TSMC prevê mercado global de chips a valer 1,5 mil milhões de dólares em 2030 — e a IA é a razão

A TSMC reviu em alta as suas previsões para o mercado global de chips: 1,5 biliões de dólares até 2030, impulsionados pela procura de IA que representa 55% do total.

A inteligência artificial está a reescrever as previsões para a indústria de semicondutores. A TSMC, o maior fabricante de chips do mundo, apresentou hoje uma nova projecção que revê em alta — e de forma significativa — as estimativas anteriores para o mercado global.

Os números

Segundo a TSMC, o mercado global de semicondutores vai ultrapassar os 1,5 biliões de dólares até 2030. Para ter noção da escala da revisão: a previsão anterior apontava para 1,0 bilião. É um aumento de 50% nas expectativas, num espaço de tempo relativamente curto.

A desagregação por segmento é reveladora. A IA e o high-performance computing vão representar 55% desse mercado. Os smartphones, que durante anos foram o principal motor da indústria, ficam nos 20%. O sector automóvel fica nos 10%.

A IA não é apenas um factor de crescimento — é o factor dominante.

TSMC Chips
Fábrica Arizona TSMC

O ritmo da mudança

A TSMC prevê que a procura por wafers para aceleradores de IA aumente 11 vezes este ano face a 2022. Quatro anos. É o tempo que a IA levou para passar de curiosidade tecnológica a prioridade estratégica de praticamente todas as grandes empresas do mundo.

Expansão global

A TSMC está a construir nova capacidade de produção a um ritmo acelerado — e não apenas em Taiwan, onde mantém os processos mais avançados.

Nos Estados Unidos, a fábrica no Arizona já produz chips de 4 nm e vai avançar para 3 nm e 2 nm. Uma segunda fábrica está quase concluída e vai receber equipamento ainda este ano. Uma terceira está em construção, uma quarta está planeada, e a empresa estuda a compra de terrenos adicionais para expansões futuras. A produção no Arizona deverá crescer 1,8 vezes este ano, com rendimentos comparáveis às fábricas de Taiwan — um resultado que a própria indústria não esperava tão cedo.

No Japão, a TSMC já opera uma fábrica com processos de 22 nm e 28 nm, adequados para componentes automóveis e de baixo consumo. Uma segunda fábrica japonesa vai iniciar produção em 3 nm.

Na Europa, uma fábrica em Dresden, na Alemanha, está em construção. Vai começar com 28 nm e 22 nm — o que agrada à indústria automóvel alemã — com planos para adicionar capacidade em 16 nm e 12 nm mais tarde.

O que isto significa

A TSMC está, em traços largos, a descentralizar a produção de chips à escala global — em parte por pressão geopolítica, em parte porque a procura simplesmente não para de crescer. A dependência de Taiwan para os chips mais avançados mantém-se, mas o resto do ecossistema está a ganhar geografias novas.

Para o consumidor final, o impacto é indirecto mas real: mais capacidade de produção significa menos estrangulamentos na cadeia de fornecimento e, em teoria, chips mais acessíveis no futuro.

🔥 Mais Lidos no CtrlShift

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

Artigos: 2272

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *