Os óculos inteligentes Meta estão prestes a perder uma das funcionalidades que mais polémica tem gerado desde o seu lançamento. A empresa quer acabar com as gravações secretas e, para isso, vai começar a bloquear automaticamente a capacidade de capturar vídeo quando deteta situações em que o utilizador possa estar a filmar alguém sem o seu consentimento.
A decisão não surge do nada. Estes óculos, que permitem gravar vídeo de forma discreta sem necessidade de apontar um telemóvel ou uma câmara visível , rapidamente se tornaram num problema de privacidade em vários países europeus. Para quem está a ser filmado, é praticamente impossível saber que está a acontecer, ao contrário do que sucede com um smartphone na mão.
Como vai funcionar o bloqueio nos óculos inteligentes Meta
A Meta ainda não detalhou todos os mecanismos técnicos, mas a ideia passa por usar sensores e algoritmos para identificar contextos em que a gravação pode violar a privacidade alheia. Quando o sistema considerar que o utilizador está a tentar gravar outra pessoa de forma não consensual, a função de vídeo será simplesmente desativada sem aviso prévio, sem opção de contornar.
Esta mudança vai afetar tanto os modelos já vendidos como os futuros lançamentos. Quem já tem um par de óculos inteligentes da Meta em casa vai receber a atualização de software que implementa o bloqueio, provavelmente através da aplicação associada aos óculos.

Pressão europeia sobre privacidade e vigilância
A Europa tem vindo a apertar o cerco a dispositivos que facilitam a vigilância encoberta. Várias autoridades de proteção de dados já manifestaram preocupação com os óculos inteligentes, apontando o risco de abuso em espaços públicos, transportes, lojas ou até locais de trabalho.
Portugal, tal como outros países da União Europeia, segue as diretrizes do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que obriga ao consentimento explícito para recolha de imagens ou vídeos de terceiros em muitas situações. A Meta, ao implementar este bloqueio, está claramente a antecipar-se a multas pesadas e a processos legais que poderiam arrastar-se por anos.
Impacto para quem já usa os óculos
Quem comprou estes óculos para gravar momentos do dia a dia uma caminhada, um passeio de bicicleta, uma viagem não vai notar grande diferença, desde que as filmagens sejam feitas em contextos privados ou com pessoas que sabem que estão a ser gravadas. O problema vai surgir para quem tentava usar o dispositivo de forma menos transparente.
A Meta insiste que o objetivo sempre foi criar uma ferramenta para capturar a perspetiva do utilizador, não para espiar os outros. Mas a realidade é que, sem controlos eficazes, a tecnologia presta-se facilmente a abusos. Este bloqueio é, no fundo, uma tentativa de equilibrar inovação com responsabilidade mesmo que chegue tarde para alguns utilizadores e reguladores.
O que muda a partir de agora
A atualização deverá começar a ser distribuída nas próximas semanas, segundo informações divulgadas pela empresa. Não há data exata para Portugal, mas a Meta já confirmou que o rollout será global e incluirá todos os mercados onde os óculos inteligentes estão oficialmente à venda.
Para quem ainda está a ponderar comprar um par, a mensagem é clara: estes óculos vão continuar a gravar vídeo, mas apenas quando e onde for considerado aceitável do ponto de vista da privacidade. Quem procurava uma câmara escondida portátil vai ter de procurar noutra prateleira ou arriscar-se a ficar com um acessório que simplesmente não grava quando mais interessa.
Via: PhoneArena




