ChatGPT já não domina o mercado como antes, Gemini e Claude ganham terreno

O ChatGPT caiu abaixo dos 50% de quota de mercado pela primeira vez. Gemini e Claude continuam a crescer e a desafiar a liderança da OpenAI.

Pela primeira vez desde o seu lançamento, o ChatGPT viu a sua quota de mercado cair abaixo da barreira dos 50%. Os novos dados da Sensor Tower mostram uma mudança importante no panorama da inteligência artificial, com rivais como o Gemini e o Claude a conquistarem cada vez mais utilizadores.

Apesar desta quebra, o ChatGPT continua a ser, de longe, a plataforma de IA mais utilizada do mundo, mantendo uma base superior a 1,1 mil milhões de utilizadores mensais.

Gemini e Claude ganham terreno

Segundo o relatório da Sensor Tower, a quota de mercado do ChatGPT caiu para 46,4% durante o mês de maio.

O principal beneficiado desta descida é o Gemini, da Google, que já representa 27,7% do mercado. Logo atrás surge o Claude, da Anthropic, que alcançou 10,3%.

Embora a liderança da OpenAI continue confortável, os números mostram que os utilizadores estão cada vez mais dispostos a experimentar diferentes plataformas, escolhendo ferramentas específicas para diferentes necessidades.

Sensor Tower ChatGPT

Utilizadores procuram especialização

Uma das conclusões mais interessantes do estudo é que o mercado está a tornar-se mais segmentado.

Enquanto o ChatGPT continua a ser a solução mais generalista e conhecida, o Claude tem conquistado destaque entre programadores, criadores de conteúdo e profissionais que procuram produtividade avançada.

A própria Sensor Tower refere que a taxa de retenção do Claude aumentou significativamente, com cerca de 13% dos seus utilizadores a subscreverem planos pagos.

Este crescimento demonstra que muitos utilizadores já não procuram apenas um chatbot genérico, mas sim ferramentas mais especializadas para tarefas específicas.

Algumas decisões da OpenAI também geraram polémica

Os analistas apontam ainda outro fator que poderá ter contribuído para a desaceleração do ChatGPT.

A parceria anunciada entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos gerou alguma controvérsia junto de parte da comunidade tecnológica. Segundo os dados divulgados, após o anúncio registou-se um aumento nas desinstalações da aplicação.

Embora o impacto real dessa decisão seja difícil de quantificar, demonstra que questões éticas e estratégicas começam também a influenciar as escolhas dos utilizadores.

O mercado continua a crescer

Apesar da concorrência cada vez mais intensa, a utilização de ferramentas de inteligência artificial continua a aumentar.

Os dados mostram que o tempo total gasto pelos utilizadores nestas plataformas praticamente duplicou, passando de 17,2 mil milhões para cerca de 36 mil milhões de horas.

Isto significa que a IA continua a conquistar espaço no dia a dia das pessoas, seja para trabalho, estudo, programação ou entretenimento.

No entanto, os analistas alertam que o mercado começa a dar sinais de maturidade, especialmente em algumas regiões asiáticas, onde os downloads já começaram a desacelerar.

ChatGPT já não domina o mercado como antes, Gemini e Claude ganham terreno

A próxima batalha será a publicidade

À medida que o crescimento abranda, as empresas procuram novas formas de gerar receitas.

A OpenAI já começou a testar publicidade junto de parte dos seus utilizadores, com anúncios relacionados com software, restauração e comércio eletrónico.

Ao mesmo tempo, gigantes do retalho como Amazon e Walmart estão a desenvolver as suas próprias soluções de inteligência artificial e a limitar o acesso dos assistentes externos aos seus dados.

Tudo indica que a próxima grande batalha da IA não será apenas tecnológica, mas também comercial.

A liderança ainda é da OpenAI

Apesar das manchetes sobre a perda de quota de mercado, convém colocar os números em perspetiva.

O ChatGPT continua a ser a plataforma de IA mais utilizada do mundo e mantém uma vantagem significativa sobre os seus principais concorrentes. No entanto, a distância já não é tão confortável como era há um ou dois anos.

Com o Gemini a crescer rapidamente graças à integração nos serviços da Google e o Claude a consolidar-se como uma referência em produtividade, a OpenAI enfrenta agora o maior desafio competitivo desde o lançamento do ChatGPT.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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