Samsung em vantagem para fornecer chips NVHBM à Nvidia

A sul-coreana está numa posição privilegiada para produzir a memória customizada que a Nvidia vai usar na próxima geração de aceleradores de IA, graças à capacidade de fabricar tudo internamente.

A Nvidia anunciou há pouco tempo os chips NVHBM, uma memória de alta largura de banda desenhada à medida para os seus próximos aceleradores de inteligência artificial Rubin Ultra, que devem chegar ao mercado em 2027. A Samsung parece ter uma carta na manga que a coloca à frente da concorrência para fechar este negócio e estamos a falar de milhares de milhões de euros em receitas se tudo correr bem.

O que torna a Samsung diferente

A grande força da fabricante sul-coreana está na capacidade de fazer tudo sem depender de terceiros. Desde o design até à embalagem final, passando pela produção dos chips de memória DRAM e dos componentes lógicos, tudo acontece dentro de casa. Esta autonomia completa torna-se decisiva quando falamos de memória customizada como os chips NVHBM, onde a integração entre lógica e memória tem de ser milimétrica.

A Micron e a SK Hynix, por outro lado, precisam de recorrer a foundries externas a TSMC, por norma para fabricar os componentes lógicos mais avançados e tratar da montagem final. Quando há tanta personalização ao barulho, esta dependência de parceiros externos pode ser um obstáculo que a Samsung simplesmente não tem.

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Menos camadas, mais velocidade

Os designs de memória HBM mais recentes usam pilhas de 12 ou 16 camadas, o que complica tanto o fabrico que os problemas de yield (taxa de sucesso na produção) tornam-se um verdadeiro pesadelo. A Nvidia pediu à Samsung uma configuração com apenas oito camadas para os chips NVHBM. Cortar a altura da pilha em cerca de um terço resolve muitos dos problemas de produção e alivia a pressão sobre a escassez de memória que se tem feito sentir.

Claro que usar oito camadas em vez de 12 ou 16 significa menos capacidade por módulo. Mas a Nvidia quer compensar isso a acelerar a transferência de dados até aos 18 Gbps aproximadamente 20% acima dos 14,4 Gbps das primeiras amostras de HBM4E que já circulam por aí. Quando juntas centenas destas unidades através do NVLink, o sistema de interligação da Nvidia, o débito agregado do cluster inteiro sobe em flecha.

Um negócio que já vinha de trás

A Samsung arrancou este ano com a produção em massa de chips HBM4 para a plataforma de IA Vera Rubin da Nvidia, um contrato que já está a gerar milhares de milhões em receitas. Agora, se conseguir fechar também o fornecimento dos chips NVHBM para a arquitectura seguinte, a produção pode arrancar algures em 2027 e consolidar ainda mais a posição da empresa no mercado de memória para IA.

Esta vantagem tecnológica fabricar tudo internamente, num ecossistema integrado pode fazer toda a diferença numa altura em que a procura por aceleradores de IA não pára de crescer. E para a Samsung, este é exactamente o tipo de negócio que justifica os investimentos gigantescos que a indústria de semicondutores exige.

Via: SamMobile

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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