UE aprova constelação IRIS² com 348 satélites, lançamento em 2029

A Comissão Europeia finalizou os planos para o IRIS², a alternativa europeia ao Starlink. A constelação terá 348 satélites e começa a operar em 2029, com foco em serviços de defesa e emergência.

A Comissão Europeia acabou de dar luz verde ao IRIS², o serviço de banda larga por satélite que a União Europeia quer ter sob controlo próprio. O projeto já tem design detalhado, acordos assinados com fabricantes europeus e com a Agência Espacial Europeia (ESA), e uma data de lançamento marcada para 2029.

O que torna este passo especialmente relevante é o facto de a constelação ter crescido: em vez do número inicial de satélites planeado, o projeto vai incluir mais 66 unidades, elevando o total para 348 satélites. A ESA justifica o aumento como essencial para reforçar as capacidades da rede em áreas críticas defesa, segurança e resposta a emergências ganham músculo com esta expansão.

Mais satélites, mas com missão diferente do Starlink

Comparar os 348 satélites do IRIS² com os mais de 10 mil que a Starlink da SpaceX já tem em órbita baixa pode parecer esmagador. A diferença está no propósito: enquanto o Starlink nasceu para servir utilizadores finais pessoas e empresas que pagam pelo acesso direto à internet , a rede europeia foi desenhada para outro tipo de cliente.

O IRIS² vai servir, em primeiro lugar, os estados-membros da União Europeia e parceiros como a Noruega e a Islândia. A ideia é garantir comunicações seguras e fiáveis para operações críticas: vigilância de fronteiras, missões humanitárias, coordenação de respostas a catástrofes naturais. Tudo o que exige autonomia tecnológica e proteção contra interferências.

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Quando é que chega ao terreno (e ao cidadão comum)?

Os primeiros satélites sobem em 2029, e os serviços devem arrancar dentro do mesmo ano. O calendário está definido, os fabricantes têm preços-alvo estabelecidos para cada satélite, e os operadores privados já sabem quanto investimento terão de colocar na mesa tudo isto ficou fechado nos acordos assinados pela Comissão.

Apesar de a prioridade estar nos clientes governamentais e institucionais, a rede não vai ficar vedada para sempre ao cidadão comum. Numa fase posterior, empresas e particulares poderão aceder ao IRIS² em zonas onde as redes tradicionais falham ou simplesmente não existem. Ilhas remotas, regiões montanhosas, áreas rurais afastadas todos os cenários onde a fibra ótica e as redes móveis não conseguem chegar com a mesma qualidade.

Infraestrutura terrestre e coordenação com a ESA

O plano não se limita aos satélites. A Comissão incluiu no pacote o desenvolvimento da infraestrutura de solo necessária para gerir a constelação e os serviços de lançamento que vão colocar as unidades em órbita. A ESA entra como parceiro técnico fundamental, trazendo experiência em missões espaciais e coordenação entre os vários fabricantes europeus envolvidos.

O acordo assinado em janeiro deste ano serviu de ponto de partida para as negociações que agora culminam neste arranque oficial. A Europa quer ter controlo sobre a sua própria infraestrutura de comunicações por satélite, reduzindo dependências externas em áreas sensíveis como defesa e segurança.

Uma aposta na soberania tecnológica europeia

O IRIS² insere-se numa estratégia mais ampla da União Europeia para garantir autonomia tecnológica em setores estratégicos. Ter uma constelação de satélites própria significa não depender de fornecedores de fora do bloco quando há uma crise, uma catástrofe natural ou uma operação militar que exige comunicações encriptadas e protegidas.

A dimensão da rede pode ser modesta quando comparada com gigantes comerciais, mas o foco está na resiliência e na segurança, não no volume de utilizadores. O facto de a constelação ter crescido 66 satélites acima do previsto mostra que a UE está a levar a sério o desafio de criar uma infraestrutura robusta, capaz de responder a cenários exigentes.

Com o lançamento marcado para 2029 e os acordos já fechados, o IRIS² deixa de ser um projeto no papel e passa a ser uma aposta concreta. A Europa quer estar preparada para operar de forma autónoma no espaço e está a colocar 348 satélites em órbita para o provar.

Via: GSMArena

Bruno Xarope
Bruno Xarope

Bruno Xarope escreve sobre tecnologia, smartphones, mobilidade elétrica e inovação no CtrlShift.pt. Acompanha diariamente as novidades do setor e testa regularmente novos equipamentos, partilhando análises, opiniões e primeiras impressões.

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