O Redmi K100 foi confirmado com Snapdragon 8 Elite Gen 5 pela fonte Digital Chat Station no Weibo — e com um preço inicial que vai fazer soar alguns alarmes.
Segundo o leak mais completo até à data, o K100 deverá arrancar nos 4.000 yuanes (~585 dólares / ~520 euros) na configuração de 12 GB + 256 GB. O K90, predecessor directo, custava 2.599 yuanes (~360 dólares / ~320 euros) no lançamento. São mais 54% pelo mesmo escalão de configuração.
Aos 4.000 yuanes, o K100 entra em território que estava até agora reservado a dispositivos quase-flagship. A proposta de valor histórica da Redmi — desempenho de topo a preços abaixo do topo — está sob pressão por razões que a marca não controla.
O mesmo chip. Preço muito diferente
O Snapdragon 8 Elite Gen 5 não é uma surpresa. A linha K tem seguido um padrão consistente: o modelo base recebe o chip da geração anterior, o modelo topo recebe o mais recente. O K90 Pro Max chegou com Gen 5. Faz sentido que o K100 padrão herde esse chip enquanto o K100 Ultra — nome ainda por confirmar — avance para o Snapdragon 8 Elite Gen 6.
Para a maioria dos utilizadores, o Gen 5 é mais do que suficiente. A diferença de desempenho entre gerações consecutivas em uso quotidiano é marginal para jogos, fotografia ou produtividade geral. O chip não é o problema. O preço é.

A crise da memória RAM
Um aumento de 54% sem uma actualização de chip exige uma explicação. A resposta está no mercado global de memória RAM.
A procura de DRAM para centros de dados de inteligência artificial consumiu grande parte da capacidade de produção mundial, empurrando os preços do LPDDR5X para cima de forma abrupta no último ano. Vários fabricantes chineses já aumentaram os preços dos seus dispositivos actuais a meio ciclo. O K100 reflecte essa nova realidade dos componentes — não é uma decisão de posicionamento da Redmi, mas uma consequência das condições do mercado que a marca não controla.
O resultado prático é simples: o mesmo dinheiro compra menos telemóvel do que comprava há dois anos. E não há sinais de que esta tendência vá inverter no curto prazo. Para a Redmi, que construiu a sua reputação exactamente no inverso desta equação, é um momento desconfortável.
Hardware que justifica o novo preço
O que o K100 traz de novo é suficiente para não ficar em silêncio perante a subida de preço.
A bateria passa para 8.000 mAh com carregamento rápido a 100W com e sem fios — algo inédito na linha K. A série K90 nem sequer oferecia carregamento sem fios. A certificação dupla IP68/IP69 ao lado de uma bateria desta dimensão é outro salto qualitativo. O K100 é o dispositivo mais protegido e com mais autonomia potencial que a linha alguma vez teve.
O conjunto de câmaras inclui um sensor principal de 200 megapíxeis com telefoto. O ecrã é um painel plano de 6,59 polegadas com resolução 1,5K — Redmi mantém a aposta nos painéis planos, sem curvas nas extremidades, com melhor precisão de toque e compatibilidade com protectores de ecrã standard. A leitora de impressões digitais é ultrassónica 3D, e os altifalantes são duplos e simétricos.
Objectivamente, é a ficha técnica mais premium que a linha K alguma vez teve. O aumento de preço tem hardware para apontar — mesmo que o chip seja o mesmo do modelo anterior.
K100 Ultra com Gen 6 a partir de 5.000 yuanes
O modelo topo da família, que poderá chamar-se K100 Pro Max ou K100 Ultra, recebe o Snapdragon 8 Elite Gen 6 e deverá arrancar nos 5.000 yuanes (~730 dólares / ~650 euros), segundo leaks separados. É o modelo certo para quem quer o chip mais recente — mas a um preço correspondentemente mais elevado.
O lançamento na China está previsto para outubro de 2026. A versão global, sob a marca Poco da série F, deverá seguir no início de 2027.




