A inteligência artificial está a reescrever as previsões para a indústria de semicondutores. A TSMC, o maior fabricante de chips do mundo, apresentou hoje uma nova projecção que revê em alta — e de forma significativa — as estimativas anteriores para o mercado global.
Os números
Segundo a TSMC, o mercado global de semicondutores vai ultrapassar os 1,5 biliões de dólares até 2030. Para ter noção da escala da revisão: a previsão anterior apontava para 1,0 bilião. É um aumento de 50% nas expectativas, num espaço de tempo relativamente curto.
A desagregação por segmento é reveladora. A IA e o high-performance computing vão representar 55% desse mercado. Os smartphones, que durante anos foram o principal motor da indústria, ficam nos 20%. O sector automóvel fica nos 10%.
A IA não é apenas um factor de crescimento — é o factor dominante.

O ritmo da mudança
A TSMC prevê que a procura por wafers para aceleradores de IA aumente 11 vezes este ano face a 2022. Quatro anos. É o tempo que a IA levou para passar de curiosidade tecnológica a prioridade estratégica de praticamente todas as grandes empresas do mundo.
Expansão global
A TSMC está a construir nova capacidade de produção a um ritmo acelerado — e não apenas em Taiwan, onde mantém os processos mais avançados.
Nos Estados Unidos, a fábrica no Arizona já produz chips de 4 nm e vai avançar para 3 nm e 2 nm. Uma segunda fábrica está quase concluída e vai receber equipamento ainda este ano. Uma terceira está em construção, uma quarta está planeada, e a empresa estuda a compra de terrenos adicionais para expansões futuras. A produção no Arizona deverá crescer 1,8 vezes este ano, com rendimentos comparáveis às fábricas de Taiwan — um resultado que a própria indústria não esperava tão cedo.
No Japão, a TSMC já opera uma fábrica com processos de 22 nm e 28 nm, adequados para componentes automóveis e de baixo consumo. Uma segunda fábrica japonesa vai iniciar produção em 3 nm.
Na Europa, uma fábrica em Dresden, na Alemanha, está em construção. Vai começar com 28 nm e 22 nm — o que agrada à indústria automóvel alemã — com planos para adicionar capacidade em 16 nm e 12 nm mais tarde.
O que isto significa
A TSMC está, em traços largos, a descentralizar a produção de chips à escala global — em parte por pressão geopolítica, em parte porque a procura simplesmente não para de crescer. A dependência de Taiwan para os chips mais avançados mantém-se, mas o resto do ecossistema está a ganhar geografias novas.
Para o consumidor final, o impacto é indirecto mas real: mais capacidade de produção significa menos estrangulamentos na cadeia de fornecimento e, em teoria, chips mais acessíveis no futuro.




