A Apple alerta utilizadores através de uma nova série de notificações por 110 países, avisando que podem ter sido alvo de ataques com spyware mercenário. O anúncio foi feito esta semana, depois de o TechCrunch ter confirmado a informação junto da empresa.
Com esta última ronda de alertas, o número total de países onde a Apple já notificou utilizadores sobre este tipo de ameaças nos últimos anos ultrapassa agora os 150. A dimensão global destes ataques deixa claro que ninguém está completamente fora do radar e que este é um problema que continua a crescer.
Casos anteriores e padrão crescente
Há pouco mais de um ano, a Apple tinha alertado utilizadores em 100 países sobre iPhones visados por ataques semelhantes. Mais recentemente, a empresa notificou mais de uma dúzia de vítimas iranianas de ciberataques, num contexto que antecedeu a guerra com Israel. Este padrão mostra que os alvos não são aleatórios pelo contrário, muitos estão ligados a ativismo, jornalismo ou contextos políticos sensíveis.
Para acompanhar esta vaga de alertas, a Apple publicou também um novo artigo de suporte intitulado “About Apple threat notifications and protecting against mercenary spyware”. O documento explica o que são estas notificações, como são entregues e, sobretudo, o que fazer caso recebas uma.

O que fazer se receberes um alerta
Quem recebe uma notificação deste tipo encontra informação adicional e passos recomendados para proteger a conta e o dispositivo. A Apple recomenda fortemente que os utilizadores alertados ativem o Lockdown Mode, uma funcionalidade que restringe várias capacidades do iPhone para reduzir a superfície de ataque.
Além disso, a empresa sugere que as vítimas procurem ajuda especializada. Uma das organizações mencionadas é a Digital Security Helpline, gerida pela organização sem fins lucrativos Access Now. Este serviço oferece assistência de emergência 24 horas por dia, sete dias por semana, através do site da entidade. Estas organizações externas não sabem por que razão a Apple enviou o alerta a uma determinada pessoa, mas podem oferecer aconselhamento de segurança personalizado.
Medidas de segurança para todos
A Apple deixou claro que a maioria dos utilizadores nunca será alvo de spyware mercenário. Ainda assim, publicou um conjunto de boas práticas de segurança que qualquer pessoa pode seguir para reduzir riscos. Entre as recomendações estão manter o software sempre atualizado com as últimas correções de segurança, proteger o dispositivo com código de acesso, Touch ID ou Face ID, e ativar a autenticação de dois fatores com uma palavra-passe forte na conta Apple.
Outras medidas passam por ativar a Proteção contra Roubo de Dispositivo, instalar apenas aplicações a partir da App Store, usar palavras-passe fortes e únicas ou passkeys quando disponíveis e nunca abrir links ou anexos de remetentes desconhecidos. São conselhos básicos, mas que fazem a diferença quando o objetivo é proteger dados pessoais ou profissionais sensíveis.
Um problema que não vai desaparecer
Este tipo de spyware é usado sobretudo contra indivíduos específicos jornalistas, ativistas, diplomatas, políticos ou outras figuras públicas. As ferramentas são sofisticadas, caras e difíceis de detetar sem sistemas de segurança avançados. A Apple tem investido em deteção precoce e em notificações proativas, mas a verdade é que a indústria de vigilância digital continua a evoluir.
Para quem ainda não tinha prestado atenção a este problema, a nova vaga de alertas em 110 países deixa uma mensagem clara: a ameaça é real, está a crescer e não escolhe fronteiras. Manter o iPhone atualizado e seguir as boas práticas de segurança pode não impedir todos os ataques, mas reduz significativamente a probabilidade de sucesso.
Via: 9to5Mac




