Mercado de computadores cai 21% e ficam ainda mais caros

O mercado de computadores caiu 21% no terceiro trimestre de 2026. O aumento dos preços da memória e do armazenamento está a travar a procura.

O mercado mundial de computadores está a atravessar uma fase complicada. As vendas de PCs caíram 21% no terceiro trimestre de 2026, com os custos crescentes dos componentes a pressionarem os preços dos equipamentos e a levarem muitos consumidores a adiar a compra de um novo computador. Nem as principais marcas escaparam à quebra, embora Apple e ASUS tenham conseguido alguns resultados positivos em determinadas métricas.

De acordo com um relatório da Counterpoint Research, foram expedidos cerca de 57 milhões de computadores entre julho e setembro. O resultado representa uma descida significativa face ao mesmo período do ano passado e evidencia as dificuldades que o setor enfrenta num contexto de encarecimento dos componentes e menor procura.

Memória RAM e armazenamento estão a encarecer os computadores

O aumento dos preços dos componentes é apontado como um dos principais motivos para a quebra. A memória DRAM e os chips NAND, utilizados no armazenamento, estão entre os elementos que mais contribuem para a subida dos custos de produção.

Este encarecimento acaba por chegar ao consumidor, tornando os computadores portáteis mais caros e dificultando a decisão de compra. Perante preços mais elevados, muitos utilizadores optam por prolongar a vida útil dos equipamentos que já possuem, adiando a substituição para uma altura mais favorável.

O problema afeta um mercado no qual os consumidores nem sempre precisam de trocar de computador todos os anos. Quando os preços sobem de forma significativa, manter um portátil durante mais tempo torna-se uma alternativa particularmente apelativa, sobretudo para quem utiliza o equipamento em tarefas quotidianas.

Mercado de computadores

Lenovo mantém a liderança, apesar da quebra do mercado

A Lenovo continua a liderar o mercado mundial de computadores. A marca terá expedido aproximadamente 15 milhões de unidades no terceiro trimestre, garantindo uma quota de mercado de 26,3%.

A HP ocupa o segundo lugar, com cerca de 10,3 milhões de computadores expedidos e uma quota de 18,1%. A Dell fecha o pódio, com 7,6 milhões de unidades e 13,3% do mercado.

Apesar das diferenças entre fabricantes, a tendência geral é negativa. A contração da procura e a pressão sobre os custos estão a afetar as principais marcas, num cenário que poderá tornar-se ainda mais difícil nos últimos meses do ano.

Apple e ASUS conseguem resultados positivos em algumas áreas

A Apple destaca-se por ter aumentado a sua quota de mercado para 9,8%, impulsionada pela procura consistente pelo MacBook Neo. A empresa terá expedido cerca de 5,6 milhões de computadores durante o trimestre, embora esse número represente uma quebra de 11% face ao período homólogo.

Ou seja, o aumento da quota de mercado não significa que a Apple tenha escapado à tendência negativa. A marca também vendeu menos unidades do que há um ano, mas terá conseguido uma evolução relativa mais favorável do que vários concorrentes.

A ASUS também surge em destaque. A fabricante alcançou uma quota de mercado de 9,6%, com aproximadamente 5,2 milhões de unidades expedidas. Segundo os dados divulgados, este resultado representa um crescimento de 19,4% face ao segundo trimestre de 2026.

Importa, no entanto, distinguir os períodos de comparação. Enquanto os dados da Apple apontam para uma descida anual de 11%, o crescimento referido para a ASUS diz respeito à comparação com o trimestre anterior. Os dois valores não devem ser interpretados como medidas diretamente equivalentes.

Mercado de computadores poderá continuar a cair até ao final do ano

As perspetivas para o quarto trimestre também não são animadoras. Segundo um analista da Counterpoint Research, a contração do mercado poderá atingir os 27% até ao final de 2026. Para 2027, a previsão aponta para um crescimento praticamente nulo.

Se este cenário se confirmar, os fabricantes terão de enfrentar um período prolongado de dificuldades, marcado por custos elevados e consumidores menos dispostos a investir num novo computador. A evolução dos preços da memória e do armazenamento poderá ser determinante para perceber quando o mercado conseguirá recuperar.

Para quem está a pensar comprar um portátil, a situação merece atenção. Os preços mais elevados podem tornar os modelos atuais menos apelativos, mas adiar uma compra também não garante que os equipamentos fiquem mais baratos nos próximos meses. Tudo dependerá da evolução dos custos de produção e da estratégia comercial de cada fabricante.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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