A Xiaomi está a entrar no segmento de auriculares clip-on com o seu primeiro modelo de ouvido aberto — e uma das novidades mais inesperadas é o suporte nativo ao ecossistema Apple.
Segundo os teasers oficiais da empresa, os auriculares vão ser compatíveis com a rede Find My da Apple, o que permite localizar a caixa de carregamento através de dispositivos Apple mesmo a grandes distâncias. A Xiaomi confirmou também conectividade inteligente entre dois dispositivos em simultâneo, tanto em Android como em iOS.
É uma proposta directa para quem usa telemóveis de ambos os ecossistemas no dia-a-dia e não quer gastar o que custam uns AirPods só para ter estas funcionalidades. A compatibilidade com o Find My, em particular, era até agora um privilégio quase exclusivo da Apple e de alguns parceiros certificados — a Xiaomi está a entrar nesse grupo. Para utilizadores com um iPhone numa mão e um Android na outra, este pode ser o argumento decisivo na hora de escolher uns auriculares sem fios.

Design clip-on e estrutura em titânio
Os auriculares seguem o design de ouvido aberto com clip, uma categoria que tem crescido muito nos últimos anos como alternativa aos modelos intra-auriculares tradicionais. Cada auricular pesa cerca de 5,5 gramas e usa uma estrutura flexível em fio de memória de titânio, desenhada para envolver o pavilhão auricular sem criar pressão excessiva durante sessões longas.
A ideia de fundo é a mesma que tem impulsionado toda esta categoria: ouvir música sem isolar completamente o utilizador do ambiente à sua volta, seja no ginásio, no escritório ou no transporte público. Para quem passa muitas horas com auriculares, a abertura ao som ambiente é uma vantagem real — especialmente em contextos onde a segurança ou a atenção ao que rodeia o utilizador são importantes.
Os auriculares de ouvido aberto têm ganho espaço rapidamente nos últimos dois anos. Marcas como Shokz, Huawei e OnePlus já têm modelos consolidados neste segmento, e a entrada da Xiaomi vem confirmar que a tendência não está a abrandar. A marca chinesa chega com uma proposta tecnicamente sólida e com um trunfo que poucos concorrentes podem oferecer: integração directa com o ecossistema Apple, algo que normalmente implica pagar o preço dos AirPods.

Hardware de áudio
No campo técnico, a Xiaomi optou por um driver de 11mm com diafragma revestido a metal microcristalino. Os auriculares suportam LHDC 5.0 e têm certificação Hi-Res Audio — especificações que ficam acima do esperado para um primeiro modelo neste segmento. O LHDC 5.0, em particular, é um codec de alta qualidade que permite transmitir áudio sem fios com menor perda de informação do que o Bluetooth convencional.
Para chamadas, o conjunto inclui três microfones, um sensor VPU e redução de ruído por inteligência artificial. A Xiaomi claramente não quis lançar um produto básico: as especificações técnicas estão alinhadas com o que se encontra em modelos mais estabelecidos da concorrência.
Como os auriculares de ouvido aberto deixam escapar mais som do que os modelos selados, a Xiaomi implementou tecnologia de ondas sonoras inversas para reduzir as fugas de áudio — uma funcionalidade que se tornou quase obrigatória neste segmento e que a empresa teve o cuidado de incluir logo na primeira geração. Sem isso, ouvir música no metro ou num espaço partilhado tornava-se pouco prático para quem está à volta.

Cores e lançamento
A Xiaomi mostrou os auriculares num livestream no início do mês, revelando três variantes de cor: preto, branco e dourado. Uma quarta versão foi mantida em segredo por agora — provavelmente para criar algum mistério adicional até ao dia do lançamento. É uma estratégia que a Xiaomi tem usado com frequência para alimentar a conversa nas redes sociais.
O lançamento oficial está marcado para hoje, 21 de maio, a par de outros produtos Xiaomi como o Xiaomi 17 Max e a Band 10 Pro. Os preços ainda não foram revelados, mas espera-se que a Xiaomi posicione estes auriculares de forma competitiva face à concorrência do segmento open-ear.




