Huawei ultrapassa 100 milhões de chips Kirin apesar das sanções

A Huawei conseguiu enviar mais de 100 milhões de dispositivos com processadores Kirin desde 2023, mesmo com as restrições norte-americanas. A empresa chinesa revela detalhes do Kirin 9050 e testa já a próxima geração.

A Huawei continua a apostar na independência tecnológica e terá ultrapassado a marca dos 100 milhões de smartphones equipados com processadores Kirin desde 2023. O resultado ganha particular relevância tendo em conta as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos, que limitaram o acesso da fabricante chinesa a componentes e tecnologias essenciais para o desenvolvimento dos seus equipamentos.

A estratégia da Huawei passa por reforçar a utilização de tecnologia própria e desenvolver uma cadeia de fornecimento menos dependente de empresas estrangeiras. Embora o sucesso desta abordagem dependa de vários fatores, incluindo a capacidade de produção e a competitividade dos processadores, os resultados demonstram a importância que a empresa continua a atribuir ao desenvolvimento de semicondutores.

Huawei continua a apostar nos processadores Kirin

Os processadores Kirin são uma peça fundamental na estratégia da Huawei para recuperar terreno no mercado dos smartphones. Depois de vários anos condicionada pelas sanções norte-americanas, a empresa voltou a apostar de forma mais consistente nos seus próprios processadores, procurando controlar uma parte maior da tecnologia utilizada nos seus equipamentos.

A produção de chips avançados continua a ser um dos maiores desafios da indústria tecnológica, sobretudo devido à complexidade dos processos de fabrico e à dependência de equipamentos especializados. As restrições comerciais dificultaram o acesso da Huawei a determinadas tecnologias estrangeiras, obrigando a empresa e os seus parceiros chineses a procurar alternativas.

Neste contexto, a alegada distribuição de mais de 100 milhões de smartphones com processadores Kirin desde 2023 representaria um marco importante. Mais do que o volume de equipamentos, o número ilustraria a capacidade da marca para manter uma oferta de smartphones baseada em tecnologia própria, apesar das dificuldades de acesso a fornecedores internacionais.

No entanto, o valor divulgado e o respetivo método de contabilização necessitam de confirmação através de fontes independentes.

Kirin 9050 poderá trazer melhorias na densidade dos transístores

Entre as novidades associadas à próxima geração de processadores está o Kirin 9050, sobre o qual circulam informações relativas a uma arquitetura denominada LogicFolding, desenvolvida internamente pela Huawei.

Os dados divulgados apontam para a utilização de mais de 50 milhões de ligações híbridas e para um aumento de 53,5% na densidade de transístores face à geração anterior. Caso estes números sejam confirmados, poderão representar uma evolução relevante na forma como a empresa procura aumentar a capacidade dos seus processadores sem exigir um aumento proporcional da área ocupada pelo chip.

A densidade de transístores é um dos indicadores utilizados para avaliar a evolução dos semicondutores, mas não permite, por si só, determinar o desempenho final de um processador. A eficiência energética, a arquitetura dos núcleos, a memória, a gestão térmica e o processo de fabrico também têm um impacto significativo na experiência de utilização.

Importa, por isso, aguardar por dados técnicos verificáveis e testes independentes antes de retirar conclusões sobre a competitividade do Kirin 9050 face aos processadores utilizados nos smartphones topo de gama de outras fabricantes.

Próxima geração de processadores estará em desenvolvimento

A Huawei deverá continuar a investir no desenvolvimento de novos processadores. Informações provenientes de meios de comunicação chineses apontam para a existência de testes de uma geração identificada como Kirin 2027, embora não exista uma confirmação oficial sobre a designação comercial ou a data de lançamento.

O desenvolvimento contínuo de novos chips é essencial para uma fabricante que pretende reduzir a dependência de fornecedores externos. Cada nova geração pode permitir melhorias no desempenho, na autonomia e no processamento de tarefas de inteligência artificial, áreas particularmente importantes nos smartphones atuais.

Ainda assim, a designação Kirin 2027 não deve ser interpretada automaticamente como uma indicação de lançamento em 2027. Sem informações oficiais, o calendário de desenvolvimento e comercialização permanece por esclarecer.

Huawei Ascend Chip

Huawei reforça também a aposta nos chips de inteligência artificial

A estratégia da empresa estende-se para além dos smartphones. A Huawei tem vindo a desenvolver a família de aceleradores Ascend, concebida para responder às necessidades de processamento de inteligência artificial em centros de dados.

Os aceleradores deste tipo são utilizados em tarefas exigentes, como o treino e a execução de modelos de inteligência artificial. A procura por estes componentes tem aumentado à medida que empresas e instituições investem em infraestruturas capazes de processar grandes volumes de dados.

Os números divulgados no texto de origem apontam para 572 mil aceleradores de IA enviados durante um período de seis meses, em comparação com aproximadamente 300 mil no período homólogo anterior. A mesma informação atribui à Huawei uma quota de 28% do mercado chinês de chips de inteligência artificial para centros de dados, com base em dados associados à IDC.

Estes valores precisam de ser confirmados através de um relatório identificável da consultora, incluindo o período analisado e a definição de mercado utilizada. Ainda assim, a expansão da oferta chinesa de aceleradores de IA ilustra a importância estratégica que estes componentes adquiriram no contexto da rivalidade tecnológica entre os Estados Unidos e a China.

O que significa este avanço para a indústria europeia?

A evolução da Huawei demonstra como as restrições comerciais podem acelerar o investimento em alternativas tecnológicas nacionais. Contudo, construir uma cadeia de produção de semicondutores competitiva exige mais do que investimento financeiro. São necessários equipamentos especializados, materiais, conhecimento técnico, capacidade industrial e acesso a um ecossistema de fornecedores.

Para a Europa, a situação reforça a importância de reduzir dependências em componentes considerados estratégicos. A União Europeia tem procurado aumentar a sua capacidade de produção de semicondutores, embora os desafios sejam diferentes dos enfrentados pela China e não permitam uma comparação direta entre os dois modelos.

No caso da Huawei, o desenvolvimento de processadores próprios poderá continuar a ser determinante para a competitividade dos seus smartphones e das suas soluções de inteligência artificial. O verdadeiro teste será conseguir manter uma evolução consistente, não apenas em volume de produção, mas também em desempenho, eficiência e capacidade de competir com as principais empresas internacionais.

Por agora, os números divulgados apontam para uma estratégia de autonomia tecnológica que merece atenção. Resta confirmar os dados relativos aos processadores Kirin, à arquitetura Kirin 9050 e à expansão dos aceleradores Ascend para perceber com maior rigor até que ponto a Huawei conseguiu ultrapassar as limitações impostas pelas sanções.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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