Há carros que nos conquistam pela potência, outros pelo conforto, pela tecnologia ou simplesmente pelo prazer de condução. E depois há aqueles que, depois de alguns dias ao volante, nos fazem pensar sobretudo numa coisa: quanto é que me custa andar com isto todos os dias?
O Dacia Sandero Stepway Eco-G 120 é claramente um desses carros. Não é uma proposta que procure impressionar pela sofisticação ou pelo prazer de condução, mas há uma característica que, neste momento, ganha um peso enorme: funciona a gasolina e GPL. E quando olhamos para os preços actuais dos combustíveis, percebemos rapidamente que esta solução bifuel pode representar uma poupança muito interessante para quem faz muitos quilómetros.
A unidade que conduzi corresponde ao Sandero Stepway Extreme Eco-G 120 auto, com 120 cv, motor 1.2 de três cilindros e caixa automática de seis velocidades. O preço desta configuração é de 23.107 euros.

Um carro simples, mas já não básico
O primeiro contacto com o Sandero Stepway continua a transmitir aquela sensação que é característica da Dacia: tudo é bastante simples. Não há uma tentativa de transformar o habitáculo numa montra tecnológica e, sinceramente, acho que isso acaba por jogar a seu favor.
A posição de condução é elevada, temos boa visibilidade e o carro é extremamente fácil de colocar na estrada. A versão Extreme já oferece um nível de equipamento interessante, com bancos em tecido, jantes de 16 polegadas, painel de instrumentos digital de 7 polegadas, ar condicionado automático e vários sistemas de assistência à condução.

Continuo a gostar particularmente da utilização de comandos físicos para funções como a climatização. Parece um detalhe, mas quando passamos vários dias com um carro percebemos rapidamente que não precisamos de menus para tudo.
Também o espaço está dentro do esperado para um modelo desta dimensão. O Sandero Stepway tem 4,10 metros de comprimento e uma bagageira que vai dos 221 aos 1152 litros, consoante a posição dos bancos traseiros. É, por isso, suficientemente versátil para uma utilização familiar sem se tornar complicado de estacionar ou manobrar na cidade.
E depois há a posição elevada e os 160 mm de altura ao solo, que são particularmente úteis nas nossas cidades, onde uma lomba ou um piso mais degradado fazem parte do percurso diário.

Ao volante, é mais confortável do que divertido
Não vale a pena procurar aqui um automóvel desportivo. O Stepway não foi feito para isso e percebe-se logo nos primeiros quilómetros. A direcção é leve, a suspensão privilegia o conforto e a carroçaria mais alta não convida a entrar depressa nas curvas.
Mas há uma coisa que o carro faz muito bem: torna a condução diária fácil.
Em cidade, o conjunto motor/caixa funciona particularmente bem. A caixa automática de seis velocidades tira-nos grande parte do trabalho e combina muito bem com o carácter descontraído do Stepway. No trânsito, nos arranques e nas sucessivas paragens e acelerações de uma utilização urbana, o carro revela-se bastante agradável.
Os 120 cv também fazem diferença. Não estamos perante um carro rápido, mas já temos potência suficiente para que o Sandero não pareça limitado quando saímos da cidade. Em estrada nacional, permite manter um ritmo perfeitamente normal e fazer ultrapassagens sem grandes preocupações, embora seja necessário antecipar um pouco mais as manobras quando queremos uma resposta mais rápida.
Em auto-estrada, consegue manter velocidades de cruzeiro sem dificuldade, mas percebe-se que não estamos perante um carro pensado para andar depressa. Quando carregamos mais no acelerador, o motor de três cilindros faz-se ouvir, mas em condução normal acaba por passar para segundo plano.
A suspensão merece também uma palavra positiva. Com 160 mm de altura ao solo, o Stepway lida bem com estradas degradadas, lombas e aqueles pisos urbanos que tantas vezes obrigam a levantar o pé. Não tem o comportamento mais preciso do segmento, mas transmite conforto e segurança suficientes para aquilo que se espera dele.

É aqui que o GPL muda tudo
Mas vamos ao ponto mais importante deste ensaio.
No anterior ensaio ao Dacia Jogger, utilizámos como referência um preço de 0,98 euros por litro para o GPL e 2,187 euros por litro para a gasolina 95. É precisamente com estes valores que vale a pena olhar para o Sandero Stepway, porque são eles que permitem perceber o verdadeiro potencial desta solução.
A Dacia indica para o Sandero Eco-G 120 um consumo combinado WLTP de 7,2 l/100 km em GPL, enquanto a gasolina fica nos 5,8 l/100 km.
Mas, tal como acontece com qualquer automóvel, prefiro olhar para aquilo que podemos esperar numa utilização real. E, usando como referência os 8 a 9 l/100 km em GPL que utilizámos, as contas ficam muito interessantes.

A 0,98 euros por litro, fazer 100 km com um consumo de 8 litros significa gastar 7,84 euros. Com 9 litros, gastamos 8,82 euros.
Agora vamos fazer exactamente a mesma conta com gasolina. Aos 2,187 euros por litro, 8 litros representam 17,50 euros. Com 9 litros, chegamos a 19,68 euros.
A diferença é enorme.
Estamos a poupar entre 9,66 e 10,86 euros por cada 100 km, dependendo do consumo.
Aos 1.000 km, são aproximadamente 97 a 109 euros de diferença. Aos 10.000 km, a poupança pode chegar aos 1.086 euros. Para quem percorre 20.000 km por ano, estamos a falar de mais de 2.100 euros.
E é precisamente aqui que começo a olhar para o Sandero Stepway de uma maneira diferente. O GPL deixa de ser apenas uma alternativa de combustível e passa a ser uma das principais razões para escolher este carro.
Não é preciso andar devagar para poupar
Uma das coisas que mais gosto no GPL é precisamente o facto de a poupança não exigir uma alteração radical na forma como conduzimos.
Não precisamos de transformar cada viagem numa competição para conseguir o menor consumo possível. Podemos conduzir normalmente, utilizar os 120 cv quando precisamos deles e continuar a beneficiar de uma diferença muito significativa no preço do combustível.
Claro que uma condução suave vai sempre ajudar. Mas mesmo admitindo 9 l/100 km, um valor perfeitamente possível numa utilização que inclua cidade e estrada, continuamos a falar de menos de 9 euros para percorrer 100 km com o GPL a 0,98 euros.
Também gosto da simplicidade da solução bifuel. O carro gere automaticamente a utilização dos combustíveis e, quando o GPL termina, passa a utilizar gasolina. Temos dois depósitos de 50 litros e uma grande liberdade para fazer quilómetros sem estar constantemente a pensar onde vamos abastecer.
Não há carregamentos, não é necessário planear uma viagem em função de postos de carregamento e não existe ansiedade relacionada com autonomia. É simplesmente abastecer e continuar.

O preço de compra já não é o de um Dacia de entrada
Há, naturalmente, um ponto que não podemos ignorar: este já não é o Dacia barato que muitos têm na cabeça.
A gama Sandero começa nos 14.200 euros e o Sandero Eco-G 120 parte dos 16.150 euros na versão Expression. A unidade que conduzi, com acabamento Extreme e caixa automática, custa 23.107 euros.
É uma diferença considerável, mas também é preciso olhar para aquilo que recebemos. Esta unidade tem uma configuração bastante mais completa, caixa automática e um equipamento que torna a utilização diária mais agradável. Por isso, não me parece correcto comparar directamente o preço desta versão com o de um Sandero de entrada.
A questão mais interessante é outra: quanto conseguimos recuperar através dos quilómetros que fazemos?
E aqui o GPL volta a entrar na equação.
Para quem faz poucos quilómetros por ano, talvez a diferença não seja tão importante. Mas para quem utiliza o carro diariamente e percorre 15, 20 ou 25 mil quilómetros por ano, a história é completamente diferente. A poupança de combustível começa a ter um peso real no custo total de utilização.

Um carro racional que sabe exactamente o que quer ser
Depois de vários quilómetros ao volante, a minha conclusão é bastante simples. O Sandero Stepway Eco-G 120 não é um carro que tente ser tudo para todos.
É confortável, fácil de conduzir, suficientemente espaçoso, tem equipamento adequado e os 120 cv chegam para uma utilização normal. A caixa automática acrescenta ainda uma dose importante de conforto no dia a dia.
Mas o grande argumento está por baixo de tudo isto: o custo por quilómetro.
Num momento em que abastecer gasolina por mais de dois euros por litro já é uma realidade perfeitamente normal, conseguir circular com GPL por menos de metade do preço torna-se uma vantagem difícil de ignorar.
O Sandero Stepway Eco-G 120 não me deixa com vontade de procurar uma estrada de curvas para descobrir até onde vai o seu chassis. Não é esse o objectivo. O que me deixa é com a sensação de que, se tivesse de fazer muitos quilómetros todos os meses, este seria um daqueles carros que poderia utilizar sem estar constantemente preocupado com a factura do combustível.

E actualmente isso vale muito.
Porque no final de contas, mais importante do que ter 200 ou 300 cv, um enorme ecrã ou uma lista interminável de equipamento é saber quanto nos custa chegar ao destino.
E nesse aspecto, com GPL a 0,98 euros por litro e gasolina a 2,187 euros, o Dacia Sandero Stepway Eco-G 120 tem um argumento difícil de contrariar: pode não ser o carro mais emocionante do mercado, mas é um dos que melhor consegue transformar combustível barato em quilómetros.




