Smartphones dobráveis vão crescer 44% até ao final de 2026

A Omdia prevê um crescimento de 44% nas expedições de ecrãs dobráveis em 2026. Os modelos largos deverão representar 44% do mercado.

O mercado dos smartphones dobráveis poderá registar um crescimento expressivo em 2026, com as expedições de ecrãs dobráveis a aumentarem 44% face ao ano anterior. A previsão é da consultora Omdia, que estima o envio de 29 milhões de painéis para este segmento ao longo do ano. Uma das principais tendências será a popularidade crescente dos modelos com formatos mais largos, impulsionados por equipamentos como o Samsung Galaxy Z Fold8 Wide e o aguardado iPhone Duo.

Depois de uma queda de 12% em 2025, o mercado parece preparar-se para recuperar o dinamismo. Ainda assim, importa fazer uma distinção: os números divulgados pela Omdia dizem respeito aos ecrãs interiores dos smartphones dobráveis e não ao número de equipamentos vendidos. Existe um intervalo entre o envio dos componentes para os fabricantes e a chegada dos dispositivos acabados ao mercado, pelo que os dois valores não correspondem necessariamente.

Ecrãs para dobráveis mais largos vão representar 44% do mercado

Uma das conclusões mais interessantes da previsão da Omdia está relacionada com a evolução dos formatos. Segundo a consultora, os ecrãs destinados aos chamados dobráveis largos deverão representar 44% das expedições totais em 2026.

Este formato distingue-se dos modelos tradicionais do tipo livro, que apresentam um ecrã interior mais próximo de um quadrado, e dos equipamentos compactos com abertura vertical, como os modelos da família Galaxy Z Flip. Os dobráveis largos procuram oferecer uma experiência mais próxima da de um smartphone convencional quando estão fechados, sem abdicar de uma superfície de visualização generosa quando são abertos.

A tendência poderá ganhar força com a chegada de novos equipamentos. Entre os modelos apontados como importantes para este segmento estão o Samsung Galaxy Z Fold8 e o iPhone Duo, o primeiro smartphone dobrável da Apple, que continua a despertar interesse antes de uma eventual entrada da marca neste mercado.

Se esta previsão se confirmar, os dobráveis largos poderão conquistar quase metade do mercado de ecrãs para este tipo de equipamentos num único ano. Será uma mudança relevante numa categoria que, durante muito tempo, esteve dividida entre os modelos de formato livro e os dobráveis compactos.

Samsung Display deverá reforçar a liderança

A evolução deste segmento também poderá beneficiar a Samsung Display, responsável pelo fornecimento dos painéis para os modelos mencionados. A Omdia prevê que a empresa alcance uma quota de mercado de 66% nas expedições de ecrãs dobráveis durante 2026.

A restante quota ficará distribuída por fabricantes como a BOE, a China Star, a Tianma e a Visionox, que poderão perder terreno perante o crescimento da Samsung Display.

A presença de equipamentos de grande visibilidade comercial, incluindo os futuros modelos da Samsung e da Apple, poderá ajudar a consolidar esta posição. No caso do iPhone Duo, a eventual entrada da Apple no segmento representa uma oportunidade particularmente relevante para os fornecedores de componentes, devido à capacidade da marca para gerar procura em novas categorias de produtos.

Contudo, a previsão diz respeito às expedições de ecrãs e não permite concluir, por si só, qual será a distribuição final das vendas de smartphones dobráveis entre fabricantes.

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China continua a ser um mercado desafiante

Apesar das perspectivas positivas para o conjunto do mercado, a situação na China permanece menos favorável. Segundo os analistas da Omdia, a procura por smartphones dobráveis está actualmente fraca neste mercado.

Ainda assim, os fabricantes chineses parecem estar cada vez mais interessados nos modelos de formato largo. A Huawei foi pioneira nesta abordagem, mas outras marcas poderão agora apostar com maior intensidade neste tipo de dispositivo, contribuindo para aumentar a concorrência e acelerar a evolução da categoria.

A maior variedade de equipamentos poderá ajudar a tornar os dobráveis largos mais relevantes para diferentes tipos de utilizadores. No entanto, o preço continuará a ser um factor importante, uma vez que estes dispositivos permanecem geralmente posicionados no segmento premium.

Ecrãs LTPO serão a escolha dominante

Outra tendência identificada pela Omdia é o domínio esperado da tecnologia LTPO nos ecrãs dobráveis produzidos em 2026. Apesar de ser mais dispendiosa, permite um controlo mais preciso da taxa de actualização, ajustando-a de acordo com o conteúdo apresentado e as necessidades de utilização.

Esta capacidade pode contribuir para uma experiência visual mais fluida e para uma gestão mais eficiente do consumo energético, dependendo da implementação de cada fabricante.

A alternativa LTPS continua a existir, mas a aposta em painéis LTPO parece fazer sentido num segmento onde os preços são elevados e os fabricantes procuram oferecer características técnicas de topo.

No conjunto, a previsão da Omdia aponta para um ano importante para os smartphones dobráveis. O crescimento estimado de 44% nas expedições de ecrãs, a expansão dos modelos largos e a liderança reforçada da Samsung Display mostram que o mercado continua a evoluir. Resta perceber se este crescimento ao nível dos componentes será acompanhado por uma subida semelhante nas vendas dos equipamentos e se os novos formatos conseguirão conquistar um público mais vasto.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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