Xiaomi perde quota de mercado apesar de preços recorde

A Xiaomi viu as vendas de smartphones caírem 26,3% no segundo trimestre de 2026, mesmo com o preço médio dos seus aparelhos a atingir valores históricos. A marca mantém o terceiro lugar mundial, mas perde terreno para rivais.

A Xiaomi atravessa um período complicado no mercado global de smartphones. Os números do segundo trimestre de 2026 revelam uma queda acentuada nas vendas, com 31,2 milhões de aparelhos enviados entre abril e junho menos 26,3% do que os 42,4 milhões registados no mesmo período do ano anterior. A quebra é ainda mais preocupante quando se nota que o preço médio dos smartphones Xiaomi atingiu um valor sem precedentes.

Subida de preço não travou a quebra nas vendas

O preço médio de venda dos smartphones da marca chinesa chegou aos 1.351 yuans (cerca de 170 euros) no segundo trimestre, uma subida de 25,9% face ao ano anterior. É o valor mais alto de sempre para a Xiaomi, impulsionado sobretudo pelo desempenho dos modelos topo de gama no mercado chinês.

Na China continental, os aparelhos com preço igual ou superior a 3.000 yuans (aproximadamente 380 euros) representaram 32,1% das unidades vendidas mais um recorde histórico. Este segmento premium cresceu 4,5 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025. Apesar desta evolução, a aposta nos preços mais elevados não compensou a descida brutal no volume de vendas.

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Receitas em queda e margem sob pressão

A receita do segmento de smartphones caiu para 42,1 mil milhões de yuans (cerca de 5,3 mil milhões de euros), quando no mesmo trimestre de 2025 tinha sido de 45,5 mil milhões de yuans (5,7 mil milhões de euros). Face ao trimestre anterior, a quebra também se fez sentir: 44,3 mil milhões de yuans no primeiro trimestre de 2026 contra os 42,1 mil milhões do segundo.

A margem bruta do negócio de smartphones ficou nos 8,5%, um valor que a empresa justifica com o aumento significativo no preço de componentes essenciais. A pressão nos custos de produção parece estar a apertar as contas, mesmo com a Xiaomi a vender aparelhos mais caros.

Quota de mercado em queda livre

A quota da Xiaomi no mercado global de smartphones encolheu de 14,7% no segundo trimestre de 2025 para 11,5% este ano. O contraste com os principais rivais é gritante: a Samsung viu as vendas subirem 5,3%, atingindo 60,5 milhões de unidades, enquanto a Apple registou um salto de 23,1%, com 55,1 milhões de smartphones vendidos. Mesmo concorrentes chineses como a OPPO e a vivo, que também caíram 17,4% e 18,5% respetivamente, tiveram quedas menos acentuadas.

Ainda assim, a Xiaomi mantém o terceiro lugar no ranking mundial pelo 24.º trimestre consecutivo, segundo dados da Omdia citados no relatório de resultados. Na China, onde a concorrência é feroz, a marca vendeu 8,4 milhões de smartphones, bem abaixo dos 11,5 milhões do ano anterior. A quota interna caiu de 16,8% para 14,2%.

Carros elétricos compensam parte da quebra

O grupo Xiaomi registou uma receita total de 108,9 mil milhões de yuans (cerca de 13,8 mil milhões de euros) no trimestre. O segmento de veículos elétricos, inteligência artificial e novas iniciativas gerou 24,9 mil milhões de yuans (3,1 mil milhões de euros), um crescimento de 17,1% face ao ano anterior.

A divisão automóvel entregou 104.199 carros elétricos no segundo trimestre, mais 28,2% do que no período homólogo de 2025. Este desempenho mostra que a estratégia de diversificação da Xiaomi está a dar frutos, mesmo que o negócio principal de smartphones continue sob pressão. O lucro líquido ajustado do grupo ficou em 6,2 mil milhões de yuans (780 milhões de euros), com uma margem de 5,7%.

A aposta nos segmentos premium pode estar correta a longo prazo, mas os números de agora deixam claro que a Xiaomi ainda não encontrou o equilíbrio entre subir de patamar e manter o volume de vendas que a colocou entre as três maiores do mundo.

Via: GsmArena

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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