NVIDIA RTX Spark quer mudar os PCs Windows, será que consegue?

A NVIDIA revelou a RTX Spark, uma nova plataforma para PCs Windows que combina CPU ARM Grace, GPU Blackwell e até 128GB de memória unificada.

A NVIDIA deixou claro durante a Computex 2026 que as suas ambições vão muito além das placas gráficas. Durante a apresentação liderada por Jensen Huang, a empresa revelou oficialmente a nova plataforma NVIDIA RTX Spark, uma solução que junta uma CPU ARM Grace personalizada, uma GPU baseada na arquitetura Blackwell e até 128GB de memória unificada.

À primeira vista pode parecer apenas mais uma plataforma para portáteis, mas a realidade é bem diferente. A RTX Spark representa uma das maiores tentativas de desafiar o domínio da Intel, AMD e até da Qualcomm no mercado dos PCs Windows.

Uma CPU ARM criada em parceria com a MediaTek

O coração da RTX Spark é uma nova versão do processador Grace desenvolvida em colaboração com a MediaTek.

A configuração inclui 20 núcleos, divididos entre 10 Cortex-X925 de alto desempenho e 10 Cortex-A725 focados na eficiência energética. É uma abordagem muito semelhante à utilizada nos smartphones topo de gama atuais, mas adaptada para equipamentos Windows.

Esta escolha não é surpreendente. O sucesso dos processadores ARM em dispositivos móveis e, mais recentemente, nos computadores da Apple e nos Snapdragon X Elite da Qualcomm, demonstrou que a arquitetura pode oferecer uma excelente combinação entre desempenho e autonomia.

A NVIDIA parece agora querer aplicar a mesma fórmula ao mercado dos PCs premium.

NVIDIA RTX Spark

GPU Blackwell com mais de 6.000 CUDA Cores

Se a CPU já chama a atenção, a componente gráfica é aquilo que realmente diferencia a RTX Spark da maioria das alternativas ARM existentes.

A plataforma integra uma GPU baseada na arquitetura Blackwell equipada com 6.144 CUDA Cores e Tensor Cores de 5ª geração.

Segundo a NVIDIA, o sistema pode atingir até 1 PFLOP de desempenho em tarefas de Inteligência Artificial, um valor impressionante para dispositivos que poderão surgir em formatos ultrafinos.

Embora os números de marketing devam ser sempre analisados com alguma cautela, é evidente que a empresa está a posicionar a RTX Spark como uma plataforma capaz de executar localmente modelos de IA avançados, edição de vídeo, criação de conteúdos e até gaming de elevado nível.

NVIDIA RTX Spark quer mudar os PCs Windows, será que consegue?

Até 128GB de memória unificada

Uma das características mais interessantes da RTX Spark poderá estar precisamente onde muitos utilizadores menos atentos nem sequer olham.

Em vez de separar a memória do sistema da memória gráfica, a NVIDIA optou por utilizar uma arquitetura de memória unificada com até 128GB de LPDDR5X.

Na prática, CPU e GPU podem aceder ao mesmo conjunto de memória sem necessidade de duplicar dados ou realizar transferências constantes entre diferentes blocos de memória.

Para aplicações de Inteligência Artificial, criação de conteúdos e processamento avançado, esta abordagem pode representar ganhos significativos de eficiência.

É também uma estratégia que recorda a adotada pela Apple nos seus processadores da série M.

NVIDIA RTX Spark

O software pode ser a grande vantagem

Historicamente, um dos maiores problemas dos computadores Windows com processadores ARM sempre foi a compatibilidade de software.

A NVIDIA parece determinada a evitar esse problema.

A RTX Spark chega com suporte para praticamente todo o ecossistema RTX da empresa, incluindo CUDA, TensorRT, DLSS, Reflex, Ray Tracing e diversas ferramentas de aceleração para IA.

Isto significa que muitos dos programas e aplicações já utilizados atualmente por criadores de conteúdo, programadores e investigadores poderão funcionar de forma nativa ou otimizada para a nova plataforma.

ASUS, Dell, HP, Lenovo e Surface já estão a bordo

A NVIDIA confirmou que os primeiros equipamentos equipados com RTX Spark serão lançados ainda este ano.

Entre os fabricantes confirmados encontram-se ASUS, Dell, HP, Lenovo, MSI e também a divisão Surface da Microsoft.

Ainda não existem informações sobre preços ou autonomia real, dois fatores que serão decisivos para avaliar o sucesso da plataforma.

No entanto, uma coisa parece cada vez mais evidente. Depois de dominar o mercado das placas gráficas e assumir um papel central na revolução da Inteligência Artificial, a NVIDIA quer agora controlar uma parte muito maior da experiência dos computadores pessoais. Se a RTX Spark cumprir o que promete, a empresa poderá tornar-se um dos nomes mais importantes da próxima geração de PCs Windows.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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