
Huawei Mate 90: tudo o que já sabemos antes do lançamento
A Huawei prepara o Mate 90 com Kirin 9050 Pro, câmaras avançadas, baterias até 7.000 mAh e HarmonyOS 7. Conheça as principais novidades.
A Huawei prepara aquele que poderá ser o seu lançamento mais importante de smartphones em 2026. A nova família Mate 90 deverá ser apresentada na China já na última semana de setembro, colocando a marca chinesa frente a frente com a nova geração iPhone 18.
A estratégia parece evidente. Depois de antecipar o lançamento dos seus novos topos de gama, a Huawei quer aproveitar a atenção em torno da nova geração da Apple para mostrar que continua capaz de desenvolver hardware próprio e competir no segmento premium.
A série Mate 90 deverá incluir quatro modelos: Mate 90, Mate 90 Pro, Mate 90 Pro Max e Mate 90 RS Ultimate Design.
Apesar de a Huawei ainda não ter confirmado oficialmente todas as especificações, vários rumores apontam para uma geração com mudanças importantes, sobretudo no processador, câmaras e software.
Kirin 9050 Pro é a grande novidade
O componente mais interessante poderá estar escondido dentro do smartphone.
A Huawei deverá utilizar a nova geração Kirin 9050, com o modelo 9050 Pro reservado às versões mais avançadas. O processador utiliza uma tecnologia que a Huawei designa por LogicFolding, integrada numa abordagem mais abrangente chamada Tau scaling law.
A ideia passa por aumentar a densidade dos circuitos através de uma organização vertical da lógica, procurando obter mais capacidade de processamento sem depender exclusivamente da redução do tamanho dos transístores.
Segundo dados anteriormente divulgados pela Huawei, o Kirin 9050 poderá aumentar a densidade de transístores em 53,5% face ao Kirin 9030 Pro, chegando a cerca de 238 milhões de transístores por milímetro quadrado.
A área do chip terá também sido reduzida em aproximadamente um terço, enquanto o consumo energético poderá cair mais de 40% para um nível de desempenho equivalente.
São números particularmente interessantes tendo em conta as dificuldades da Huawei em aceder às tecnologias de fabrico de semicondutores mais avançadas.

Pro Max e RS deverão receber a versão mais potente
Nem todos os Mate 90 deverão utilizar exactamente o mesmo processador.
O Mate 90 e Mate 90 Pro poderão recorrer a versões menos avançadas da nova plataforma, enquanto o Mate 90 Pro Max e Mate 90 RS Ultimate Design deverão receber o Kirin 9050 Pro completo.
O mesmo chip já apareceu no Mate XT 2, o novo smartphone da Huawei com três ecrãs dobráveis.
Segundo a Huawei, o Kirin 9050 Pro consegue uma melhoria de 42% no desempenho relativamente à geração anterior, com ganhos de 24% no desempenho single-core e 52% no multi-core.
Se estes valores forem confirmados em testes independentes, o processador poderá ser um dos principais argumentos da nova geração.

Ecrã OLED de 6,9 polegadas para toda a família
Outra mudança importante poderá ser a utilização generalizada de uma tecnologia que anteriormente estava reservada ao modelo mais caro.
Os quatro Mate 90 deverão utilizar um ecrã OLED de 6,9 polegadas com tecnologia dual-layer tandem OLED.
Esta arquitectura utiliza duas camadas emissoras para aumentar o brilho sem aumentar proporcionalmente o consumo energético.
Os rumores apontam ainda para uma resolução de 1,5K e tecnologia LTPO, permitindo ajustar dinamicamente a taxa de actualização de acordo com aquilo que está a ser apresentado.
O design deverá manter a abertura frontal de três furos utilizada pela geração anterior, embora com cantos mais arredondados.
Mate 90 Pro aposta forte nas câmaras
O Mate 90 de entrada deverá contar com uma câmara principal de 50 MP, acompanhada por uma ultra grande angular de 40 MP e uma teleobjetiva de 50 MP.
Um sensor multiespectral poderá também ser utilizado para melhorar a reprodução das cores.
No Mate 90 Pro, a Huawei deverá elevar significativamente a fasquia.
O sensor principal poderá utilizar abertura variável, permitindo controlar a quantidade de luz que chega ao sensor e oferecendo maior flexibilidade tanto em fotografia nocturna como na gestão da profundidade de campo.
Outra possibilidade particularmente interessante é a presença de duas câmaras periscópicas.
Em vez de depender de uma única teleobjetiva para diferentes níveis de zoom, esta configuração permite utilizar duas distâncias focais ópticas distintas.
Pro Max poderá ter sensor de uma polegada
O Mate 90 Pro Max deverá ser o verdadeiro laboratório fotográfico da nova geração.
Os rumores apontam para um sensor principal de formato de uma polegada, acompanhado por duas câmaras periscópicas. Uma delas poderá oferecer zoom óptico até 10x.
A Huawei poderá também abandonar o módulo circular utilizado anteriormente e adoptar uma configuração traseira quadrada.
Curiosamente, o leitor de impressões digitais poderá continuar colocado na lateral, em vez de passar para debaixo do ecrã através de tecnologia ultrassónica.
O Pro Max deverá ainda contar com Wi-Fi 7 e o Kirin 9050 Pro.

Uma bateria enorme e carregamento rápido
A autonomia poderá ser outro dos grandes argumentos da Huawei.
Os modelos Pro deverão utilizar baterias entre 6.800 e 7.000 mAh, valores muito superiores aos que encontramos habitualmente nos topos de gama ocidentais.
O Mate 90 Pro deverá suportar carregamento de 100 W, enquanto o Pro Max e o RS poderão oferecer velocidades ainda superiores.
Se a Huawei conseguir combinar estas baterias com a maior eficiência energética do Kirin 9050, poderá conseguir uma autonomia bastante acima da média do segmento.
HarmonyOS 7 quer transformar o smartphone num agente
O hardware será apenas uma parte da estratégia.
Todos os modelos Mate 90 deverão chegar com HarmonyOS 7, apresentado recentemente pela Huawei.
Uma das principais novidades é a transformação do assistente Xiaoyi num agente de sistema capaz de executar tarefas com várias etapas.
Em vez de simplesmente responder a uma pergunta, o assistente poderá compreender uma instrução mais complexa e executar diferentes operações para chegar ao resultado pretendido.
A Huawei está a apostar naquilo que descreve como a “era dos agentes”, colocando inteligência artificial directamente no sistema operativo.
Também existem melhorias na interface, animações, desempenho e gestão energética.
Huawei contra Apple
A escolha do período de lançamento não parece inocente.
Com o Mate 90 a chegar precisamente na altura em que a Apple concentra todas as atenções na nova geração iPhone, a Huawei terá uma oportunidade para mostrar que consegue competir no segmento premium mesmo mantendo um ecossistema próprio.
O Mate 90 Pro Max poderá apresentar argumentos impressionantes: Kirin 9050 Pro, ecrã OLED de 6,9 polegadas, baterias próximas dos 7.000 mAh, duas periscópicas e um sensor principal de grandes dimensões.
Mas a grande questão será perceber se tudo isto se traduz numa experiência capaz de rivalizar com os melhores smartphones do mercado.
A Huawei já provou que consegue criar hardware extremamente ambicioso. Agora terá de demonstrar que o HarmonyOS 7, o novo Kirin e o sistema fotográfico conseguem transformar essa ficha técnica numa experiência verdadeiramente competitiva.
E, sobretudo para os mercados fora da China, continuará a existir uma questão difícil de ignorar: o ecossistema de aplicações e a disponibilidade internacional.
A apresentação do Mate 90 deverá responder a muitas dessas perguntas.



