Os AirPods com câmara da Apple vão mesmo avançar, mas não nos AirPods Pro 3 como se esperava. A Bloomberg revela agora que o projeto passou diretamente para os AirPods Pro 4, com lançamento previsto apenas para 2027 mais tarde do que muitos antecipavam quando um vídeo interno da empresa apareceu online por engano.
O salto para a quarta geração não foi acidental. A Apple terá abandonado por completo o desenvolvimento dos Pro 3 e concentrado esforços numa geração seguinte, precisamente para resolver os desafios técnicos que esta tecnologia ainda apresenta. Quanto ao vídeo que circulou, acredita-se que era de facto um demo para os Pro 3 antes do projecto mudar de rumo.
Câmaras para ver o mundo, não para o gravar
A grande dúvida em torno deste produto sempre foi óbvia: será que uns auriculares com câmara vão andar a fotografar ou filmar tudo? A resposta é não. Os sensores integrados nos AirPods Pro 4 não vão conseguir capturar qualquer fotografia ou vídeo algo que afasta de imediato o receio de uma nova ferramenta de vigilância disfarçada.
Este corte não é só uma decisão de privacidade por parte da Apple. Há também uma limitação prática: o espaço e a bateria disponíveis num auricular wireless não permitem o tipo de componentes necessários para captura de imagem em alta qualidade. O que sobra é suficiente, porém, para alimentar sensores virados para análise de ambiente em tempo real.
A ideia por trás disto passa por inteligência artificial aplicada à vida quotidiana. As câmaras vão recolher dados sobre o que está à volta do utilizador objectos, superfícies, distâncias e processar essa informação localmente, sem gravar nada. A aposta clara é em funcionalidades de acessibilidade, nomeadamente para quem tem problemas de visão ou precisa de orientação no espaço.

Privacidade à frente do produto
A Apple sabe bem o que aconteceu com os óculos inteligentes da Meta, que geraram polémica precisamente por gravarem vídeo sem indicação clara para quem estava à frente. Evitar esse erro parece ser prioridade absoluta em Cupertino, onde planeiam implementar protecções rigorosas antes do lançamento.
O sistema de “visual intelligence” que a empresa pretende oferecer terá de funcionar sem nunca armazenar ou transmitir imagens captadas sem consentimento explícito. Tudo aponta para processamento no dispositivo, sem upload para a cloud, o que limita riscos mas também exige mais potência local.
Para pessoas com deficiência visual, a tecnologia pode ser transformadora. Imagina receber descrições automáticas do que tens à frente enquanto caminhas pela rua, ou avisos sobre obstáculos no caminho tudo através de áudio, sem teres de pegar no telefone. É esse tipo de utilidade que justifica o investimento, mesmo sem a capacidade de tirar uma única fotografia.
Ainda falta caminho até 2027
O adiamento para 2027 indica que ainda há bastante trabalho pela frente. Os problemas técnicos que levaram ao cancelamento dos Pro 3 não desapareceram sozinhos a Apple está a dar-se tempo para os resolver bem, em vez de apressar um lançamento comprometido.
Resta saber se, quando finalmente chegarem ao mercado, os AirPods Pro 4 com câmara vão convencer o público de que sensores sem capacidade de gravação fazem sentido num auricular. A funcionalidade terá de falar por si, porque a novidade tecnológica, por si só, pode não chegar para justificar o preço que estes aparelhos certamente vão ter.
Via: ShiftDelete




