Há carros que nos conquistam pelo design, outros pela potência ou pelo equipamento. E depois há carros como o Dacia Jogger Eco-G 120, que começam a fazer sentido quando olhamos para aquilo que realmente custa ter um automóvel.
Depois de alguns dias ao volante, fiquei com uma conclusão bastante clara: o Jogger Eco-G 120 é um daqueles carros que faz particularmente sentido para a realidade portuguesa atual.
Não apenas porque tem sete lugares, é espaçoso e relativamente acessível. A principal razão está no facto de ser Bi-Fuel, podendo funcionar com gasolina e GPL.
E, olhando para o preço dos combustíveis que temos hoje, esta característica deixou de ser um simples argumento comercial. É uma vantagem que se sente diretamente na carteira.

O GPL é a grande razão para escolher este Jogger
Começo precisamente por aqui porque foi aquilo que mais me marcou durante o ensaio.
O Eco-G 120 combina gasolina e GPL e permite utilizar os dois combustíveis no mesmo automóvel. Para quem conduz, o processo é bastante simples. Não precisamos de estar constantemente preocupados com a gestão do sistema: abastecemos, conduzimos e o carro trata do resto.

Mas basta chegar a uma estação de serviço para perceber a verdadeira diferença.
Na zona onde moro, encontrei a gasolina simples 95 a 2,187 euros por litro e o gasóleo simples a 2,219 euros. As versões aditivadas chegavam mesmo aos 2,237 e 2,269 euros por litro, respetivamente.
São preços que tornam difícil ignorar o custo de utilização de um automóvel.
Ao mesmo tempo, os dados mais recentes da DGEG colocavam o preço médio nacional do GPL Auto nos 0,888 euros por litro, contra 2,021 euros para a gasolina 95 e 2,017 euros para o gasóleo simples.
É uma diferença enorme.
E é precisamente aqui que o Jogger começa a destacar-se.

Fazer contas muda a perspetiva
A Dacia anuncia para o Eco-G 120 um consumo combinado de 7,3 l/100 km em GPL. É o valor homologado e, naturalmente, é aquele que encontramos na ficha técnica do carro.
Mas uma coisa é o valor homologado, outra é aquilo que conseguimos obter na estrada.
Durante os dias em que estive com o Jogger, e conduzindo normalmente, sem andar a tentar fazer consumos mínimos, mas também dentro dos limites de velocidade e a um ritmo razoavelmente bem, o consumo de GPL acabou por andar mais próximo dos 8 a 9 l/100 km.
Na minha zona, o GPL estava disponível por cerca de 0,98 euros por litro. Isto significa que, com um consumo real de 8 l/100 km, estamos a gastar aproximadamente 7,84 euros para percorrer 100 quilómetros. Se o consumo subir para 9 l/100 km, o valor passa para cerca de 8,82 euros por cada 100 quilómetros.
Mesmo no cenário menos favorável dos 9 litros, continuamos abaixo dos nove euros por cada 100 quilómetros.
Agora é que vale a pena olhar para a fotografia da estação de serviço que acompanha este ensaio.
Na altura, a gasolina simples 95 estava a 2,187 euros por litro e o gasóleo simples a 2,219 euros. Ou seja, estamos a falar de valores bastante superiores aos preços médios nacionais divulgados pela DGEG, que a 6 de setembro estavam nos 2,022 euros para a gasolina 95 e 2,017 euros para o gasóleo, enquanto o GPL Auto tinha uma média nacional de apenas 0,888 euros por litro.
Se aplicarmos os 2,187 euros por litro da gasolina da minha zona a um consumo de 8 a 9 l/100 km, teríamos um custo teórico de aproximadamente 17,50 a 19,68 euros por cada 100 quilómetros.
No GPL, com os meus consumos reais e o preço local de 0,98 euros, estamos entre 7,84 e 8,82 euros.

A diferença é muito significativa!
Claro que esta comparação não significa que o Jogger vá consumir exatamente os mesmos litros de gasolina e GPL. O GPL apresenta normalmente um consumo volumétrico superior e a utilização real depende de muitos fatores. Mas serve para perceber uma coisa que, ao volante, se torna bastante evidente: o preço muito mais baixo do GPL consegue compensar largamente o aumento de consumo.
E é aqui que o conceito Bi-Fuel começa realmente a fazer sentido.
Se fizermos 20.000 quilómetros por ano, por exemplo, estamos a falar de um custo aproximado de 1.568 a 1.764 euros em GPL, considerando os meus consumos reais de 8 a 9 l/100 km e o preço de 0,98 euros por litro.
É claro que os valores podem variar, mas mesmo assim estamos perante uma diferença que pode chegar a centenas de euros por ano quando comparada com a utilização de gasolina a estes preços.
E quanto mais quilómetros fazemos, maior é essa diferença.
É esta a parte do Jogger que considero mais interessante.
Não estamos apenas a comprar um carro que pode gastar pouco. Estamos a comprar um carro que nos permite escolher onde queremos gastar o nosso dinheiro.
Se há GPL disponível, utilizo GPL. Se não há, tenho gasolina. É tão simples quanto isso.
Não preciso de planear uma viagem em função de carregadores, não preciso de esperar pelo carregamento de uma bateria e não fico limitado a uma única fonte de energia. Tenho dois depósitos e posso aproveitar aquele que, naquele momento, faz mais sentido.
E numa altura em que encontro gasolina acima dos dois euros por litro na minha zona, enquanto consigo abastecer GPL por cerca de 0,98 euros, esta possibilidade deixa de ser apenas uma curiosidade.
Passa a ser uma das principais razões para escolher o Jogger Eco-G 120.

É aqui que o conceito Bi-Fuel ganha valor
O que mais gosto nesta solução é precisamente o facto de não nos obrigar a escolher.
Se encontro GPL, utilizo GPL.
Se não encontro, tenho gasolina.
É simples.
E esta liberdade é particularmente importante para quem ainda não quer ou não pode passar para um automóvel elétrico.
Um elétrico pode ser extremamente interessante para quem tem possibilidade de carregar em casa, mas essa não é a realidade de todos os portugueses. Há quem viva num apartamento, quem estacione na rua ou quem simplesmente faça viagens em que prefere a facilidade de abastecer rapidamente.
Com o Jogger, continuo a ter um automóvel de combustão tradicional, mas com a possibilidade de recorrer a um combustível bastante mais barato.
E, para mim, é esta a verdadeira inteligência da proposta.
Um familiar que não tenta ser aquilo que não é
Depois há o Jogger propriamente dito.
Não é um SUV premium, nem pretende ser. A Dacia optou por uma abordagem muito mais pragmática.
O objetivo é oferecer espaço, funcionalidade e equipamento sem fazer disparar o preço.

E funciona.
Os sete lugares são uma das suas maiores vantagens. Podemos transportar uma família inteira e, quando não precisamos da terceira fila, passamos a ter um espaço de carga muito mais generoso.
A própria ficha técnica da Dacia indica uma capacidade de bagageira que pode chegar aos 1819 litros, dependendo da configuração.
É um daqueles carros em que rapidamente percebemos que podemos levar tudo.
Malas para as férias, compras, bicicletas, equipamento desportivo ou simplesmente aquela quantidade absurda de coisas que uma família consegue acumular numa viagem.
O Jogger não complica.
É espaçoso porque precisa de ser.
120 cv chegam?
Os 120 cv do Eco-G 120 não transformam o Jogger num automóvel desportivo, mas também não é isso que se pretende.
Para uma utilização familiar, considero que a potência é adequada.
Mesmo com o carro carregado, há capacidade suficiente para circular em cidade, estrada nacional ou autoestrada sem que tenhamos de estar constantemente a pensar na falta de potência.

E a caixa automática da versão que conduzi acaba por encaixar muito bem nesta filosofia.
É especialmente agradável no trânsito urbano, onde permite conduzir de forma mais descontraída e sem a necessidade de estar constantemente a trabalhar com a embraiagem e a caixa.
Não é um carro para andar depressa.
É um carro para chegar ao destino sem complicações.
E há outra coisa importante: não é preciso mudar hábitos
Talvez esta seja uma das maiores vantagens do sistema Bi-Fuel.
Não precisei de mudar a minha forma de utilizar o carro.
Não tive de pensar onde carregar.
Não tive de planear uma viagem em função de carregadores.
Não tive de ficar preocupado com a autonomia elétrica.
Se fosse necessário abastecer, simplesmente procurava um posto com GPL. E se essa opção não estivesse disponível, existia sempre a gasolina.
É uma solução que considero particularmente adequada para quem quer reduzir o custo de utilização sem alterar completamente os seus hábitos.

O Dacia Jogger faz sentido em Portugal?
Depois deste ensaio, a minha resposta é sim.
E diria até que faz mais sentido hoje do que faria há alguns anos.
Não é perfeito. Os materiais interiores são simples, o isolamento acústico poderia ser melhor e há concorrentes que oferecem uma experiência de condução mais refinada.
Mas não é isso que procuro neste carro.
Procuro um automóvel familiar, espaçoso, versátil e que não me obrigue a gastar uma fortuna sempre que paro numa estação de serviço.
E é precisamente isso que o Jogger Eco-G 120 entrega.
O seu maior argumento não está necessariamente nos sete lugares, nem na caixa automática, nem sequer nos 120 cv.

Está no GPL.
Porque num momento em que abastecer gasolina ou gasóleo pode facilmente significar gastar mais de dois euros por litro, ter a possibilidade de utilizar um combustível que custa menos de metade é uma vantagem real.
O sistema Bi-Fuel permite ainda manter a liberdade da gasolina, sem depender exclusivamente do GPL.
No final, foi isso que mais gostei neste Dacia Jogger.
É um carro racional num momento em que ser racional com o dinheiro voltou a ser uma necessidade.
E se fazemos muitos quilómetros, precisamos de espaço para a família e queremos controlar melhor aquilo que gastamos em combustível, o Jogger Eco-G 120 Auto Journey não é apenas uma alternativa económica.
De referir que tudo isto custa cerca de 27 000 euros. É uma das propostas que, neste momento, mais sentido faz para Portugal.




