A Apple poderá estar finalmente a dar os primeiros passos para reduzir a sua enorme dependência da TSMC.
Segundo novas informações avançadas por Ming-Chi Kuo, a Apple já começou a testar produção de chips Apple Silicon nas fábricas da Intel, utilizando o processo Intel 18A-P.
E honestamente, isto pode acabar por ser uma mudança estratégica gigantesca para toda a indústria tecnológica.
A Apple quer reduzir dependência da TSMC
Durante anos, a TSMC tornou-se praticamente sinónimo de Apple Silicon.
Os chips A-series dos iPhone, os M-series dos Macs e praticamente toda a estratégia de performance da Apple dependem fortemente da capacidade de produção da gigante taiwanesa.
O problema é que essa dependência tornou-se demasiado grande.
Especialmente numa altura em que tens:
- tensões geopolíticas crescentes em torno de Taiwan
- procura absurda por semicondutores
- limitações de capacidade de produção
- competição direta com empresas como NVIDIA, AMD e Qualcomm
Por isso, faz bastante sentido que a Apple esteja a procurar alternativas.

A Intel pode voltar finalmente ao jogo
O mais curioso aqui é que durante muito tempo a Intel parecia completamente perdida na corrida do fabrico avançado de chips.
A TSMC e a Samsung ultrapassaram claramente a Intel em processos de fabrico modernos.
Mas nos últimos anos, a Intel começou uma recuperação agressiva através da estratégia Intel Foundry.
E sinceramente, conseguir atrair testes da Apple seria uma vitória simbólica brutal.
Porque se existe uma empresa extremamente obcecada com eficiência, performance e controlo de qualidade, é precisamente a Apple.
Os chips não serão os mais avançados… para já
Segundo Kuo, a Apple não está ainda a transferir os seus chips principais mais avançados para a Intel.
Os testes atuais envolvem chips mais simples e antigos, usados em:
- iPhones
- iPads
- Macs
Cerca de 80% destes componentes serão destinados ao iPhone.
Ou seja, estamos provavelmente a falar de chips secundários, controladores, componentes auxiliares ou versões menos críticas do Apple Silicon.
Ainda assim, isto já representa um passo importante.
Produção nos EUA também interessa politicamente
Outro detalhe importante: estes chips serão produzidos nos Estados Unidos.
E isso encaixa perfeitamente na estratégia atual da Apple e do governo americano.
Os EUA estão a investir milhares de milhões para tentar recuperar parte da produção avançada de semicondutores e reduzir dependência asiática.
A Intel é peça central dessa estratégia.
E a Apple envolver-se neste movimento acaba também por ter um peso político relevante.
Especialmente numa altura em que Washington quer garantir maior segurança na cadeia de produção tecnológica.

A TSMC continua completamente dominante
Importa também manter perspetiva.
Mesmo com estes testes, a TSMC deverá continuar responsável por cerca de 90% da produção de chips Apple Silicon.
Ou seja, ninguém está a substituir a TSMC tão cedo.
Aliás, honestamente, seria praticamente impossível neste momento.
A TSMC continua claramente na liderança mundial em processos avançados de fabrico.
Mas o facto da Apple estar sequer a testar produção com Intel já mostra algo importante: a empresa quer alternativas.
Nem que seja apenas como seguro estratégico para o futuro.
2027 pode ser o verdadeiro teste
Segundo Kuo, 2026 será essencialmente um ano de testes em pequena escala.
A produção mais séria deverá começar entre 2027 e 2028, antes de eventualmente reduzir novamente em 2029 dependendo dos resultados.
Ao mesmo tempo, a Apple estará também a avaliar processos ainda mais avançados da Intel.
E sinceramente, isto pode ser um dos temas mais importantes da indústria semicondutora nos próximos anos.
Porque se a Intel conseguir convencer a Apple, então pode convencer praticamente qualquer empresa.




