Mercado de smartphones sofre queda histórica e Xiaomi perde quase um terço das vendas

O mercado mundial de smartphones caiu 20% no terceiro trimestre de 2026. Samsung lidera, Apple mantém-se estável e Xiaomi perde 29%.

O mercado mundial de smartphones está a atravessar um período particularmente difícil. Segundo um novo relatório da consultora Omdia, as expedições globais de telemóveis caíram 20% no terceiro trimestre de 2026, face ao mesmo período do ano passado. Entre julho e setembro, os fabricantes enviaram para os canais de distribuição um total de 254,7 milhões de unidades, o valor mais baixo registado num terceiro trimestre desde 2013.

A principal explicação apontada para esta quebra é o aumento dos preços dos smartphones, num contexto em que os fabricantes enfrentam custos mais elevados e dificuldades no acesso a componentes. A situação está a obrigar as marcas a rever estratégias, concentrando recursos nos mercados mais rentáveis e nos produtos com maior potencial comercial.

Samsung continua líder, mas Apple aproxima-se

Apesar da contração do mercado, a Samsung manteve a primeira posição mundial, com 57,8 milhões de smartphones expedidos. Ainda assim, a marca sul coreana registou uma descida de 5% em comparação com o terceiro trimestre de 2025.

A Apple ficou muito perto da rival, com 56,5 milhões de iPhones expedidos. Ao contrário da Samsung, a empresa manteve os valores do período homólogo, demonstrando maior estabilidade num mercado em queda acentuada. A diferença entre as duas fabricantes foi de apenas 1,3 milhões de unidades.

A Xiaomi ocupou o terceiro lugar, com 30,7 milhões de unidades, mas sofreu uma quebra de 29%. O resultado coloca a fabricante chinesa entre as marcas mais afetadas pela atual situação do mercado.

OPPO e vivo registam as maiores quedas

A quarta posição pertenceu à OPPO, que expediu 23,4 milhões de smartphones, menos 39% do que no terceiro trimestre do ano passado. Foi a maior quebra entre as cinco principais fabricantes.

A vivo fechou o grupo das cinco maiores marcas, com 19,3 milhões de unidades expedidas e uma descida anual de 33%.

Os números mostram que a pressão não está limitada a uma única fabricante. Com exceção da estabilidade da Apple, todas as marcas presentes no top cinco registaram perdas, embora com diferenças significativas na dimensão da quebra.

Smartphones mais caros podem agravar a situação em 2027

A subida dos custos dos componentes está a levar os fabricantes a tomar decisões para proteger as margens de lucro. Entre as medidas identificadas pela Omdia estão a revisão das configurações de memória RAM e armazenamento, a redução do número de modelos disponíveis e uma maior concentração nos produtos considerados estratégicos.

Estas decisões poderão ter consequências para os consumidores, sobretudo se os aumentos de custos continuarem a refletir-se nos preços finais. Os modelos mais acessíveis poderão sentir uma pressão particular, uma vez que existe menos margem para absorver despesas adicionais sem comprometer a rentabilidade.

A Omdia prevê que as expedições globais de smartphones recuem mais 12% em 2026, antecipando também uma nova queda em 2027, embora a um ritmo mais lento.

Se estas previsões se confirmarem, o setor poderá enfrentar um período prolongado de ajustamento. Para os consumidores, isso poderá significar menos opções em algumas gamas de preço e equipamentos mais caros. Para as marcas, o desafio será conseguir vender num mercado cada vez mais pressionado pelos custos e por uma procura menos dinâmica.

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Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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