A confiança dos portugueses na capacidade do Governo para regulamentar a inteligência artificial continua longe de ser consensual. De acordo com um novo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), apenas 44% dos portugueses acreditam que o Estado será capaz de criar regras eficazes para garantir uma utilização responsável das novas tecnologias.
Apesar de Portugal surgir ligeiramente acima da média da OCDE, os resultados mostram um país dividido quanto ao papel das instituições públicas na gestão dos desafios colocados pela inteligência artificial.
Menos de metade acredita numa regulação eficaz
Segundo o relatório, 44% dos portugueses consideram provável que o Governo consiga regulamentar adequadamente tecnologias como a inteligência artificial.
Por outro lado, cerca de 30% dos inquiridos mostram-se pouco confiantes nessa capacidade, enquanto 20% adotam uma posição neutra.
No conjunto dos países da OCDE, a média situa-se nos 42%, colocando Portugal ligeiramente acima desse valor.
Entre os países com maior confiança destacam-se a Finlândia, a Chéquia, os Países Baixos e a Coreia do Sul, onde mais de metade da população acredita que os respetivos governos conseguirão acompanhar a evolução tecnológica com uma regulamentação eficaz.
No extremo oposto surgem países como a Letónia, Estónia, Chile, Colômbia, Irlanda e Grécia, onde os níveis de confiança permanecem significativamente mais baixos.

A confiança vai além da inteligência artificial
A OCDE conclui que a forma como os cidadãos encaram a inteligência artificial está fortemente relacionada com a confiança geral nas instituições públicas.
As pessoas que acreditam que os governos conseguem responder a desafios complexos, como as alterações climáticas, promover a cooperação entre empresas e trabalhadores ou tomar decisões equilibradas para diferentes gerações, tendem também a olhar para a IA com maior otimismo.
Segundo a organização, esta ligação demonstra que a confiança na inteligência artificial não depende apenas das regras específicas para esta tecnologia, mas da perceção global sobre a capacidade do Estado para resolver problemas de longo prazo.
Gestão dos dados pessoais continua a ser decisiva
Outro dos fatores analisados foi a forma como os cidadãos avaliam a utilização dos seus dados pessoais pelas entidades públicas.
Em Portugal, apenas 44% dos inquiridos acreditam que os organismos do Estado utilizam os dados pessoais exclusivamente para fins legítimos.
Na média da OCDE, esse valor sobe para 52%, enquanto a Finlândia lidera este indicador com 79% de confiança.
Segundo a organização, esta questão assume uma importância crescente porque os sistemas de inteligência artificial dependem da recolha e análise de grandes volumes de informação.
Sem mecanismos sólidos de proteção da privacidade, segurança informática e governação dos dados, será difícil conquistar a confiança dos cidadãos.
IA exige confiança e transparência
Para a OCDE, o sucesso da inteligência artificial na Administração Pública dependerá tanto da evolução tecnológica como da capacidade dos governos para garantir transparência, proteção dos dados e regras claras para a utilização destas ferramentas.
À medida que a IA ganha um papel cada vez mais relevante em serviços públicos e privados, reforçar a confiança dos cidadãos poderá revelar-se tão importante como o próprio desenvolvimento tecnológico.




