A Huawei decidiu levar a sério a internacionalização do HarmonyOS. Durante a conferência HarmonyOS Ecosystem Conference (HEC) 2026, que decorreu a 28 e 29 de agosto, o vice-presidente e presidente rotativo da empresa, Xu Zhijun, confirmou que a gigante chinesa vai arrancar com programas-piloto do seu sistema operativo em mercados fora da China um movimento que pode finalmente trazer uma terceira opção aos consumidores europeus cansados da dualidade Android-iOS.
Programas-piloto vão testar o terreno
O plano passa por lançar iniciativas-piloto em países e regiões cuidadosamente escolhidos. Só depois de validar o modelo e acumular boas práticas é que a Huawei avançará para uma implementação mais ampla. Xu Zhijun não tem ilusões sobre o desafio: classificou a expansão global do HarmonyOS como “uma maratona sem fim”, mas deixou claro que, se os primeiros passos correrem bem, o sistema ganhará finalmente capacidade para conquistar espaço nos mercados internacionais.
A conferência, que tinha como tema “New Intelligent Connection, New Future”, serviu de palco para a empresa revelar os progressos mais recentes no desenvolvimento tecnológico do sistema, na padronização de software para diferentes dispositivos e nas aplicações práticas em várias indústrias. O objetivo declarado é simples: transformar o HarmonyOS na segunda alternativa global a Android e iOS.

Uma segunda tentativa mais firme
Esta não é a primeira vez que Xu Zhijun fala publicamente sobre levar o HarmonyOS ao resto do mundo. Já durante a Analysts Summit 2024, o executivo tinha partilhado ambições semelhantes, numa altura em que a Huawei ainda trabalhava intensamente para eliminar todas as dependências do Android do seu sistema. A diferença é que, desta vez, a decisão parece definitiva e acompanhada de um calendário concreto de ação.
Na conferência, Xu reforçou que o sucesso desta etapa inicial é determinante: “Baseando-nos na validação do modelo e na acumulação das melhores práticas, pretendemos alcançar o desenvolvimento em escala global do ecossistema HarmonyOS e fornecer ao mundo uma segunda opção.”
Resistência americana já esperada
Não surpreende que os planos da Huawei tenham encontrado oposição do outro lado do Atlântico. Quando a empresa avançou anteriormente com trabalhos para criar um sistema completamente livre de código Android, legisladores norte-americanos pressionaram o governo a bloquear qualquer tentativa de expansão global do HarmonyOS, argumentando riscos para a segurança nacional dos Estados Unidos. Desta vez, porém, a Huawei parece determinada a não recuar e a Europa, com a sua procura crescente por alternativas tecnológicas menos dependentes dos gigantes norte-americanos, pode vir a ser um dos mercados prioritários.
O que significa para os consumidores europeus
Para quem vive na Europa, a chegada oficial do HarmonyOS pode representar uma mudança significativa no panorama dos smartphones e outros dispositivos conectados. Um sistema operativo que já provou funcionar bem no mercado chinês onde a Huawei continua a ter quota considerável traria finalmente uma terceira via tecnológica, fora do domínio da Google e da Apple. Claro que tudo depende do ecossistema de aplicações que a empresa conseguir construir fora da China, mas os programas-piloto anunciados servem precisamente para testar essa viabilidade antes do compromisso total.
Resta saber quais serão os países escolhidos para os primeiros testes e se Portugal entrará nessa lista inicial. O que parece certo é que, pela primeira vez desde o lançamento do HarmonyOS, a Huawei está a avançar com um plano claro e público para sair do mercado doméstico. E isso, por si só, já marca uma viragem estratégica que pode redefinir o mercado de sistemas operativos móveis nos próximos anos.
Via: Huawei Central




