A Coreia do Sul prepara um dos maiores investimentos tecnológicos da sua história. O país quer reforçar a produção de semicondutores e acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial através de um plano avaliado em 357 mil milhões de dólares.
Apesar da dimensão do projeto, os consumidores não deverão esperar uma redução imediata dos preços da memória RAM e do armazenamento flash, componentes que continuam a encarecer smartphones, computadores e outros equipamentos tecnológicos.
Novas fábricas vão demorar anos
Parte do investimento será destinada à construção de novas fábricas de semicondutores no sudoeste da Coreia do Sul.
No entanto, o presidente da SK Hynix, Chey Tae-won, alertou que este tipo de projetos exige muito tempo. Como exemplo, recordou que a criação do complexo industrial de Yongin, na região metropolitana de Seul, demorou nove anos até ficar totalmente operacional.
Isto significa que a produção adicional de chips não chegará ao mercado tão cedo.
Enquanto isso, a forte procura por memória continua a exercer pressão sobre os preços.

A inteligência artificial continua a consumir enormes quantidades de memória
Grande parte do problema está relacionada com o crescimento explosivo da inteligência artificial.
Empresas como OpenAI, Microsoft, Google, Meta ou Amazon continuam a expandir os seus centros de dados, adquirindo enormes quantidades de memória DRAM e armazenamento para suportar modelos de IA cada vez mais exigentes.
Esta procura tem limitado a oferta disponível para fabricantes de computadores, smartphones e consolas, contribuindo para a subida dos preços dos componentes.
Recentemente, várias empresas tecnológicas, incluindo Apple e Valve, reconheceram que o aumento dos custos da memória está a afetar diretamente os preços dos seus produtos.
Milhares de milhões também para centros de dados
O plano sul-coreano não se limita à produção de semicondutores.
O investimento contempla ainda a construção de grandes centros de dados dedicados à inteligência artificial em várias províncias do país.
O projeto junta empresas como SK Group, GS Group e Naver, que pretendem criar uma infraestrutura capaz de responder à crescente procura por serviços de IA.
Energia será um dos maiores desafios
A construção destas infraestruturas levanta outro problema importante: o consumo energético.
Segundo o Ministério do Clima, Energia e Ambiente da Coreia do Sul, será necessário garantir cerca de 6,3 gigawatts de eletricidade e 650 mil toneladas de água para alimentar as novas fábricas de semicondutores.
Além disso, os futuros centros de dados para inteligência artificial irão necessitar de mais 8 gigawatts de potência elétrica.
Energia nuclear continua a desempenhar um papel importante
Para responder a esta enorme procura, o governo sul-coreano prevê recorrer a várias fontes de energia.
As energias renováveis farão parte da solução, mas a energia nuclear continuará a assumir um papel fundamental, juntamente com centrais a carvão e outras fontes convencionais.
Em 2024, tanto a energia nuclear como o carvão representavam individualmente mais de 30% da produção elétrica do país.
Já o gás natural correspondia a cerca de 25% da eletricidade gerada, tornando a Coreia do Sul vulnerável às flutuações do mercado internacional, agravadas pela atual crise no Estreito de Ormuz.
Os consumidores terão de continuar a esperar
Embora este investimento represente um passo importante para aumentar a capacidade mundial de produção de semicondutores, os efeitos dificilmente serão sentidos no curto prazo.
A construção de novas fábricas demora vários anos e, enquanto a procura por memória impulsionada pela inteligência artificial continuar a crescer, os preços elevados deverão manter-se.
Para os consumidores, isso significa que smartphones, computadores, consolas e outros equipamentos tecnológicos poderão continuar a sofrer aumentos de preço durante os próximos anos.




