
Ensaio Dacia Duster Eco-G 120: o GPL faz mesmo coçar a cabeça a fazer contas
Testámos o Dacia Duster Eco-G 120 Extreme automático e analisámos o consumo, condução e poupança do GPL face à gasolina.
Há carros que se destacam pelo design, outros pela tecnologia, pelo desempenho ou pelo conforto. E depois há carros que nos obrigam a olhar para aquilo que realmente importa quando chega o momento de pagar as contas.
O Dacia Duster Eco-G 120 Extreme pertence claramente a esta última categoria.
Depois de ter passado pelo Dacia Sandero Stepway Eco-G 120 e pelo Dacia Jogger Eco-G 120, volto a encontrar a mesma fórmula que, numa altura em que os combustíveis continuam caros, me parece cada vez mais inteligente: um automóvel que funciona a gasolina e GPL, sem complicações, permitindo escolher a forma mais económica de fazer quilómetros.
Neste caso, temos ainda um ingrediente adicional. O Dacia Duster é maior, mais espaçoso, tem uma posição de condução elevada e apresenta-se como um SUV familiar bastante mais completo. E nesta versão temos também a caixa automática de seis velocidades.
A unidade que conduzi é o Dacia Duster Extreme Eco-G 120, com motor 1.2 de três cilindros, 120 cv, 200 Nm de binário e tração dianteira. De acordo com a configuração fornecida pela Dacia, esta unidade tinha um preço de 27.857 euros. A gama Duster Eco-G automática começa nos 25.050 euros.
E é precisamente no GPL que está, para mim, a grande história deste Duster.

O verdadeiro argumento está no GPL
Já escrevi isto nos ensaios ao Sandero Stepway e ao Jogger, mas vale a pena repetir: o GPL deixou de ser apenas uma alternativa curiosa à gasolina.
Com os preços actuais dos combustíveis, pode ser uma das razões mais importantes para escolher um automóvel.
No ensaio ao Sandero Stepway Eco-G 120 utilizei como referência 0,98 euros por litro para o GPL e 2,187 euros por litro para a gasolina 95, os mesmos valores que tinha utilizado anteriormente no Jogger.
É uma diferença brutal. E atenção os valores não são os de agora, mas os de há semanas atrás!
E quando temos um automóvel que pode utilizar os dois combustíveis, a vantagem torna-se particularmente interessante.

No Duster, tivemos um consumo de 6,5 l/100 km a gasolina e 7,5 l/100 km em GPL. O depósito de gasolina tem 50 litros e o depósito de GPL também tem 50 litros.
Fazendo as contas com aqueles preços de referência, 100 quilómetros a GPL representam cerca de 7,35 euros.
Se fizermos exactamente a mesma conta com a gasolina e o consumo de 6,5 l/100 km, chegamos aos 14,21 euros por cada 100 quilómetros.
Ou seja, mesmo considerando o maior consumo volumétrico do GPL, a diferença é de aproximadamente 6,86 euros por cada 100 quilómetros.
Aos 1.000 quilómetros são cerca de 68.6 euros.
Aos 10.000 quilómetros, estamos a falar de aproximadamente 686 euros.
E aos 20.000 quilómetros anuais, a diferença pode ultrapassar os 1.300 euros.
É aqui que começo a perceber verdadeiramente o sentido deste Duster.
Não é apenas um SUV relativamente acessível. É um SUV que pode ser utilizado diariamente sem que a factura do combustível pese tanto na carteira.

O Duster leva a fórmula mais longe
O interessante é que esta solução não obriga a abdicar de nada que seja fundamental.
Continuamos a ter um automóvel convencional, com motor de combustão, caixa automática e uma utilização absolutamente normal.
Não existe qualquer preocupação com carregamentos, autonomia eléctrica ou necessidade de procurar postos específicos para recarregar uma bateria.
Se temos GPL, utilizamos GPL.
Se não temos, utilizamos gasolina.
E quando o GPL termina, o automóvel pode continuar a viagem utilizando gasolina.
É uma simplicidade que continuo a apreciar bastante.
Aliás, depois dos ensaios ao Sandero Stepway e ao Jogger, esta tornou-se uma das características que mais valorizo nos Dacia Eco-G. A tecnologia está lá, mas não nos obriga a mudar os nossos hábitos.
O Duster apenas acrescenta espaço, robustez e uma posição de condução mais elevada à fórmula.

Um SUV com espaço para uma família
É também aqui que o Duster começa a justificar a diferença de preço face a modelos mais pequenos da marca.
Com 4,343 metros de comprimento, 1,921 metros de largura e uma distância entre eixos de 2,657 metros, estamos perante um SUV compacto que consegue oferecer uma utilização familiar bastante interessante. A altura ao solo é de 209 mm, o que ajuda também quando encontramos estradas mais degradadas ou simplesmente queremos lidar melhor com lombas e acessos menos cuidados.
Mas aquilo que mais interessa no dia a dia é o espaço disponível.

A bagageira oferece 594 litros, podendo chegar aos 1.696 litros com os bancos traseiros rebatidos.
É uma capacidade que coloca o Duster numa posição muito interessante para quem precisa de transportar malas, compras, equipamentos ou simplesmente quer um automóvel familiar sem passar directamente para um SUV de maiores dimensões.
E há algo que continua a caracterizar os Dacia: a sensação de que cada elemento foi pensado para ser útil.
Não existe uma obsessão por criar uma experiência excessivamente sofisticada. O Duster quer ser um carro fácil de utilizar.

Extreme: mais equipamento, sem perder a simplicidade
A versão Extreme acrescenta também um conjunto de equipamentos que tornam o Duster bastante mais interessante.
A unidade ensaiada inclui jantes de liga leve de 18 polegadas, estofos TEP MicroCloud, barras de tejadilho modulares e a cor Caqui Lichen.
Mas é sobretudo nos packs opcionais que esta unidade fica mais completa.
O Pack Parking acrescenta alerta de ângulo morto, sensores de estacionamento dianteiros, traseiros e laterais e câmara Multiview. Já o Pack Techno inclui travão de estacionamento eléctrico, o novo Media Nav Live com informação de trânsito em tempo real, sistema de som 3D Arkamys com seis altifalantes, carregamento sem fios para o smartphone e regulador de velocidade adaptativo.
Há ainda o Pack Heat, com bancos dianteiros aquecidos e volante aquecido.
Ou seja, apesar de continuarmos a falar de um Dacia, esta unidade está bastante longe da imagem de um automóvel básico que muitos ainda associam à marca.

120 cv chegam perfeitamente
O motor Eco-G 120 utiliza três cilindros e 1.199 cm³, desenvolvendo 120 cv e 200 Nm de binário. A transmissão é automática de seis velocidades e a tracção é 4×2.
Não estamos perante um Duster pensado para oferecer prestações desportivas, mas também não é isso que lhe devemos pedir.
O 0-100 km/h é cumprido em 9,4 segundos e a velocidade máxima anunciada é de 180 km/h.
São números perfeitamente adequados para a utilização que se espera deste SUV.
Mais importante do que procurar prestações impressionantes é perceber como o conjunto funciona no quotidiano. E aqui a caixa automática acaba por ser uma grande vantagem.
Em cidade, reduz o esforço de condução e torna o Duster particularmente fácil de utilizar. Nas deslocações diárias, nos engarrafamentos e nas sucessivas paragens e arranques, é uma solução que faz sentido.
E, quando saímos da cidade, os 120 cv dão ao Duster capacidade suficiente para manter um ritmo normal em estrada e auto-estrada.
Não é um carro que nos peça para andar depressa. É um carro que nos permite chegar ao destino sem complicações.

Um Dacia que faz muito sentido
Depois de experimentar o Duster Eco-G 120, fico com uma conclusão semelhante à que tive com o Sandero Stepway e o Jogger: o Bi-Fuel é provavelmente uma das características mais inteligentes que a Dacia oferece actualmente.
Não porque seja uma tecnologia revolucionária.
Precisamente pelo contrário.
É simples.
É prática.
E funciona.

Num mercado onde a gasolina pode facilmente ultrapassar os dois euros por litro, conseguir abastecer GPL por cerca de metade desse valor muda completamente a perspectiva sobre o custo de utilização de um automóvel.
E no Duster essa vantagem combina com aquilo que o modelo já oferece: espaço, boa altura ao solo, uma posição de condução elevada, uma bagageira generosa, equipamento suficiente e agora também uma caixa automática que torna a utilização diária mais confortável.
Não é o SUV que compra quem procura luxo.
Não é o SUV que compra quem procura prestações desportivas.
É o SUV que faz sentido para quem olha para o automóvel como uma ferramenta para a vida real.
E talvez seja precisamente essa a maior qualidade do Duster.

Num momento em que os automóveis estão cada vez mais caros, mais complexos e mais tecnológicos, a Dacia continua a apostar numa ideia bastante simples: dar-nos aquilo de que realmente precisamos e permitir que gastemos o mínimo possível para o utilizar.
No caso deste Duster Eco-G 120 Extreme automático, existe ainda uma razão muito forte para escolher esta fórmula.
O GPL.
Porque no final do mês, quando fazemos as contas aos quilómetros percorridos, a diferença deixa de ser uma característica técnica numa ficha.
Passa a ser dinheiro que fica na nossa carteira.
E isso, nos dias que correm, vale muito.



