Entrevista Bernardo Cunha, Samsung Portugal: O futuro dos dobráveis e o mercado Português

Entrevistámos Bernardo Cunha, Head of PM & Strategy da Samsung Portugal. Descobre a estratégia dos novos dobráveis, baterias, wearables e os números no país.

No Galaxy Unpacked 2026, a Samsung revelou a sua mais ambiciosa aposta de sempre para o segmento dos dobráveis, com o lançamento dos Galaxy Z Fold 8, Galaxy Z Fold 8 Ultra e Galaxy Z Flip 8, acompanhados pelos novos Galaxy Watch 9 e Galaxy Watch Ultra 2. Mas para lá das especificações, o CtrlShift teve oportunidade de conversar com Bernardo Cunha, Head of PM and Strategy da divisão Mobile Experience da Samsung Portugal, para perceber a estratégia da marca, o futuro dos dobráveis, a evolução das baterias e o papel de Portugal dentro deste mercado.

Bernardo Cunha

A gama Galaxy Z cresceu… e há uma razão para isso

A expansão da linha de dobráveis não aconteceu por mero acaso. Durante a nossa conversa, Bernardo Cunha explicou que esta decisão resulta diretamente de 7 anos de intensa aprendizagem junto dos utilizadores. A gigante sul-coreana identificou 3 pilares fundamentais que definem como as pessoas usam estes dispositivos.

O primeiro pilar é a produtividade pura e dura, o grande motor inicial que colocou o formato Fold no mapa do trabalho móvel. O segundo pilar é o consumo multimédia intensivo, que se tornou na grande razão para a reformulação das proporções de ecrã nesta nova geração. A marca percebeu que o formato antigo não aproveitava a totalidade do painel para ver vídeos, ajustando agora o ecrã exterior para o rácio de 10 por 16. O terceiro pilar pertence à linha Flip, assumida como um acessório de moda, estilo e afirmação de identidade.

«Este alargamento da gama vem exatamente suprir essa necessidade. Nós acreditamos que existem consumidores que realmente só compram um telefone dobrável para consumir média.»

Samsung Galaxy Z Fold 8

O Fold 8 e Ultra não surgiram por causa da concorrência

Quando questionado sobre se esta diversificação, com a introdução do Z Fold 8 mais compacto, e a criação de um modelo Ultra surgem como resposta defensiva ao iminente lançamento do primeiro dobrável da Apple (iPhone Ultra) ou à forte pressão das marcas asiáticas como a HONOR, OPPO, vivo ou Huawei, a resposta do responsável da Samsung Portugal foi categórica.

A Samsung continua a liderar e a definir a agenda global de inovação em hardware e software para o segmento dobrável. A entrada de novos intervenientes ou o crescimento da concorrência direta não altera o plano de voo da tecnológica. Pelo contrário, apenas serve para validar em grande escala a visão pioneira que a marca tem vindo a construir de forma isolada ao longo dos últimos anos.

«O aparecimento de qualquer outro concorrente acaba por ser algo que apenas está a validar em escala tudo o que nós temos feito nos últimos anos. Nós queremos garantidamente continuar a ser os pioneiros nesta inovação.»

Samsung Galaxy Z Fold 8 Ultra

O mercado português continua apaixonado pelos dobráveis

O ecossistema tecnológico nacional reserva frequentemente surpresas positivas e a adoção destes formatos topo de gama é um caso evidente. Mesmo perante um contexto económico exigente, Portugal continua na linha da frente no que toca à aceitação de novas tecnologias. Bernardo Cunha revelou dados impressionantes sobre o mercado nacional, confirmando que existem atualmente mais de 55.000 utilizadores ativos de smartphones dobráveis da Samsung no nosso país.

O crescimento mantém-se firme a duplo dígito. Só na geração anterior, foram colocadas no mercado mais de 12.000 unidades, registando um fluxo contínuo de utilizadores a migrarem tanto da gama Galaxy S como de marcas rivais. Estes números comprovam que a maturidade do consumidor português perante o segmento premium está francamente acima da média europeia.

«O mercado português é muito peculiar na adoção de tecnologia. Perante a realidade económica que temos, ainda assim somos dos mercados com maior consumo de dobráveis perante o nosso poder de compra comparativo.»

Samsung Galaxy Watch Ultra2

Galaxy Watch: mais autonomia continua a ser prioridade

No universo dos wearables, a autonomia da bateria continua no topo do rol de exigências de qualquer utilizador. Na transição para os novos relógios inteligentes, a Samsung apostou numa estratégia dupla para resolver este problema crónico. Por um lado, houve um aumento físico expressivo da capacidade, integrando uma bateria de 800mAh. Por outro lado, a introdução de um novo processador Snapdragon focado na eficiência energética permitiu dar o salto que faltava.

O resultado desta equação é um ganho real de autonomia que ronda os 30 por cento, alcançando cerca de 60 horas de utilização contínua em cenários do dia a dia, mesmo com toda a panóplia de sensores biométricos em funcionamento constante.

As baterias continuam a ser o tema mais polémico

Este é o ponto que gera mais debate na indústria mobile. Atualmente, fabricantes como a HONOR ou a vivo estão a impulsionar o mercado com baterias de silício-carbono, atingindo capacidades entre os 6.000mAh e os 7.000mAh em corpos incrivelmente finos.

Confrontado com a capacidade do Galaxy Z Fold 8 Ultra nos 5.000mAh e do Fold 8 standard nos 4.800mAh, Bernardo Cunha reforçou que a prioridade da empresa não é a competição pelos números de folha de especificações, mas sim a entrega de autonomia real em horas de ecrã. A marca defende que um valor mais alto de miliamperes nem sempre se traduz diretamente em mais horas de utilização e que os utilizadores procuram conforto e fiabilidade para um dia inteiro sem sobressaltos.

«O termo com que os consumidores mais se preocupam não é o tamanho da bateria, é a autonomia. O nosso maior mantra não é dizer que temos 7.000, 8.000 ou 10.000 mAh, porque nem sempre isso representa maior duração para os utilizadores.»

A Samsung admite que está a seguir esse caminho

Apesar da postura cautelosa, a tecnológica sul-coreana não ignora os avanços da concorrência. Durante a entrevista, Bernardo Cunha admitiu que a empresa está a integrar gradualmente componentes de silício e carbono nas suas novas células de bateria. O executivo sublinhou que a marca está a fazer esse caminho de forma calma e ponderada, demonstrando que a transição tecnológica está a acontecer nos bastidores, mas a escala de produção global titânica da Samsung exige certezas absolutas antes de aplicar estas químicas de bateria em dezenas de milhões de unidades fabricadas em massa.

«Nós estamos calmamente a fazer este caminho, a colocar componentes de silício e carbono… mas queremos fazê-lo sempre em dois grandes eixos: a capacidade produtiva com a escala que a Samsung necessita e a segurança dos próprios equipamentos.»

Segurança continua acima de tudo

A palavra segurança surge de forma natural quando se aborda a química e a densidade energética das baterias. Recordando o histórico distante do Galaxy Note 7, o responsável da Samsung Portugal fez questão de esclarecer que as decisões atuais não são tomadas por receio do passado, mas sim por rigor estrutural dos valores da empresa.

Qualquer componente que chegue ao consumidor final passa por testes de qualidade e resistência extremamente exigentes. Para a marca, garantir que nenhum utilizador seja prejudicado por uma escolha de risco em larga escala é a principal métrica de sucesso, colocando a segurança total e a durabilidade do equipamento acima de qualquer jogada de marketing temporária.

«Estruturalmente planeamos para isso nunca acontecer. Temos de garantir que no dia em que damos esse passo, ele está completamente seguro em todas as pontas. A segurança e o conforto do consumidor são a principal métrica de sucesso.»

Samsung Galaxy Z Flip 8

O futuro da Samsung passa por segmentar os dobráveis

A nossa conversa com Bernardo Cunha deixa claro que a Samsung entrou numa fase de consolidação e maturidade no mercado dos dobráveis. A criação do modelo Ultra e o ajuste minucioso nas proporções dos ecrãs revelam uma marca que já não precisa de provar a viabilidade do conceito, mas sim de responder às necessidades específicas de cada perfil de utilizador.

Com mais de 55.000 utilizadores em Portugal e uma estratégia focada no equilíbrio entre autonomia real e segurança produtiva, a gigante sul-coreana demonstra estar bem preparada para manter o seu domínio num mercado que ajudou a criar.

Conclusão

Esta conversa com Bernardo Cunha deixa evidente que a Samsung não está apenas a reagir ao mercado, mas sim a desenhar a sua maturidade. A criação da linha Fold Ultra responde diretamente a quem procura o pico de produtividade e consumo multimédia sem cedências no formato do ecrã.

Em simultâneo, o desempenho em Portugal surpreende pela positiva, com mais de 55.000 utilizadores ativos e um crescimento anual a duplo dígito, provando que o consumidor nacional abraçou a tecnologia premium com entusiasmo.

No que toca ao debate das baterias, a visão da marca é pragmática: em vez de ceder à corrida dos miliamperes de folheto, a prioridade é a autonomia real em horas de utilização diária. A introdução gradual de química de silício e carbono aliada a chips mais eficientes garante ganhos consistentes sem comprometer a estabilidade dos equipamentos.

Acima de tudo, fica claro que a escala global da Samsung exige um controlo de qualidade rigoroso onde a segurança e o conforto do utilizador estão sempre em primeiro lugar.

🔥 Mais Lidos no CtrlShift

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

Artigos: 2270

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *