
Análise Sony 1000X THE COLLEXION: são mesmo melhores que os XM6?
Testei os Sony 1000X THE COLLEXION e comparei a experiência com os WH-1000XM6. Construção, conforto, som, ANC, autonomia e preço.
Há auscultadores que nos conquistam pelas funcionalidades e há outros que nos conquistam simplesmente pela forma como nos fazem sentir quando os colocamos na cabeça. Os Sony 1000X THE COLLEXION pertencem claramente ao segundo grupo. Depois de vários dias a utilizá-los, fiquei com uma ideia bastante clara, a Sony não quis criar apenas mais uns auscultadores com cancelamento de ruído. Quis pegar na fórmula dos já excelentes WH-1000XM6 e levá-la para um território mais sofisticado, com materiais diferentes, uma construção mais cuidada e uma experiência sonora própria.

E aqui está a questão realmente interessante desta análise, os dois modelos partilham bastante da tecnologia, por isso a pergunta não é simplesmente saber se os THE COLLEXION são melhores. É perceber o que estamos realmente a ganhar quando decidimos pagar consideravelmente mais.

A diferença nota-se assim que os tiramos da caixa
Basta pegar nos Sony 1000X THE COLLEXION para perceber que estamos perante uma proposta diferente. Enquanto os WH-1000XM6 seguem uma filosofia mais funcional, os THE COLLEXION apostam claramente numa imagem mais premium, com metal, materiais semelhantes a pele e acabamentos que transmitem uma sensação de maior exclusividade. Isto não significa que os XM6 tenham uma construção fraca, muito pelo contrário, continuam a ser uns auscultadores muito bem construídos, mas quando passamos para os THE COLLEXION percebemos que a Sony quis subir um degrau. É aquele tipo de produto que não precisa de um enorme logótipo para mostrar que é caro e, pessoalmente, gosto bastante dessa abordagem.

Há, no entanto, uma consequência dessa construção. Os THE COLLEXION pesam cerca de 320 gramas, enquanto os XM6 ficam pelos 254 gramas, e essa diferença é perceptível sobretudo durante utilizações prolongadas. Também não dobram completamente como os XM6, ficando preparados para serem pousados de forma plana. Para quem viaja frequentemente, esta diferença pode ser importante, porque estamos perante uns auscultadores mais luxuosos, mas também menos práticos.
O conforto surpreende apesar do peso
Apesar dos 320 gramas, fiquei bastante satisfeito com o conforto. As almofadas envolvem bem as orelhas, a pressão é equilibrada e a banda superior distribui o peso de forma competente. Durante várias horas de utilização, enquanto trabalhava, ouvia música ou via conteúdos, não senti aquele desconforto que por vezes aparece com auscultadores mais pesados. Naturalmente, o conforto depende bastante da cabeça e das preferências de cada pessoa, mas na minha utilização o peso adicional acabou por ser menos problemático do que inicialmente esperava.

É uma característica importante porque, olhando apenas para a ficha técnica, os 320 gramas podem parecer uma desvantagem muito maior do que realmente são. Na prática, a Sony conseguiu compensar boa parte desse peso com uma construção confortável, embora continue a ser um aspecto a ter em conta, principalmente para quem pretende utilizá-los durante muitas horas seguidas ou transportá-los frequentemente.
O ANC continua excelente, mas não é aqui que está a grande diferença
Quando falamos da família 1000X, há uma característica que esperamos encontrar num nível muito elevado, o cancelamento de ruído. E os THE COLLEXION não desiludem. A tecnologia utilizada é essencialmente a mesma dos WH-1000XM6, incluindo a abordagem de processamento e o conjunto de microfones, pelo que não estamos perante uma revolução neste campo.

Na utilização diária, o resultado continua a ser excelente. No escritório conseguem reduzir bastante o ruído à nossa volta e, em ambientes mais movimentados, criam aquela bolha de silêncio que procuramos num produto deste género. Com um preço na ordem dos 630 euros, seria fácil assumir que estamos a pagar por uma tecnologia de cancelamento completamente diferente. Não estamos. O ANC é muito bom, mas a diferença de preço para os XM6 não está aqui.
É no som que começo a perceber o que os distingue
É precisamente na reprodução sonora que os THE COLLEXION começam a mostrar uma personalidade própria. A diferença para os XM6 não é enorme, nem estamos perante aquela situação em que colocamos os auscultadores na cabeça e sentimos imediatamente que entrámos noutro mundo. É uma evolução mais subtil, que fui percebendo e valorizando à medida que passei mais tempo com eles.
A sonoridade parece-me mais encorpada e suave, com os agudos menos evidentes e uma reprodução particularmente natural nos médios. As conchas mais profundas ajudam também a criar uma sensação de espaço bastante agradável, dando aos instrumentos um pouco mais de separação. Em músicas mais complexas, essa característica torna-se ainda mais evidente, permitindo distinguir melhor os diferentes elementos da gravação. As vozes são um excelente exemplo, com uma apresentação muito natural, enquanto guitarras, piano e instrumentos de fundo conseguem manter a sua identidade sem parecerem todos concentrados no mesmo espaço.

Os XM6 continuam a oferecer um som excelente, mas a Sony deu aos THE COLLEXION uma personalidade diferente. Em vez de procurarem impressionar logo nos primeiros segundos com graves fortes e uma apresentação mais energética, estes auscultadores parecem querer deixar a música respirar. E foi precisamente isso que mais gostei, quanto mais tempo passei a ouvi-los, mais fui apreciando esta abordagem.
A tecnologia é muito semelhante, e isso importa
Aqui é preciso colocar os pés no chão. Os THE COLLEXION partilham grande parte da experiência tecnológica com os WH-1000XM6. A aplicação Sony Sound Connect é a mesma, permitindo controlar o equalizador, o cancelamento de ruído e as restantes opções, e também não encontrei diferenças significativas na qualidade das chamadas. A captação da voz continua a ser competente para chamadas, reuniões e utilização diária.

Existe, no entanto, um pequeno detalhe que gostei bastante. Os THE COLLEXION têm um botão físico dedicado ao processamento espacial e upmix, permitindo activar directamente essa experiência sem ter de entrar na aplicação. Não é uma funcionalidade que queira utilizar permanentemente, porque para grande parte das minhas sessões continuo a preferir o som tradicional, mas em filmes, determinados conteúdos e até alguns jogos pode criar uma experiência mais envolvente. Ter acesso directo através de um botão torna tudo muito mais simples.
A autonomia e a portabilidade são os pontos menos fortes
A autonomia anda na casa das 24 a 26 horas, dependendo da utilização e das funcionalidades activadas. É suficiente para uma utilização normal e permite passar vários dias sem estar constantemente a pensar no carregador, mas quando falamos de uns auscultadores que custam cerca de 630 euros, confesso que esperava um pouco mais.
Não considero a autonomia um problema grave, mas é uma característica que ganha maior importância quando existem alternativas mais acessíveis com números superiores. O mesmo acontece com a portabilidade. O peso de 320 gramas e a menor capacidade de compactação em comparação com os XM6 tornam os THE COLLEXION menos interessantes para quem passa muito tempo a viajar.

Então, o que estamos realmente a pagar?
Esta foi a pergunta que me acompanhou durante toda a utilização. Se compararmos apenas funcionalidades, torna-se difícil justificar a diferença de preço. Os WH-1000XM6 continuam a oferecer um excelente cancelamento de ruído, uma aplicação completa, boa autonomia, conforto e uma qualidade sonora muito elevada. Os THE COLLEXION não aparecem para substituir tudo isso.
A proposta é diferente. Estamos a pagar sobretudo por materiais mais sofisticados, uma construção mais exclusiva e uma apresentação sonora que considero mais madura e natural. É quase como pegar num produto tecnológico muito bom e criar uma versão mais luxuosa do mesmo conceito. A tecnologia continua a ser uma parte importante da experiência, mas deixa de ser o único argumento.

E é precisamente por isso que estes auscultadores não serão necessariamente para todos. Quem procura simplesmente uns excelentes auscultadores wireless com ANC provavelmente encontrará nos XM6 tudo aquilo de que precisa. Quem valoriza também a construção, os materiais, a sensação de exclusividade e uma determinada personalidade sonora poderá encontrar nos THE COLLEXION uma proposta mais interessante.
A minha opinião
Como os Bose QuietComfort Ultra Headphones (2nd Gen) são os auscultadores que uso diariamente, é inevitável fazer esta comparação. Os Bose continuam a conquistar-me sobretudo pelo conforto, pelo excelente cancelamento de ruído e pela autonomia. São muito fáceis de utilizar durante várias horas e acabam por ser aqueles auscultadores que colocamos na cabeça e, passado algum tempo, quase esquecemos que os estamos a usar.

Os THE COLLEXION seguem uma filosofia diferente. São mais pesados e menos práticos para transportar, mas compensam com uma apresentação mais cuidada e uma sonoridade que considero mais natural e detalhada. Depois de utilizar os dois, não vejo os Sony como substitutos dos Bose. Vejo-os como uma alternativa mais luxuosa, especialmente interessante para quem dá mais importância aos materiais, à construção e à forma como a música é apresentada.
E talvez seja precisamente essa a melhor forma de resumir estes THE COLLEXION. Não são simplesmente uns XM6 mais caros, nem uns auscultadores pensados para substituir os Bose. São uma proposta diferente, mais exclusiva, que aposta na experiência e na sensação de termos algo especial nas mãos e na cabeça. E, depois de vários dias com eles, acho que essa diferença se sente.



