A Apple tem sido criticada por demorar tanto a lançar o seu primeiro smartphone dobrável, o iPhone Ultra, enquanto a concorrência asiática já acumula várias gerações de experiência neste formato. Mas os dados recentes da Samsung sugerem que a paciência de Cupertino pode revelar-se uma decisão de timing quase perfeita tanto em maturidade tecnológica como em apetite do mercado.
Quando a Samsung tropeçou no arranque
A primeira tentação é achar que quem entra primeiro no mercado fica com a vantagem. A Samsung apostou forte nos dobráveis, mas a estreia do Galaxy Fold original foi desastrosa: o ecrã revelou-se tão frágil que a empresa teve de retirar o produto de circulação antes sequer de chegar às lojas de forma generalizada.
Enquanto isso, a Apple mantinha-se em silêncio. A estratégia passava por deixar a tecnologia de ecrãs dobráveis amadurecer até ao ponto em que não só a robustez fosse garantida, mas também a experiência visual especialmente a eliminação do vinco que se nota no centro do dispositivo quando está aberto. Há relatos de que engenheiros da própria Apple colaboraram com a Samsung para atingir esse objetivo, o que explica parte da demora.

O Galaxy Z Fold 8 mudou tudo
O mais recente modelo da série dobrável da Samsung, o Galaxy Z Fold 8, parece ter finalmente resolvido o problema do vinco visível. O site 9to5Google confirmou que o ecrã, quando desdobrado, praticamente elimina a marca central um feito técnico que a indústria perseguia há anos.
Mas há outro número que interessa ainda mais: a procura inicial pelo Fold 8 é três vezes superior à que o modelo anterior, o Fold 7, registou no lançamento. Esta explosão de interesse não surge do nada já no ano passado a Samsung tinha visto um aumento de 50% na procura face à geração anterior. Junta os dois dados e percebes que os dobráveis deixaram de ser uma curiosidade de nicho para se tornarem uma categoria com tração real junto do público.

Ecrã sem vinco e mercado pronto: dois trunfos para a Apple
É provável que os dois factos estejam ligados. Um ecrã sem vinco torna o dispositivo muito mais apelativo para quem hesitava em gastar milhares de euros num smartphone com uma marca permanente no meio. Mas o crescimento constante ao longo de dois anos consecutivos sugere também que os consumidores começam a perceber as vantagens práticas do formato ecrã maior sem aumentar o volume no bolso, multitarefa mais eficaz, consumo de conteúdos mais imersivo.
A Apple entra neste mercado precisamente quando estas duas condições se alinham: tecnologia madura e procura em alta. O iPhone Ultra, cujo lançamento está previsto para o próximo mês ao lado da linha iPhone 18 Pro, deverá beneficiar de um ecrã praticamente idêntico ao do Galaxy Z Fold 8 ou seja, sem o vinco que afastava muitos potenciais compradores.
Quota de 25% logo à partida
As projeções apontam para que o iPhone Ultra conquiste cerca de 25% da quota total do mercado de smartphones dobráveis pouco tempo após o lançamento. Para um primeiro modelo de uma categoria completamente nova para a Apple, é um número impressionante mas compreensível quando se junta a fidelidade da base de clientes Apple com a entrada num momento em que a tecnologia já não parece uma aposta arriscada.
Se a Samsung precisou de oito gerações para chegar a um produto verdadeiramente convincente, a Apple entra na corrida sem ter de carregar o peso dos erros iniciais. A espera foi longa, mas raramente o ditado “quem espera sempre alcança” fez tanto sentido no mundo da tecnologia.
Via: 9to5Mac




