O que se temia vai acontecer, Sony vai acabar com jogos físicos na Playstation

A Sony confirmou que deixará de produzir jogos em formato físico para a PlayStation a partir de janeiro de 2028, apostando exclusivamente na distribuição digital.

A indústria dos videojogos prepara-se para assistir a uma das maiores mudanças das últimas décadas. A Sony confirmou que deixará de produzir jogos em formato físico para as futuras consolas PlayStation a partir de janeiro de 2028, passando a disponibilizar todos os novos lançamentos exclusivamente em formato digital.

A medida aplica-se apenas aos títulos lançados depois dessa data. Todos os jogos atualmente disponíveis, bem como aqueles que forem lançados antes de janeiro de 2028, continuarão a existir em disco normalmente.

Segundo a empresa japonesa, esta decisão acompanha a evolução dos hábitos de consumo dos jogadores, que recorrem cada vez mais às compras digitais através da PlayStation Store.

O digital passa a ser a única opção

Com esta mudança, qualquer jogo lançado para as futuras plataformas PlayStation apenas poderá ser adquirido através da PlayStation Store ou em lojas que comercializem códigos digitais.

Para a Sony, esta é uma evolução natural do mercado. Nos últimos anos, a percentagem de utilizadores que compra jogos em formato digital tem aumentado de forma constante, reduzindo significativamente a procura pelos tradicionais discos Blu-ray.

A empresa acredita que este modelo simplifica a distribuição, elimina custos de fabrico e logística e permite disponibilizar os jogos em todo o mundo de forma imediata.

Ainda assim, a decisão representa o fim de uma tradição que acompanha a PlayStation desde a primeira consola, lançada em 1994.

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O que muda para os jogadores?

Na prática, quem comprar uma futura consola PlayStation depois de 2028 deixará de poder adquirir novos jogos em disco.

A única forma de aumentar a biblioteca será através da compra digital, seja diretamente na PlayStation Store ou através de códigos vendidos por lojas parceiras.

Os jogos físicos existentes continuarão naturalmente a funcionar, mas a partir dessa data deixarão de existir novas edições em suporte físico.

Embora muitos jogadores já tenham feito a transição para o digital, existe uma comunidade significativa que continua a preferir possuir uma cópia física dos seus jogos.

O desaparecimento do formato físico preocupa muitos utilizadores

O anúncio voltou a abrir o debate sobre a preservação dos videojogos e o verdadeiro conceito de propriedade digital.

Quando um utilizador compra um jogo em disco, esse jogo pode ser emprestado, revendido ou simplesmente guardado numa coleção durante décadas. Mesmo que a editora deixe de existir ou que os servidores sejam desligados, o disco continua disponível para instalação, desde que exista hardware compatível.

Já nas versões digitais, a realidade é diferente.

O acesso aos jogos depende da existência da loja digital, da conta do utilizador e da infraestrutura online da plataforma. Embora as empresas garantam normalmente o acesso às bibliotecas durante vários anos, não existe qualquer garantia de que isso aconteça para sempre.

É precisamente esta dependência que continua a gerar preocupação entre colecionadores e defensores da preservação dos videojogos.

O que se temia vai acontecer, Sony vai acabar com jogos físicos na Playstation

PlayStation Store da PS3 e PS Vita também tem os dias contados

A reforçar essa preocupação, a Sony confirmou igualmente que irá terminar as compras na PlayStation Store da PlayStation 3 e da PS Vita.

Os jogadores continuarão a poder descarregar os conteúdos já adquiridos “num futuro previsível”, mas deixarão de conseguir comprar novos jogos nessas plataformas.

Este tipo de situações demonstra uma das principais diferenças entre os formatos físico e digital: enquanto um disco continua a existir independentemente das decisões da fabricante, uma loja online pode deixar de funcionar sempre que a empresa assim o entender.

Será este o futuro de toda a indústria?

É difícil imaginar que a Sony seja a única fabricante a seguir este caminho.

A Microsoft já tem vindo a apostar fortemente na distribuição digital através da Xbox Store e do Game Pass, enquanto a Nintendo também aumentou significativamente a importância da eShop nos últimos anos.

Se a adesão dos consumidores continuar a favorecer o digital, é provável que a próxima geração de consolas caminhe praticamente toda nessa direção.

Por outro lado, o desaparecimento do formato físico poderá reduzir a concorrência entre lojas, limitar o mercado de usados e retirar aos consumidores uma das maiores vantagens dos videojogos em consola: a possibilidade de comprar, vender, trocar ou emprestar jogos livremente.

Para muitos jogadores, esta decisão representa uma evolução inevitável. Para outros, poderá marcar o fim definitivo da verdadeira propriedade dos videojogos. O certo é que, a partir de 2028, a PlayStation dará um passo histórico que poderá redefinir para sempre a forma como compramos e preservamos os nossos jogos.

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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