Tensor G6 do Google Pixel 11 Pro decepciona em teste 3DMark filtrado

Tensor G6 do Google em teste 3DMark Wild Life Extreme feito num modelo de demonstração do Pixel 11 Pro mostra o Tensor G6 a ficar 21% atrás do G5 anterior e quase três vezes mais lento que o Snapdragon 8 Elite Gen 5.

O Tensor G6 do Google está a gerar dúvidas antes mesmo do lançamento oficial do Pixel 11 Pro. Um utilizador partilhou no Reddit resultados de um teste 3DMark Wild Life Extreme feito num aparelho de demonstração numa loja e os números ficam longe do que se esperaria de um chip de nova geração.

O modelo testado, equipado com o Tensor G6, alcançou 2653 pontos no benchmark, com uma taxa média de 15,89 frames por segundo. Para contexto: isto representa um recuo de cerca de 21% face ao Tensor G5 da geração anterior, que tinha registado 3214 pontos no mesmo teste. A distância para o topo de gama da Qualcomm é ainda mais expressiva o Snapdragon 8 Elite Gen 5 marcou uma mediana de 7173 pontos, ou seja, quase 2,7 vezes mais que o chip da Google.

Contradição com outro benchmark levanta questões

O que torna este resultado especialmente intrigante é o facto de contrastar com uma fuga anterior de Geekbench Compute, onde a mesma GPU PowerVR CXTP-48-1536 do Tensor G6 tinha mostrado um desempenho cerca de 80% superior ao DXT-48-1536 do G5 em testes de throughput OpenGL. Mesmo nesse cenário mais favorável, porém, o chip da Google continuava muito atrás do Adreno 840 integrado no Snapdragon 8 Elite Gen 5.

Geekbench Compute e 3DMark medem tipos de carga de trabalho diferentes o primeiro foca-se em cálculo paralelo, enquanto o segundo simula cenários de jogo 3D mais exigentes mas ambos apontam para a mesma conclusão: o fosso entre o Tensor G6 e o silício de topo da Qualcomm mantém-se enorme, independentemente do tipo de tarefa gráfica.

Tensor G6 do Google

Condições do teste deixam margem para dúvida

Há um pormenor importante que pode relativizar estes números. O teste foi feito num modelo de demonstração exposto numa loja, não numa unidade de review controlada nem num aparelho de retalho já nas mãos de um utilizador final. Temperatura ambiente, aplicações de loja a correr em segundo plano, throttling térmico por exposição prolongada tudo isto pode ter influenciado o resultado de forma negativa.

Por outras palavras: este é um único ponto de dados não verificado, obtido em condições que estão longe de ser ideais para um benchmark fiável. Até que surjam testes em unidades de retalho, sob condições controladas, é prematuro tirar conclusões definitivas sobre o desempenho real do Tensor G6 em uso quotidiano.

O dilema estratégico da Google com o Tensor

Ainda assim, a fuga não ajuda a dissipar as dúvidas que têm rodeado a estratégia da Google para o Tensor. A empresa tem privilegiado eficiência energética e capacidades de IA em vez de potência gráfica bruta uma aposta que faz sentido para a maioria dos utilizadores, que raramente jogam títulos 3D exigentes no smartphone.

O problema é que, numa gama Pro de topo, a distância para a concorrência em benchmarks gráficos torna-se um argumento de marketing frágil. Quem compara especificações lado a lado antes de escolher um flagship pode hesitar ao ver números tão díspares, mesmo que na prática raramente note a diferença no dia a dia.

A Google terá de encontrar forma de comunicar as vantagens reais do Tensor G6 autonomia, fotografia computacional, funcionalidades de IA on-device sem que a narrativa seja dominada por comparações desfavoráveis em testes sintéticos. Até lá, estas fugas vão continuar a alimentar o debate sobre se a Google deveria ou não ter apostado numa GPU mais convencional, em vez da solução PowerVR que escolheu para esta geração.

Via: Notebookcheck

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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