Lamborghini desiste (outra vez) do elétrico: Lanzador vai chegar como híbrido

A Lamborghini confirmou que o Lanzador, apresentado como o primeiro modelo totalmente elétrico da marca, vai afinal chegar ao mercado como híbrido plug-in. Um verdadeiro elétrico só depois de 2030.

A estratégia de eletrificação da Lamborghini acabou de sofrer mais um adiamento – e desta vez parece mesmo que a marca italiana está a recuar a sério. O Lanzador, apresentado em 2023 como o primeiro modelo totalmente elétrico da Lamborghini, vai afinal chegar ao mercado como híbrido plug-in. E um verdadeiro Lamborghini elétrico? Esse fica para depois de 2030, se é que fica.

Do conceito elétrico à realidade híbrida

Quando a Lamborghini apresentou o Lanzador durante o Monterey Car Week em 2023, o plano parecia claro: um modelo 2+2 totalmente elétrico que seria a quarta linha de modelos da marca. Três anos depois, praticamente nada desse plano inicial se mantém de pé.

Stefano Cossalter, diretor de produto do Urus e do Lanzador, confirmou à publicação What Car? que a versão de produção vai usar um sistema híbrido plug-in. A base mecânica deverá ser o V8 biturbo de 4.0 litros já utilizado no Urus PHEV, e o carro só deve chegar ao mercado no final da década.

Esta é já a terceira vez que a Lamborghini muda de ideias relativamente ao Lanzador. Em julho de 2025, o diretor-executivo Stephan Winkelmann admitiu um “achatamento” na curva de aceitação dos elétricos, empurrando a data de produção de 2028 para 2029. Em fevereiro deste ano, a marca cancelou oficialmente o Lanzador 100% elétrico, com Winkelmann a classificar o desenvolvimento de um elétrico puro como um “hobby caro”.

“A tecnologia ainda não é suficientemente madura”

Enquanto Winkelmann se focava nos custos, Stefano Cossalter foi mais longe do que a Lamborghini alguma vez tinha ido publicamente ao explicar as razões para o recuo. E a mensagem é clara: os clientes da marca simplesmente não querem carros elétricos.

“Houve pouca ou nenhuma aceitação por parte dos nossos clientes. Não havia interesse; não estavam dispostos a comprar um carro elétrico”, afirmou Cossalter. O responsável explicou ainda que a marca acredita que “neste momento, a tecnologia ainda não é suficientemente madura”.

Mas o problema não é apenas técnico ou de aceitação de mercado. Para Cossalter, falta algo fundamental num Lamborghini: a emoção. O diretor de produto reconhece que um elétrico consegue entregar “muita precisão, muita potência, muito binário”, mas considera que ainda falta a componente emocional que os clientes da marca esperam.

“O carro é realmente rápido, mas não é emocional. Falta completamente a emoção”, disse Cossalter, numa declaração que resume bem o dilema que muitas marcas de desportivos enfrentam na transição para a eletrificação.

Lamborghini Lanzador

Urus mantém-se sem versão elétrica

As más notícias para quem esperava por um Lamborghini elétrico não ficam por aqui. Cossalter confirmou ainda que não há planos para um Urus totalmente elétrico, o que significa que o SUV vai continuar a ser o único modelo da sua categoria na gama da marca italiana.

Apesar de todo este recuo, a Lamborghini garante que o desenvolvimento de tecnologia elétrica continua a decorrer nos bastidores, nomeadamente ao nível da química das células e do software. Mas qualquer modelo totalmente elétrico da marca só deverá aparecer depois de 2030.

Uma estratégia cada vez mais cautelosa

O caso da Lamborghini não é único, mas é particularmente sintomático das dificuldades que as marcas de luxo e desportivos enfrentam na eletrificação. Enquanto a indústria automóvel como um todo acelera em direção aos elétricos, marcas como a Lamborghini encontram-se numa posição delicada: os seus clientes valorizam aspetos como o som do motor e a experiência de condução tradicional, características difíceis de replicar num elétrico.

A opção pelo híbrido plug-in parece ser, para já, o compromisso possível – permitindo reduzir emissões sem alienar completamente a base de clientes. Mas também levanta questões sobre se a Lamborghini conseguirá adaptar-se a tempo às regulamentações cada vez mais apertadas na Europa, ou se terá de repensar completamente o seu modelo de negócio.

Para já, quem esperava ver um Lamborghini elétrico nas estradas terá de esperar pelo menos mais quatro anos. E, a julgar pelo historial recente de adiamentos, até essa data pode ainda vir a mudar.

Via: electrek

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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