige muito mais recursos de hardware.

E é precisamente aqui que os 12GB entram na equação.

RAM

Os 12GB tornaram-se o novo mínimo para a IA da Google

Para executar o Gemini Intelligence, a Google definiu uma série de requisitos bastante exigentes. Entre eles estão um processador topo de gama recente, suporte para Android AICore, compatibilidade com Gemini Nano v3 e, talvez o mais surpreendente, um mínimo de 12GB de RAM.

Este requisito é particularmente relevante porque ultrapassa largamente o mínimo exigido pela Apple para o Apple Intelligence, que continua fixado nos 8GB.

Na prática, isto significa que muitos smartphones premium recentes ficam excluídos destas novas funcionalidades da Google, apesar de possuírem hardware que ainda hoje é extremamente potente.

Nem todos os topos de gama conseguem acompanhar

Curiosamente, a quantidade de RAM não é o único fator determinante.

Segundo os requisitos atuais divulgados pela Google, dispositivos como o Pixel 9 Pro, Galaxy S25 Ultra, Galaxy Z Fold 7 ou OnePlus 13 não são considerados compatíveis com Gemini Intelligence porque utilizam a versão Gemini Nano v2 e não a nova Gemini Nano v3.

Isto significa que alguns smartphones vendidos por mais de 1.000 € podem não ter acesso imediato às funcionalidades de IA mais avançadas da empresa.

Por outro lado, modelos mais recentes como os Pixel 10, Galaxy S26, Galaxy Z Fold 8, OnePlus 15, Honor Magic 8 Pro, Xiaomi 15 Ultra e vários equipamentos da Oppo e Vivo já aparecem na lista de dispositivos compatíveis.

Naturalmente, existe sempre a possibilidade de alguns fabricantes disponibilizarem atualizações futuras que tragam compatibilidade adicional, mas para já não existe qualquer confirmação oficial.

ram iphone

E do lado da Apple?

A estratégia da Apple parece ser ligeiramente mais inclusiva.

O Apple Intelligence requer apenas 8GB de RAM, permitindo compatibilidade com todos os iPhone 15 Pro, iPhone 15 Pro Max e modelos posteriores. Isto inclui também as gerações mais recentes da família iPhone 16 e iPhone 17.

Embora a Apple também tenha aumentado os requisitos mínimos quando introduziu as suas funcionalidades de IA, a empresa conseguiu abranger uma fatia significativamente maior da sua base de utilizadores.

Então, quanta RAM deve comprar em 2026?

A resposta depende do perfil de utilização.

Quem utiliza o smartphone sobretudo para tarefas básicas pode continuar perfeitamente satisfeito com 6GB ou 8GB de RAM. Para a maioria dos consumidores, 8GB continuam a representar o melhor equilíbrio entre preço, desempenho e longevidade.

No entanto, quem pretende aproveitar todas as futuras funcionalidades de inteligência artificial da Google deverá considerar 12GB como o novo mínimo recomendado. É esse o patamar que garante acesso ao Gemini Intelligence e às tecnologias que irão definir a próxima geração de experiências móveis.

Já os modelos equipados com 16GB ou mais começam a posicionar-se como opções verdadeiramente preparadas para o futuro. Talvez hoje pareçam exagerados para muitos utilizadores, mas se há algo que os últimos anos demonstraram é que os requisitos de hardware estão a crescer mais depressa do que muitos esperavam.

E desta vez, a inteligência artificial parece ser a principal responsável por essa mudança.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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