Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra: o melhor dobrável que já usei?

Testámos o Galaxy Z Fold8 Ultra durante alguns dias. Estas são as nossas primeiras impressões sobre ecrã, câmara, desempenho e bateria.

Antes de mais, um princípio que levamos a sério nesta casa: honestidade acima de tudo. É para isso que cá estamos. Dito isto, todos temos aquela marca ou equipamento que nos enche as medidas seja porque já o usámos no passado, seja porque, durante o período de testes, acabámos rendidos. E é exatamente nesse contexto que vos trago as minhas primeiras impressões de um equipamento que, sem grandes rodeios, me encheu as medidas: o Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

Uma relação antiga com os dobráveis

Já fui utilizador Samsung no passado da linha S, da saudosa Note (que descanse em paz) e também da linha Fold. Aqui a experiência foi sempre um pouco agridoce: tive a 3ª e a 4ª geração do Fold, que estavam longe de ser tão finas e refinadas quanto os modelos atuais, mesmo com um software já delicioso e imbatível para a altura o hardware é que não acompanhava.

Ainda tentei o mundo dobrável por outra via há cerca de dois anos, com o Honor Magic V3. Adorei o aparelho, mas o software deixava a desejar, e acabei por me render de novo ao smartphone tradicional neste caso, ao mundo da maçã.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

O ano em que a Samsung “partiu a loiça”

Foi o ano passado que tudo mudou. A Samsung lançou os novos dobráveis e o Fold7 veio transformar a realidade da categoria: finalmente o melhor software do mercado ficou aliado a um hardware à altura. E quando falo em hardware, não me refiro a chip, RAM ou coisas do género falo da construção e da dobradiça, que ajudaram o Fold7 a bater-se de frente com os melhores dobráveis chineses.

Este ano, a Samsung refinou e melhorou drasticamente praticamente tudo o que vimos no Fold7: a dobradiça, que deixa o vinco quase impercetível; o One UI 9; as câmaras; e a espessura, que ainda por cima conseguiu ganhar mais 0,1mm de fineza o Fold8 Ultra mede agora apenas 4,1mm quando aberto e pesa 215 gramas, tornando-se o Galaxy Z Fold mais fino de sempre da marca. No geral, é o mais próximo que já estivemos de um verdadeiro dobrável no mercado. Peca ligeiramente apenas na bateria que, apesar de maior e já equiparada à do S26 Ultra com um pouco da tecnologia de SiC finalmente a bordo , continua a ser o elo mais fraco da equação.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

“O bicho pegou” outra vez

Como os nossos colegas brasileiros costumam dizer, o bicho “pegou-me” novamente. Fiquei com o “bichinho” do Fold outra vez, e a experiência destes últimos dias tem sido incrível fez-me reviver aquela emoção de algo novo, apesar de estarmos já na 8ª geração. Uso muito o dobrável aberto, quer para consumir conteúdo, quer para ver vídeos e redes sociais, e a pergunta voltou a pairar na cabeça: porque não voltar de vez?

Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra: o melhor dobrável que já usei?

Desempenho: sem um único engasgo

Jogar, fazer multitasking com divisão de ecrã, tudo flui muito bem graças ao One UI 9. O poder de processamento do Snapdragon 8 Elite Gen5 para Galaxy, fabricado em processo de 3nm, faz a diferença: nem um engasgo, nem lag, nada. O modelo está disponível com 12GB de RAM nas versões de 256GB e 512GB, e sobe para 16GB de RAM na versão de 1TB, e em qualquer uma delas o chipset tem mais do que músculo para aguentar várias apps abertas ao mesmo tempo no ecrã de 8″. O brilho no exterior é incrível e nunca falhou o meu iPhone, esse sim, sofre com o calor e a luz chega a desaparecer. Aqui não, e ainda temos margem de brilho extra quando é preciso, com o ecrã a chegar até 3.000 nits de pico.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

Ergonomia: a pega surpreende

A pega consegue ser muito boa, resultado da espessura (4,1mm quando aberto) e da qualidade de construção. Graças ao ecrã exterior de 6.5″ mais estreito do que noutros dobráveis , conseguimos chegar com o polegar a zonas do ecrã que, nos smartphones tradicionais de ecrã mais largo, simplesmente não alcançamos. Grande parte deste refinamento deve-se à nova tecnologia Flex Titanium, que combina uma película de liga de titânio com uma placa de titânio reforçada, ajudando a reduzir a visibilidade do vinco sem sacrificar a resistência do ecrã ao longo de milhares de dobras.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra
Foto tirada pelo Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

Câmaras: já muito perto do S26 Ultra

Quanto às câmaras, já temos uma qualidade muito próxima da do S26 Ultra. O sistema principal de 200MP, agora com captação HDR também no modo 200MP, junta-se a uma nova câmara ultra grande angular de 50MP e a um sensor de 10MP, com a câmara selfie (tanto no ecrã interior como no exterior) a ficar-se pelos 10MP.

Durante o dia, as fotos são muito fiéis à realidade, e a Nightography melhorada promete manter esse nível também com pouca luz algo que vou continuar a testar. Para quem edita vídeo, há ainda gravação em 8K através do novo codec APV e Cine LUT para dar um toque mais cinematográfico às cores diretamente no telemóvel.

Bateria: fraca no papel, mais equilibrada na prática

É verdade que a bateria de 5000mAh e a autonomia parecem fracas no papel, mas na prática não é bem assim. Se abusarmos, claro que não chegamos ao final do dia. Mas com um uso mais comedido, dá para aguentar o dia todo e, se não der, também não é o fim do mundo: uma carga rápida a 45W, através da nova arquitetura dual DCIC, já ajuda bastante, e 45W não são 20W. A Samsung fala ainda num aumento de 7% no volume de grafite para melhorar a dissipação de calor, o que ajuda a manter tudo estável quando se pede mais ao aparelho.

Galaxy AI por todo o lado

Não há como fugir: a Galaxy AI está por todo o lado, em praticamente cada canto da experiência. O Now Brief traz insights personalizados sobre a rotina diária, o Now Nudge sugere os próximos passos a partir do contexto de uma conversa, e a Gemini Intelligence já automatiza tarefas em 49 apps e serviços diferentes, do restaurante à reserva de bilhetes. O One UI 9 acrescenta ainda um painel de atividade da IA, para perceber tudo o que está a ser feito em nosso nome, com a segurança do Samsung Knox sempre por trás.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

O que ainda me faz confusão

Adorei o facto de o aparelho ser super fino, mas também acredito que não era necessário levar um Fold ao extremo de o smartphone ficar tão fino quanto a própria porta USB-C. Honestamente, acho que a partir dos 8-9mm essa fineza extra se torna irrelevante preferia até que chegasse aos 9mm e nunca aos 10mm, se isso significasse ganhar mais hardware, mais refrigeração e maior capacidade de bateria. Mas é só a minha opinião, vale o que vale.

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

Vale a pena o upgrade?

Se estiverem a pensar fazer o upgrade a partir de um Z Fold 5 ou 6, aconselho vivamente é tudo o que esperam e mais um pouco. Agora, se já tiverem o modelo anterior (o Fold7), só mesmo se for realmente necessário e se o bolso permitir. O dinheiro é vosso, e apesar de o preço ultrapassar os 2.000€, é um equipamento diferenciador para o utilizador mais intensivo.

Estas são as primeiras impressões depois de alguns dias com o Galaxy Z Fold8 Ultra. A review completa, com testes mais aprofundados de câmara, autonomia e desempenho no dia a dia, será publicada em breve.

Mas a resposta ao título do artigo, é claramente um SIM.

Samsung Galaxy Z Fold8 Ultra: o melhor dobrável que já usei?

Ficha técnica

  • Galaxy Z Fold8 Ultra
  • Ecrã interior 8″ Dynamic AMOLED 2X
  • Ecrã exterior 6.5″ Dynamic AMOLED 2X
  • Processador Snapdragon 8 Elite Gen5 (3nm)
  • Câmara principal 200MP + 50MP + 10MP
  • Câmara selfie 10MP (interior/exterior)
  • RAM 12GB / 12GB / 16GB
  • Armazenamento 256GB / 512GB / 1TB
  • Bateria 5000mAh, 45W
  • Peso / espessura 215g, 4,1mm (aberto)
  • Cores Graphite, Cream, Violet Shadow e Green Shadow (online)

Preço 2.269,90€ (256GB) / 2.469,90€ (512GB) / 2.869,90€ (1TB)

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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