A forma como os programadores europeus usam Linux está a mudar de uma maneira que poucos previram há cinco anos. A Canonical, empresa por trás do Ubuntu, acredita que o número de pessoas a correr Ubuntu no Windows 11 através do WSL (Windows Subsystem for Linux) vai ultrapassar as instalações tradicionais de Ubuntu como sistema operativo principal nos próximos tempos.
Jon Seager, vice-presidente de engenharia da Canonical, confirma que a base de utilizadores do WSL tem crescido a um ritmo acelerado. Se esta tendência se mantiver e tudo indica que sim , em breve haverá mais gente a trabalhar com Ubuntu dentro do Windows do que em máquinas dedicadas exclusivamente ao sistema de Linus Torvalds.
Porque é que o WSL ganhou tanto terreno
Não estamos a falar de Windows a destronar Linux no mercado geral, mas sim de uma comparação específica: instalações de Ubuntu como sistema primário versus instalações através do WSL. A diferença é crucial para perceber o fenómeno.
Quando a Microsoft lançou o WSL, a ideia era simples: permitir que quem programa pudesse aceder a ferramentas Linux sem sair do ambiente Windows. O que começou como uma funcionalidade de nicho transformou-se numa peça central do ecossistema de desenvolvimento em Windows 11.
Para muitos programadores que recebem um portátil Windows da empresa onde trabalham, a escolha tornou-se óbvia. Em vez de configurarem dual boot ou substituírem completamente o sistema operativo arriscando problemas de compatibilidade ou suporte , instalam Ubuntu através do WSL em minutos e ficam com o melhor dos dois mundos.

Áreas como inteligência artificial mudaram tudo
Quem trabalha em machine learning ou inteligência artificial sente isto de forma particularmente aguda. As bibliotecas, frameworks e pipelines de treino de modelos foram pensados para Linux, mas o hardware e o software de gestão empresarial continuam muitas vezes presos ao Windows.
Ter Ubuntu a correr nativamente dentro do Windows 11, sem virtualização pesada nem configurações complicadas, resolve um problema real para milhares de profissionais na Europa. É a diferença entre perder meio dia a configurar um ambiente de trabalho ou começar a programar logo pela manhã.
Microsoft investiu a sério nas melhorias do WSL
Ao longo de 2026, a Microsoft lançou melhorias significativas no desempenho de ficheiros, na configuração de rede e nos processos de instalação do WSL. Estas actualizações tornaram o ambiente muito mais robusto para cargas de trabalho exigentes, algo que antes era um ponto fraco claro.
A empresa também introduziu os WSL Containers, uma funcionalidade que permite criar e executar contentores Linux directamente dentro do Windows. Para quem desenvolve aplicações cloud-native ou microserviços, isto elimina mais uma barreira que antes obrigava a saltar entre sistemas operativos.

O que isto diz sobre o futuro do desktop Linux
Os números da Canonical levantam uma questão interessante: será que a facilidade do WSL vai acabar por reduzir a adopção de Linux como sistema principal em computadores pessoais? Ou, pelo contrário, está a criar uma geração de programadores mais familiarizados com ferramentas Linux, que depois farão a transição completa quando tiverem liberdade de escolha?
Não há resposta definitiva ainda, mas uma coisa é certa: a ideia de que tens de escolher entre Windows ou Linux está cada vez mais ultrapassada. Para muita gente, especialmente quem programa, a resposta tornou-se “os dois, ao mesmo tempo”.
Esta evolução nos hábitos de trabalho reflete-se em toda a Europa, onde empresas de tecnologia continuam a fornecer equipamento Windows por razões de gestão e segurança, mas as equipas técnicas precisam de flexibilidade para usar as ferramentas que funcionam melhor. O WSL oferece exactamente esse equilíbrio, e os dados da Canonical mostram que a procura por essa solução híbrida não dá sinais de abrandar.
Via: ShiftDelete




