Fomos até Madrid, mais concretamente ao circuito de Jarama, a convite da Citroën Racing, para um dia de corridas na Formula E. Para mim, foi a primeira experiência ao vivo nesta competição relativamente recente, que arrancou em 2014/2015, e a verdade é que saí de lá com sentimentos mistos… mas maioritariamente positivos.
Se há coisa que não impressiona na Formula E, é o som. Quem está habituado a motores de combustão vai sentir sempre que falta qualquer coisa. Mas tirando isso, tudo o resto compensa. E compensa bastante. O ambiente, a proximidade à ação, a intensidade da corrida… tudo contribui para uma experiência diferente, mais próxima e, em muitos momentos, mais emocionante do que aquilo que estamos habituados a ver noutras competições.
Nem tudo foi perfeito, claro. A forma como chegámos ao circuito deixou um pouco a desejar e, sinceramente, a zona de acreditação parecia algo improvisada demais para um evento com selo FIA. São detalhes que não estragam o dia, mas que ficam na memória.
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23 voltas… e não houve uma aborrecida
Se há algo que me surpreendeu verdadeiramente foi o ritmo da corrida. Foram 23 voltas, e não houve uma única volta parada. Quando digo que foram todas intensas, é mesmo todas. Ultrapassagens constantes, disputas roda com roda e aquela sensação de que tudo pode mudar até ao último momento.
É inevitável fazer comparações com a Fórmula 1, e embora sejam mundos completamente diferentes, a verdade é que aqui a ação é muito mais constante. Não há grandes períodos mortos e isso faz toda a diferença para quem está a ver ao vivo.
Félix da Costa vence… e dá espetáculo até ao fim
E depois há o melhor de tudo. No meio de uma corrida já de si intensa, quem acaba por sair por cima é um português. António Félix da Costa venceu o E-Prix de Madrid 2026, num final absolutamente emocionante, com ultrapassagens na última volta e uma gestão de corrida que mostrou bem a sua experiência.
A vitória foi ainda mais especial porque veio acompanhada de uma dobradinha da Jaguar, com Mitch Evans a terminar em segundo. No entanto, nem tudo foi pacífico dentro da equipa, com ordens de equipa a gerar alguma tensão durante a corrida. Ainda assim, o resultado final ficou fechado com Félix da Costa no topo, seguido de Evans, enquanto Pascal Wehrlein garantiu o terceiro lugar para a Porsche.

Uma corrida cheia de história… até para quem não ganhou
Para além do pódio, houve vários momentos que marcaram a corrida. O pole position acabou por não conseguir converter a vantagem em vitória, num daqueles cenários que mostram bem como a Formula E pode ser imprevisível.
Pilotos como Dan Ticktum e Edoardo Mortara também estiveram em destaque, fechando o top 5 e contribuindo para uma corrida sempre animada. No fundo, não foi apenas uma vitória isolada, foi uma corrida cheia de momentos que justificam o porquê de esta competição estar a crescer.
Uma experiência que vale mesmo a pena
No final do dia, saio desta experiência com uma opinião clara. A Formula E pode não ter o som ou o “drama mecânico” de outras competições, mas compensa com proximidade, intensidade e uma abordagem diferente ao desporto automóvel.
E há também algo interessante aqui. Esta não é apenas uma competição de corridas. É também um laboratório tecnológico, algo que ficou bem evidente nas conversas que tivemos durante o fim de semana, especialmente com marcas como a Citroën e a própria DS. Muito do que vemos na pista acaba, mais cedo ou mais tarde, por chegar aos carros que vemos na estrada.

Um fim de semana que não foi só sobre corridas
Este E-Prix de Madrid acabou por ser mais do que uma simples corrida. Foi uma experiência completa, com contacto direto com equipas, marcas e uma visão mais próxima daquilo que é hoje o desporto automóvel elétrico. E no meio disso tudo, há um detalhe que fica: fomos convidados pelos franceses, mas quem brilhou foi um português, em terras espanholas!
E isso… sabe sempre melhor!
Ps: Gostávamos muito de uma prova da Formula E em Portugal, que com a projecção cada vez maior, faz todo o sentido, aliado ao facto de termos um português a lutar por ser campeão do mundo.







