Atenção! Certificação IP68 ou IP69 não garante proteção total contra água

As certificações IP68 e IP69 dos smartphones são testadas apenas em condições laboratoriais com água doce. A proteção degrada-se com o tempo e não cobre água salgada ou clorada.

A ideia de que um telemóvel com certificação IP68 ou IP69 está completamente protegido contra água é um dos equívocos mais comuns entre quem compra equipamentos novos. Apesar das promessas das marcas e dos selos impressionantes, a realidade esconde detalhes importantes que podem deixar o teu dispositivo em maus lençóis.

O problema começa logo nos testes oficiais que determinam estas classificações. São feitos em laboratório, sempre com água doce e em condições muito específicas. Uma ida à praia ou um mergulho na piscina ficam fora do âmbito destes testes — e os resultados podem ser desastrosos.

O que significam realmente os números da certificação IP

A sigla IP (Índice de Proteção Internacional) vem seguida de dois algarismos. O primeiro mede a resistência a partículas sólidas como pó, enquanto o segundo avalia a proteção contra líquidos. Se um dos testes não foi realizado, aparece um X no lugar do número.

Quando vês um equipamento classificado como IPX8, sabes que resiste a submersão prolongada, mas não foi testado contra poeira. Os níveis de proteção contra água dividem-se assim: os primeiros quatro garantem apenas resistência a gotas e salpicos em vários ângulos; os níveis cinco e seis cobrem jatos de água com diferentes pressões; o nível sete aguenta imersão temporária até um metro durante meia hora; o oito suporta profundidades maiores por períodos mais longos; e o nove protege contra jatos de alta pressão e temperatura elevada.

Porque é que a certificação IP68 perde eficácia com o tempo

O grande problema está no facto de a classificação valer apenas quando o aparelho sai da fábrica. À semelhança das baterias que perdem capacidade, as vedações de borracha e as colas impermeáveis degradam-se progressivamente. Anos de uso fazem com que estes materiais sequem, fiquem quebradiços e percam a capacidade de vedar os componentes internos.

As próprias fabricantes são claras quanto a isto, embora escondam a informação nas letras pequenas. A Apple explica nos documentos de suporte que a resistência à água dos modelos com certificação IP68 ou IP67 (testados segundo a norma IEC 60529) não é permanente e pode diminuir com o desgaste normal. Mais importante ainda: os danos provocados por líquidos não estão cobertos pela garantia.

A Samsung segue a mesma linha. Num aviso semelhante, a marca coreana confirma que a resistência à água se degrada ao longo do tempo devido ao desgaste, danos ou utilização inadequada.

certificação IP68

Água salgada e cloro são inimigos ocultos

Mesmo que o teu telemóvel seja novo e a vedação esteja intacta, mergulhá-lo na água do mar ou numa piscina com cloro é jogar à sorte. Os testes laboratoriais usam exclusivamente água doce, sem aditivos químicos. O sal e o cloro corroem as vedações e aceleram a entrada de humidade nos circuitos internos de forma que os testes oficiais nunca contemplaram.

Levar o smartphone para a praia ou para a piscina confiando apenas na etiqueta IP68 ou IP69 é um risco que não vale a pena correr. Estas certificações devem ser vistas como uma rede de segurança para acidentes — uma queda no lavatório, uma chuvada súbita — e não como carta branca para usar o equipamento debaixo de água.

Como interpretar as classificações IP67, IP68 e IP69

Estes são os três níveis mais comuns no mercado atual. Todos garantem proteção total contra poeira (o primeiro algarismo é sempre 6), mas diferem na resistência à água. O IP67 suporta imersão temporária até um metro de profundidade durante trinta minutos. O IP68 aguenta profundidades superiores a um metro por períodos mais longos, embora cada marca defina os valores exatos. Já o IP69 destaca-se por resistir a jatos de água de alta pressão e temperatura elevada, mas isso não significa que seja melhor para submersão prolongada.

Nenhum destes índices deve ser interpretado como autorização para usar o telemóvel debaixo de água de forma regular. A certificação é uma salvaguarda de emergência, não uma funcionalidade de uso diário.

Via: ruggedt

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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