Pela primeira vez em Portugal continental, o mosquito da dengue foi identificado numa cidade portuguesa. A deteção do Aedes aegypti aconteceu em Guimarães e marca um momento inédito para as autoridades de saúde nacionais, que até agora só tinham registado a presença desta espécie na Madeira.
O alerta foi lançado após capturas realizadas no âmbito de um programa de vigilância entomológica que monitoriza a entrada e dispersão de espécies invasoras transmissoras de doenças. Quando surgem condições favoráveis temperaturas amenas e água parada em pequenos recipientes , este mosquito multiplica-se rapidamente em ambiente urbano.
O que torna o Aedes aegypti preocupante
Ao contrário de outras espécies de mosquitos presentes em Portugal, o Aedes aegypti tem capacidade para transmitir vários vírus tropicais além da dengue. Zika, febre-amarela e chikungunya fazem parte da lista de doenças associadas a esta espécie, o que explica o nível de atenção das autoridades sanitárias europeias.
A sua presença em território nacional não significa que exista transmissão ativa destas doenças para isso seria necessário que o mosquito picasse uma pessoa infetada e depois transmitisse o vírus a outras pessoas. No entanto, a deteção da espécie obriga a reforçar a vigilância epidemiológica, especialmente em zonas com maior fluxo de viajantes vindos de regiões endémicas.

Como chegou a Guimarães
A origem exata desta população de mosquitos ainda está a ser investigada, mas as hipóteses mais prováveis apontam para transporte acidental através de mercadorias ou bagagens. O comércio internacional de pneus usados e plantas ornamentais tem sido identificado como uma das principais vias de dispersão do Aedes aegypti na Europa, já que ovos da espécie resistem meses sem água e eclodem assim que encontram humidade.
O clima cada vez mais quente no sul da Europa tem facilitado a sobrevivência de espécies que antes não conseguiam estabelecer-se fora das regiões tropicais. Invernos mais suaves permitem que os mosquitos adultos sobrevivam durante todo o ano, em vez de morrerem com as primeiras geadas.
Medidas de prevenção e vigilância
As autoridades de saúde recomendam eliminar todos os focos de água parada em quintais, varandas e espaços exteriores pratos de vasos, pneus velhos, baldes, caleiras entupidas. Basta uma tampa de garrafa com água esquecida para criar um criadouro viável durante a época de reprodução.
Em paralelo, o programa de vigilância entomológica vai intensificar as capturas na região de Guimarães e noutras zonas consideradas de risco, sobretudo junto a portos, aeroportos e centros logísticos. A deteção precoce de novas populações permite atuar rapidamente antes que a espécie se espalhe de forma irreversível.
Contexto europeu
Portugal não é o primeiro país europeu a lidar com a chegada do Aedes aegypti. Espanha, França e Itália já registaram a presença da espécie em anos anteriores, embora com níveis variáveis de estabelecimento permanente. A Madeira enfrentou um surto de dengue há mais de uma década, precisamente devido à presença consolidada deste mosquito no arquipélago.
O mosquito da dengue foi detetado em Guimarães, e reforça a necessidade de coordenação europeia no controlo de vetores e na preparação dos sistemas de saúde para responder a cenários de transmissão autóctone de doenças tropicais. O aquecimento global e a globalização do comércio tornam cada vez mais difícil manter estas espécies fora da Europa.
Via: JN




