Vendas de smartphones dobráveis caem 21,6% no primeiro semestre de 2026

O mercado de smartphones dobráveis enfrentou uma queda abrupta nos primeiros seis meses de 2026, com envios globais a recuarem mais de 20% face ao ano anterior. Huawei domina com 57% de quota de mercado.

O entusiasmo inicial à volta dos smartphones dobráveis parece estar a esfriar. Os números do primeiro semestre de 2026 mostram uma quebra significativa nas vendas destes dispositivos, com os envios globais a ficarem-se pelos 5,1 milhões de unidades uma descida de 21,6% comparando com o mesmo período do ano passado, segundo dados partilhados pela Omdia.

A queda apanha muita gente de surpresa, sobretudo porque o setor ainda está longe da maturidade. Os consumidores parecem estar mais cautelosos antes de investir em tecnologia que continua a custar bem mais do que um smartphone tradicional topo de gama.

Modelos tipo Flip são os que mais sofrem

Dentro deste cenário já de si complicado, há um formato que levou a pior: os dobráveis tipo concha, aqueles que se fecham na vertical como os antigos telemóveis flip. As vendas destes aparelhos derraparam 47% no espaço de um ano, revelando que talvez o apelo nostálgico e o fator compacto não sejam suficientes para justificar o investimento.

Já os modelos tipo livro que se abrem horizontalmente e funcionam quase como um tablet quando desdobrados mantiveram-se relativamente estáveis. Aliás, representam agora 69% de todos os envios globais de smartphones dobráveis, confirmando que é este o formato preferido por quem decide avançar para a compra.

smartphones dobráveis

Huawei domina, Samsung mantém segundo lugar

Quando olhamos para as marcas, a distribuição de poder é clara. A Huawei lidera destacada com 57% de quota de mercado mundial, numa altura em que a Samsung se fica pelos 18%. A Honor aparece em terceiro, com uma fatia de 9%, mas ainda muito distante das duas gigantes.

Entre Huawei e Samsung, o controlo do mercado é praticamente total: juntas, as duas marcas detêm 75% de todas as vendas. Resta saber se a entrada de novos concorrentes ou formatos diferentes conseguirá abalar este domínio nos próximos anos.

Vendas de smartphones dobráveis caem 21,6% no primeiro semestre de 2026

Preço continua a ser o principal obstáculo

A principal razão para a estagnação e agora recuo do mercado está no preço. Produzir um smartphone dobrável implica ecrãs grandes e flexíveis, dobradiças complexas e vidros especiais que encarecem brutalmente o custo final. Resultado: estes aparelhos custam bem mais do que qualquer flagship convencional, mesmo os mais equipados.

O problema agrava-se nos modelos tipo concha, onde muitos utilizadores sentem que as vantagens práticas não compensam o valor pedido. A sensação de novidade que existia há uns anos dissipou-se, e agora os compradores querem justificações mais concretas antes de abrir a carteira.

Em 2025, foram enviados 18,2 milhões de smartphones dobráveis em todo o mundo, mas o crescimento anual ficou-se por uns modestos 6%. Um número que deixa claro: sem uma descida de preços ou uma inovação verdadeiramente disruptiva, este segmento não vai deslanchar como muitos esperavam.

Novos formatos podem reativar o interesse

Há, ainda assim, uma porta aberta para o futuro. A Huawei lançou recentemente o Pura X Max, um modelo com um formato mais largo que foge ao design clássico tipo livro. Quando fechado, oferece um ecrã exterior generoso; quando aberto, transforma-se numa superfície próxima de um tablet.

Se a Samsung e outros fabricantes Android seguirem este caminho, explorando designs alternativos em vez de repetirem a mesma fórmula, o mercado pode voltar a ganhar tração. A Omdia acredita nisso: a consultora prevê que os envios totais de 2026 ultrapassem os 22 milhões de unidades, o que representaria um crescimento superior a 22% face a 2025.

A longo prazo, as projeções apontam para 45 milhões de unidades vendidas em 2030. Mas mesmo esse número impressionante não chegará a 3% do total global de smartphones vendidos nesse ano uma fatia pequena que mostra bem o nicho em que estes aparelhos continuam encaixados.

Para que os smartphones dobráveis deixem de ser uma curiosidade cara e se tornem uma escolha viável para o consumidor médio, os preços vão ter de descer. Até lá, o mercado continuará a oscilar entre momentos de entusiasmo e quedas abruptas como a que estamos a ver agora.

Via: ShiftDelete

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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