Meta pode lançar um dispositivo IA para te lembrares de tudo o que dizes

A Meta estará a desenvolver um novo dispositivo com IA capaz de gravar conversas, criar resumos automáticos e funcionar como assistente pessoal durante todo o dia.

A Meta parece determinada a ir muito além dos óculos inteligentes. Uma nova fuga de informação sugere que a empresa liderada por Mark Zuckerberg está a trabalhar num dispositivo de inteligência artificial bastante diferente daquilo que encontramos atualmente no mercado.

O produto em questão seria um pequeno pendente equipado com IA, capaz de acompanhar o utilizador durante todo o dia, ouvir conversas e criar automaticamente resumos das interações realizadas.

Se a ideia parece saída de um filme de ficção científica, a verdade é que poderá tornar-se realidade mais cedo do que muitos imaginam.

Um assistente pessoal sempre presente

As informações foram reveladas pelo The Information e têm origem num alegado memorando interno da empresa.

Segundo o relatório, a Meta está a desenvolver um dispositivo conhecido internamente como um AI Pendant. Trata-se de um pequeno wearable que pode ser usado ao pescoço ou preso à roupa através de uma mola.

A proposta é simples, mas ao mesmo tempo controversa: acompanhar permanentemente o utilizador e utilizar inteligência artificial para compreender o contexto das suas atividades ao longo do dia.

O dispositivo poderá gravar conversas, identificar compromissos importantes, criar notas automáticas e gerar resumos das interações realizadas.

Na prática, funcionaria como uma espécie de memória digital permanente.

Meta

A tecnologia vem da aquisição da Limitless

A ideia não surgiu do nada.

Recentemente, a Meta adquiriu a startup Limitless, conhecida precisamente por desenvolver um pendente inteligente com capacidades semelhantes.

O produto criado pela empresa era capaz de ouvir conversas, armazenar informações relevantes e produzir resumos organizados através de inteligência artificial.

Tudo indica que a Meta pretende aproveitar essa tecnologia para acelerar o desenvolvimento do seu próprio ecossistema de dispositivos inteligentes.

Os óculos inteligentes continuam nos planos

O alegado memorando revela também que a Meta continua a apostar fortemente nos óculos inteligentes.

A empresa estará a preparar vários novos modelos para lançamento até ao final de 2026, reforçando a estratégia iniciada com os populares Ray-Ban Meta Smart Glasses.

Embora os detalhes ainda sejam escassos, a expectativa é que os novos equipamentos integrem funcionalidades de inteligência artificial ainda mais avançadas.

A Meta acredita que os wearables equipados com IA serão uma das próximas grandes plataformas tecnológicas, reduzindo gradualmente a dependência dos smartphones.

Meta

Uma versão para empresas também está a caminho

Outro detalhe interessante é a possibilidade de surgir um novo serviço de subscrição focado no mercado profissional.

Internamente conhecido como Wearables for Work, o projeto pretende transformar estes dispositivos em ferramentas de produtividade para empresas.

Entre as funcionalidades previstas encontram-se transcrição automática de reuniões, criação de notas, resumos inteligentes e integração com plataformas de trabalho colaborativo.

A estratégia faz sentido. Muitos dos benefícios da IA generativa tornam-se particularmente úteis em ambientes empresariais, onde a gestão de informação e reuniões ocupa uma parte significativa do dia.

A privacidade continua a ser a maior preocupação

Apesar do potencial tecnológico, existe um tema inevitável que acompanha este tipo de dispositivos: a privacidade.

Um wearable que passa o dia inteiro a ouvir conversas levanta imediatamente questões sobre recolha de dados, consentimento e utilização da informação captada.

Não é por acaso que vários projetos semelhantes enfrentaram dificuldades para conquistar o público.

Dispositivos equipados com câmaras ou microfones permanentes continuam a gerar desconforto em muitas pessoas, especialmente quando são utilizados em espaços públicos ou ambientes profissionais.

O futuro da IA pode passar pelos wearables

Independentemente das preocupações, a direção da indústria parece cada vez mais clara.

Empresas como a Meta, a Apple, a Google e várias fabricantes chinesas acreditam que os wearables equipados com inteligência artificial poderão tornar-se a próxima grande plataforma tecnológica.

O objetivo é criar dispositivos capazes de compreender o contexto do utilizador em tempo real e fornecer ajuda sem que seja necessário pegar constantemente no smartphone.

Se o Meta AI Pendant chegar efetivamente ao mercado, poderá representar um dos exemplos mais ambiciosos desta visão. A questão é perceber se os utilizadores estarão dispostos a trocar parte da sua privacidade pela promessa de uma memória digital capaz de se lembrar de tudo aquilo que dizem ao longo do dia.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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