A Samsung lançou um dos smartphones mais fora da caixa dos últimos anos e, quase sem aviso, tirou-o do mercado pouco tempo depois. O Galaxy Z TriFold, um equipamento a rondar os 2900€, teve uma presença curta nas lojas, o que rapidamente levantou dúvidas sobre se teria sido um falhanço. Mas olhando com mais atenção, a realidade parece ser outra.
O TriFold nunca foi pensado para o grande público
Desde o início que o TriFold nunca deu a sensação de ser um produto pensado para o grande público. Era caro, volumoso e claramente experimental, daqueles dispositivos que existem mais para mostrar até onde a tecnologia pode ir do que propriamente para vender em massa. E isso, na verdade, não é novidade na estratégia da Samsung, que já por várias vezes lançou produtos mais conceptuais para testar o mercado antes de avançar com algo mais refinado.
Curiosamente, mesmo sendo um produto tão nicho, há indicações de que algumas unidades chegaram a esgotar em lotes limitados. Isto não significa sucesso comercial no sentido tradicional, mas mostra algo importante: há curiosidade e existe espaço para este tipo de formatos, mesmo que ainda não estejam prontos para o mainstream.
O Galaxy Z TriFold 2 já está em desenvolvimento
E é precisamente por isso que o projeto não morreu. Segundo um leak vindo da Coreia, a Samsung já está a trabalhar no Galaxy Z TriFold 2, ainda numa fase inicial, mas com um foco muito claro naquilo que mais precisava de melhorar: a dobradiça. Quem teve contacto com o primeiro modelo percebe rapidamente o problema, já que com cerca de 12.9mm de espessura quando fechado, não era propriamente um equipamento confortável para uso diário no bolso.
A próxima geração deverá tentar corrigir isso, ficando mais fina e leve, aproximando-se daquilo que já vemos nos dobráveis mais convencionais como a linha Fold. Ainda assim, convém manter expectativas realistas, porque um sistema com três dobras vai sempre trazer mais complexidade, e isso acaba inevitavelmente por ter impacto na espessura, no peso e até na durabilidade.

Lançamento só em 2027 pode ser uma boa notícia
Outro ponto interessante é o timing. Se estas informações estiverem corretas, o Galaxy Z TriFold 2 só deverá chegar por volta de 2027. Pode parecer distante, mas neste caso até faz sentido, já que dá à Samsung margem para resolver dois dos maiores desafios destes equipamentos: a resistência ao longo do tempo e a visibilidade das marcas no ecrã.
Num dispositivo com mais dobras, estes problemas tornam-se ainda mais críticos, e lançar algo antes de estar realmente refinado poderia comprometer toda a ideia.
Samsung também está a apostar num smartphone deslizante
Mas o mais curioso no meio disto tudo é que a Samsung não está apenas focada no tri-fold. Há também indicações de que está a desenvolver um smartphone com ecrã deslizante, e aqui a abordagem parece ser bastante diferente do que já vimos em vários protótipos apresentados em eventos como a CES.
Em vez de apostar em mecanismos motorizados, a marca estará a testar uma solução manual, mais simples e potencialmente mais fiável no uso prolongado. Quando totalmente aberto, este dispositivo poderá atingir cerca de 7 polegadas, funcionando como uma espécie de híbrido entre smartphone e tablet, mas sem recorrer a dobradiças.
Isto resolve um dos problemas mais apontados aos dobráveis atuais, que é a dobra visível no ecrã, e pode abrir caminho a uma alternativa mais elegante se a execução for bem conseguida.
Samsung continua em modo experimental
No meio disto tudo, fica clara uma ideia: a Samsung continua longe de abrandar. O facto de o TriFold ter tido uma presença curta no mercado não significa que tenha sido um erro, mas sim parte de um processo de experimentação.
A marca está a testar limites, a explorar novas abordagens e a perceber o que realmente faz sentido para o futuro. Nem todas estas ideias vão resultar, isso é certo, mas é precisamente assim que a indústria evolui. E tendo em conta o histórico da Samsung neste segmento, há uma boa probabilidade de que algumas destas experiências acabem por se transformar em produtos reais nos próximos anos.



