Depois da recente subida dos preços das memórias DRAM e NAND, que já está a pressionar fabricantes como a Apple e a Samsung, surge agora um novo fator que poderá contribuir para o aumento do preço dos smartphones. Um novo relatório indica que os fabricantes chineses de películas polarizadoras estão a preparar um aumento dos preços, consequência direta da subida do custo das matérias-primas utilizadas na produção dos ecrãs.
A informação foi avançada pelo TheElec, que cita dados da empresa de análise Sigma Intel, apontando para um aumento significativo dos custos de produção dos painéis utilizados em smartphones, tablets, monitores e televisores.
Materiais estão cada vez mais caros
Segundo o relatório, os produtos químicos utilizados na fabricação dos painéis registaram aumentos expressivos ao longo dos últimos meses.
Entre os materiais mais afetados encontram-se o álcool polivinílico (PVA), o polietileno tereftalato (PET), o polimetilmetacrilato (PMMA) e o copolímero de olefina cíclica (COP), todos eles componentes fundamentais na produção das películas polarizadoras.
Além disso, o preço dos adesivos utilizados nos ecrãs aumentou cerca de 15% durante o segundo trimestre deste ano, contribuindo para um agravamento ainda maior dos custos de fabrico.

Porque são importantes as películas polarizadoras?
Embora sejam pouco conhecidas do público, as películas polarizadoras desempenham um papel essencial no funcionamento de qualquer ecrã LCD ou OLED.
Estas camadas funcionam como filtros óticos que controlam a direção da luz emitida pelo painel, permitindo formar imagens nítidas, melhorar o contraste e reproduzir cores com maior precisão.
Sem estes componentes, os ecrãs modernos simplesmente não conseguiriam apresentar a qualidade de imagem a que os consumidores estão habituados.
Custos poderão refletir-se no preço final
A Sigma Intel estima que o custo de produção destas películas tenha aumentado cerca de 10%, depois de alguns materiais registarem aumentos entre 70% e 80% face aos valores anteriores.
Perante este cenário, alguns fabricantes de painéis já terão solicitado aumentos próximos dos 10% nos contratos de fornecimento.
Caso estas atualizações de preços avancem, é muito provável que parte desse aumento seja transferido para os fabricantes de smartphones e, posteriormente, para os consumidores.
China domina este mercado
A situação torna-se ainda mais relevante devido ao peso da China nesta indústria.
Segundo o relatório, o país é atualmente responsável por cerca de 71,3% da produção mundial de películas polarizadoras, tornando-se praticamente impossível para os fabricantes de smartphones ignorarem qualquer alteração significativa nos preços praticados pelos fornecedores chineses.
Marcas como Xiaomi, Honor, OPPO, vivo e até empresas internacionais que recorrem a fornecedores chineses poderão sentir diretamente o impacto desta subida.
Mais um desafio para a indústria
Este aumento surge numa altura particularmente complicada para o setor tecnológico.
Nos últimos meses, os fabricantes já enfrentaram aumentos significativos nos preços das memórias, impulsionados pela forte procura gerada pela inteligência artificial e pelos centros de dados. Agora, os ecrãs podem tornar-se o próximo componente a pressionar os custos de produção.
Embora ainda seja cedo para perceber qual será o impacto real no preço dos futuros smartphones, tudo indica que 2026 e 2027 poderão ser anos marcados por dispositivos ligeiramente mais caros, sobretudo nos segmentos médio e premium.
Segundo a Sigma Intel, a China já conseguiu nacionalizar grande parte da produção destes materiais, mas alguns componentes continuam dependentes de empresas japonesas e sul-coreanas. A consultora acredita que essa dependência apenas começará a diminuir de forma significativa depois de 2027, altura em que novas linhas de produção deverão atingir níveis de qualidade suficientes para reduzir os custos de fabrico.




