Há automóveis que chegam ao mercado com a missão de cumprir uma função. E depois há aqueles que procuram fazer algo mais: criar uma ligação emocional com quem os conduz. O Renault 5 E-Tech pertence claramente ao segundo grupo.
Já tínhamos tido oportunidade de o conduzir aquando do seu lançamento em Portugal e, desde esse primeiro contacto, ficou a sensação de que a Renault tinha conseguido recuperar muito mais do que um nome histórico. Agora voltámos ao volante, mas numa configuração muito especial: o Renault 5 E-Tech Roland-Garros, a edição especial que assume o topo da gama.
E este segundo contacto serviu para confirmar algo importante: o Renault 5 não é apenas um exercício de nostalgia bem conseguido. É um automóvel moderno, competente e, sobretudo, genuinamente divertido de conduzir.

Um Renault 5 que não passa despercebido
Comecemos pelo mais óbvio. O Renault 5 E-Tech é um daqueles automóveis que consegue chamar a atenção sem precisar de dimensões exageradas. A linguagem estética recupera elementos do Renault 5 original, mas interpreta-os de uma forma moderna, criando uma identidade própria.
Na versão Roland-Garros, essa personalidade é ainda mais evidente. A unidade que conduzimos apresenta-se em Branco Nacarado com tejadilho preto estrela, conjugação que resulta particularmente bem com as jantes de liga leve de 18 polegadas Electro, com corte diamantado preto.
A decoração nas portas dianteiras, inspirada na arquitetura do estádio de Roland-Garros, é outro dos elementos diferenciadores. Há ainda vários detalhes específicos no tejadilho e no interior que ajudam a justificar o estatuto de edição especial.
E resulta.
O Renault 5 é um daqueles carros que parece ter sido desenhado para despertar emoções. As proporções compactas, os volumes e os grupos óticos dão-lhe uma presença muito própria e fazem com que seja um modelo que apetece observar. E, principalmente, conduzir.

Um interior tecnológico e cheio de personalidade
Se o exterior joga muito com a imagem do Renault 5, o interior faz a transição para uma abordagem bastante mais tecnológica.
À frente encontramos um painel de instrumentos digital de 10 polegadas e, ao centro, o sistema openR link com ecrã de 10,1 polegadas, navegação Google e sistema de som Arkamys Classic com seis altifalantes. Há ainda replicação de smartphone e carregamento sem fios.

Mas é novamente a edição Roland-Garros que dá o toque diferenciador.
Os bancos recorrem a estofos mistos reciclados em cinzento, com padrão gráfico, complementados por tecido azul refinado. A inspiração vem do vestuário técnico utilizado no mundo do desporto, criando um ambiente bastante original. O logótipo Roland-Garros surge nos encostos dos bancos dianteiros e encontramos outras referências à edição nas soleiras das portas e no tablier.
Até a ponta da alavanca e-pop foi pensada para esta versão, inspirando-se no punho de uma raquete de ténis.
São pequenos pormenores, mas ajudam a transformar esta versão numa verdadeira edição especial.

150 cv que combinam muito bem com o Renault 5
É quando começamos a conduzir que o Renault 5 mostra uma das suas maiores qualidades.
A versão Roland-Garros utiliza a configuração mais potente da gama, com 150 cv e 245 Nm de binário, associados a uma bateria de 52 kWh.
Os números não são propriamente impressionantes no contexto atual dos elétricos, mas a forma como são entregues faz toda a diferença.
O Renault 5 responde imediatamente ao acelerador e a potência disponível combina muito bem com as dimensões do carro. Os 8 segundos dos 0 aos 100 km/h são suficientes para garantir prestações interessantes, mas é na forma como o carro se comporta em estrada que encontramos a verdadeira razão para gostar dele.

Pequeno, ágil e muito divertido
Esta foi talvez a principal confirmação que trouxemos deste segundo contacto com o Renault 5 E-Tech.
É um carro divertido.
E isso é cada vez menos comum num automóvel elétrico orientado para utilização diária. Muitos modelos conseguem ser rápidos, eficientes e confortáveis, mas nem sempre conseguem transmitir aquela sensação de que estamos realmente envolvidos na condução.

O Renault 5 consegue.
A plataforma AmpR Small utiliza uma configuração traseira com suspensão multilink, uma solução que contribui para o comportamento dinâmico e para a agilidade que encontramos ao volante.
O carro muda de direção com facilidade, é suficientemente compacto para as estradas mais apertadas e tem uma resposta que nos convida a explorar as curvas.
Não estamos perante um hot hatch, nem essa é a intenção. Mas existe uma relação muito interessante entre o tamanho do carro, a potência disponível e a forma como o chassis lida com tudo isto.
É fácil ganhar velocidade, mas também é fácil manter o carro controlado. E, sobretudo, é fácil sorrir ao volante.

Um elétrico para o dia a dia
Naturalmente, o Renault 5 não pode viver apenas da diversão. Tem de ser igualmente capaz de cumprir a rotina diária.
Aqui, a versão Roland-Garros apresenta bons argumentos. A bateria de 52 kWh permite uma autonomia homologada de 409 km WLTP na configuração que conduzimos, com um consumo combinado anunciado de 15,1 kWh/100 km. Em utilização urbana, a autonomia homologada pode chegar aos 572 km.
São valores que tornam o Renault 5 perfeitamente utilizável como automóvel principal para quem faz sobretudo cidade e periferia, mas que também permitem pensar em viagens mais longas.
O carregamento está igualmente bem resolvido, com carregador AC de 11 kW e carregamento DC até 100 kW. A presença de uma bomba de calor é outro ponto positivo para a utilização diária.

Tecnologia e equipamento
Outro ponto forte desta versão é o equipamento.
Temos regulador de velocidade adaptativo, estacionamento mãos-livres, assistência à manutenção na faixa de rodagem, câmara de marcha-atrás e vários sistemas de segurança e assistência à condução.
A isto juntam-se Renault Multi-Sense, bancos dianteiros aquecidos, volante aquecido, ar condicionado automático e sensores de chuva e luminosidade.
Ou seja, por baixo do design inspirado no passado existe um produto perfeitamente atual e equipado de acordo com aquilo que esperamos de um automóvel moderno.

Compacto, mas funcional
Com 3,92 metros de comprimento, o Renault 5 mantém dimensões muito interessantes para a cidade. Tem cinco portas e cinco lugares, embora os lugares traseiros sejam naturalmente mais indicados para utilizações ocasionais.

A bagageira oferece 277 litros, podendo chegar aos 959 litros com os bancos rebatidos.
É um compromisso adequado para um automóvel desta dimensão. O Renault 5 não pretende ser um familiar, mas oferece espaço suficiente para a utilização quotidiana e para uma escapadinha de fim de semana.
E o preço?
A edição Roland-Garros posiciona-se no topo da gama. A versão começa nos 36.740 euros, enquanto a unidade específica que conduzimos tinha um preço de 39.478,59 euros, devido à configuração e equipamento.
É dinheiro, naturalmente. Mas também estamos perante a versão mais potente, com bateria de 52 kWh e uma lista de equipamento bastante completa.
E há ainda algo que não aparece numa folha de especificações: o fator emocional.
O Renault 5 é daqueles carros que nos fazem olhar para trás depois de estacionar. Que despertam comentários. Que tornam uma deslocação banal um pouco mais interessante.

Veredito
Quando conduzimos o Renault 5 E-Tech pela primeira vez, aquando do seu lançamento em Portugal, ficámos com a sensação de que a Renault tinha acertado na fórmula.
Agora, ao voltar ao volante, e precisamente numa versão como a Roland-Garros, essa convicção sai ainda mais reforçada.
O Renault 5 E-Tech elétrico é especial porque não tenta ser apenas racional. É eficiente, tecnológico, competente e suficientemente versátil para o dia a dia, mas também consegue ser genuinamente divertido.

A versão Roland-Garros acrescenta uma imagem ainda mais distinta, um interior cuidado e uma série de detalhes que fazem sentido dentro do conceito desta edição especial.
Num mercado onde os elétricos são muitas vezes apresentados através de números autonomia, potência, carregamento ou consumo o Renault 5 consegue lembrar-nos de que um carro também deve provocar emoções.
Depois de dois contactos com o modelo, a conclusão é simples: a Renault não se limitou a ressuscitar um nome histórico. Criou um pequeno elétrico com personalidade própria, capaz de ser racional durante a semana e divertido quando aparece uma estrada mais interessante.
O Renault 5 E-Tech é, sem dúvida, uma aposta ganha. E nesta versão Roland-Garros, é também uma das propostas mais especiais da atual gama elétrica da Renault.




