A Motorola anda a explorar um território pouco batido no mundo dos dispositivos vestíveis. Uma patente recentemente descoberta mostra um aparelho com ecrã flexível que serve tanto de smartwatch como de telemóvel, consoante a forma como é usado. A ideia passa por resolver o dilema de quem quer acesso constante a informação no pulso mas não abre mão de um ecrã maior quando precisa.
A patente foi encontrada pelo site Burnplate e pelo leaker @xleaks7, e descreve um dispositivo que se curva à volta do pulso com o ecrã virado para fora quando está em modo relógio. Ímanes mantêm as duas extremidades unidas e permitem ajustar o tamanho da “pulseira” a diferentes utilizadores. Tiras o aparelho do pulso, esticas, e tens um telemóvel. Se quiseres um formato ainda mais próximo de um smartphone tradicional, as duas metades podem ser separadas e recolocadas lado a lado.

O problema que isto tenta resolver
Não é difícil perceber a lógica. Os dobráveis atuais, como a recente série Razr 70 da própria Motorola, ocupam menos espaço quando fechados, mas continuam a exigir um bolso. Os smartwatches dão-te acesso permanente sem tirar nada do bolso, mas o ecrã é minúsculo e a experiência de usar apps fica sempre limitada. Este conceito híbrido pretende juntar o melhor dos dois mundos num só aparelho, sem obrigar a andar com dois dispositivos separados no dia a dia.
O dispositivo funcionaria como um relógio normal durante a maior parte do tempo notificações, chamadas rápidas, controlo de música, o costume. Quando precisas de responder a um e-mail comprido ou ver um mapa com mais detalhe, desdobras e passas a ter um ecrã de smartphone nas mãos. A flexibilidade do ecrã é o que permite esta dupla utilização, e os ímanes servem tanto para fixar o aparelho ao pulso como para ajustar o diâmetro.
Os obstáculos práticos são óbvios
Dito isto, pôr a ideia em prática levanta desafios complicados. Com a tecnologia disponível hoje, um dispositivo destes seria provavelmente espesso e pesado demais para usar confortavelmente como relógio o dia inteiro. O ecrã composto por vários painéis também corre o risco de ser menos durável ou agradável ao toque do que um dobrável tradicional com um único ecrã contínuo.
As patentes servem sobretudo para mostrar o que as empresas andam a estudar internamente, não planos de lançamento confirmados. Nada garante que a Motorola vá avançar com este produto, nem quando isso poderia acontecer caso avance. O historial da marca mostra interesse em formatos reconfiguráveis já tinha registado conceitos anteriores que exploravam ecrãs que se dobram e enrolam de várias maneiras.

Mais que um gadget de nicho
Este registo de patente não aparece do nada. A Motorola tem vindo a apostar em ecrãs flexíveis há vários anos, e este híbrido de smartwatch e smartphone é mais uma iteração dessa aposta. A diferença é que desta vez o foco está em integrar o dispositivo na rotina diária de forma mais orgânica, em vez de simplesmente fazer um telemóvel que dobra.
Enquanto projeto de investigação, mostra que a empresa continua a pensar em como os dispositivos pessoais podem encaixar de formas novas no quotidiano. Se vai resultar num produto real é outra história mas a ideia de não teres de escolher entre ter um smartwatch ou um telemóvel, podendo ter os dois no mesmo aparelho, é suficientemente apelativa para merecer atenção. Resta saber se a tecnologia vai conseguir acompanhar a ambição do conceito.
Via: GizmoChina




