Futuro de Need For Speed está mais incerto do que nunca

A Criterion concentra-se agora exclusivamente em Battlefield, deixando no ar dúvidas sobre o próximo capítulo da mítica franchise de corridas de rua, Need for Speed que existe desde 1994.

Quem cresceu a acelerar pelas ruas de Rockport num BMW M3 GTR (E46) icónico ou a personalizar carros ao pormenor em Underground 2 pode ter razões para se preocupar. A franchise Need For Speed, que existe desde 1994 e já produziu 25 jogos mainline ao longo de mais de três décadas, enfrenta agora um dos momentos de maior indefinição da sua história.

Criterion Vira Costas às Corridas de Rua

A bomba foi largada por Rebecka Coutaz, VP e GM da Battlefield Studios Europe, em declarações à IGN. Segundo Coutaz, a Criterion está “solely focused on Battlefield” — ou seja, totalmente dedicada ao shooter militar em primeira pessoa da Electronic Arts, que compete diretamente com franchises como Call of Duty. Esta mudança de prioridades deixa no ar uma questão óbvia: quem vai desenvolver o próximo Need For Speed?

A Criterion não é um estúdio qualquer na história da franchise. O seu primeiro trabalho na série foi Hot Pursuit, lançado em 2010, e o mais recente foi Unbound, que chegou ao mercado em 2022 com uma identidade visual arrojada, inspirada em graffiti e repleta de efeitos que a distinguiam de tudo o resto. Foram anos de compromisso com a cultura de street-racing, perseguições policiais intensas e customização detalhada — tudo aquilo que tornou lendários títulos como Most Wanted, de 2005, ou Underground 2, de 2004.

Futuro de Need For Speed está mais incerto do que nunca

E Agora, Quem Pega no Volante?

Com a Criterion aparentemente afastada do desenvolvimento de um novo jogo mainline de Need For Speed no futuro próximo, a Electronic Arts, proprietária da franchise, tem basicamente duas opções: deixar a série em pausa ou entregar o projeto a outro estúdio. Se optar pela segunda via, isso pode significar uma nova direção criativa — com resultados que tanto podem ser brilhantes como desastrosos, dependendo de quem assumir o comando.

O problema é que o panorama de jogos de corrida com as características que tornaram Need For Speed popular — mundo aberto, cultura de rua, customização profunda, perseguições policiais de tirar o fôlego — é relativamente limitado. A maior parte dos títulos de corrida atuais aposta na condução simulada em pista, como iRacing, Gran Turismo ou Assetto Corsa Competizione. Há também abordagens completamente diferentes, como Mario Kart ou Rocket League, este último um jogo de futebol vehicular que, curiosamente, até tem carros licenciados como o Ferrari 296 GTB.

Alternativas ao Estilo Fast & Furious

Para quem procura experiências semelhantes ao espírito de Need For Speed, as opções não abundam. Burnout Paradise, também desenvolvido pela Criterion, continua a ser uma referência de arcade racer em mundo aberto. Há ainda Clutch, um título em preparação que promete ressuscitar parte dessa adrenalina. E claro, os fãs mais nostálgicos recordam Midnight Club como uma alternativa clássica que marcou a sua época.

Mas nenhum destes jogos conseguiu realmente ocupar o trono que Need For Speed construiu ao longo de mais de 30 anos. A verdade é que poucos títulos combinam o equilíbrio certo entre personalização, narrativa urbana e ação frenética que a série da EA aperfeiçoou em jogos como Most Wanted ou Underground.

Futuro de Need For Speed está mais incerto do que nunca

Um Legado em Risco

A incerteza sobre o futuro da franchise deixa muitas perguntas sem resposta. Será que a Electronic Arts vai arriscar entregar uma das suas séries mais valiosas a um estúdio sem experiência no género? Ou prefere esperar até que a Criterion termine o seu compromisso com Battlefield e regresse às corridas ilegais? E, talvez mais importante ainda: haverá mercado suficiente para justificar o investimento num novo Need For Speed, numa altura em que os jogos de corrida arcade parecem cada vez mais nichos?

O que sabemos é que, neste momento, o futuro de Need For Speed está mais incerto do que nunca. E para quem passou centenas de horas a fugir da polícia, a afinar motores e a dominar as ruas virtuais desde 1994, isso é motivo de preocupação genuína. Resta esperar que a Electronic Arts não deixe morrer uma das franchises que definiu um género inteiro — e que marcou a adolescência de milhões de jogadores por esse mundo fora.

Via: Autoblog

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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