A Qualcomm quer acelerar a adoção dos portáteis Windows com arquitetura ARM e a sua mais recente aposta passa pelo novo Snapdragon C. Apresentado antes da Computex 2026, este processador foi desenvolvido para alimentar computadores portáteis de entrada de gama, com preços que poderão começar perto dos 300 dólares, aproximadamente 265€ à taxa de câmbio atual.
Depois de vários anos focada nos segmentos premium com as séries Snapdragon X Elite e Snapdragon X Plus, a fabricante norte-americana pretende agora conquistar estudantes, famílias e pequenas empresas que procuram um equipamento acessível para tarefas do dia a dia.
Snapdragon C aposta na eficiência acima de tudo
Embora a Qualcomm não tenha revelado todos os detalhes técnicos durante a apresentação oficial, várias fugas de informação já permitem conhecer melhor o novo processador.
O Snapdragon C será fabricado através de um processo de 6nm e contará com uma configuração de 8 núcleos distribuídos no formato 1+3+4. A acompanhar o processador estará uma GPU Adreno a funcionar a 900MHz, suporte para memória LPDDR5 e um motor dedicado para inteligência artificial executada localmente.
À primeira vista, as especificações não impressionam quando comparadas com os modelos mais avançados da marca. No entanto, esse nunca foi o objetivo deste chip.
A Qualcomm pretende oferecer uma experiência equilibrada para tarefas como navegação na internet, trabalho em aplicações de produtividade, videochamadas, streaming de conteúdos e utilização escolar.

IA local chega aos portáteis mais económicos
Um dos aspetos mais interessantes do Snapdragon C é a inclusão de um motor de inteligência artificial integrado.
Embora a sua capacidade não seja suficiente para cumprir os requisitos exigidos pela Microsoft para a certificação Copilot+ PC, esta unidade permitirá executar algumas funcionalidades de IA diretamente no dispositivo.
Isto significa que determinados recursos poderão funcionar sem necessidade de recorrer constantemente à cloud, reduzindo a latência e melhorando a privacidade dos utilizadores.
Até agora, este tipo de funcionalidades estava normalmente reservado para computadores significativamente mais caros, pelo que a chegada da IA local a equipamentos económicos poderá representar uma evolução importante para este segmento.
Menos calor, mais autonomia
A Qualcomm continua a destacar um dos maiores trunfos da arquitetura ARM: a eficiência energética.
Segundo a empresa, os portáteis equipados com Snapdragon C deverão oferecer uma boa autonomia, funcionamento silencioso e temperaturas reduzidas mesmo durante utilização prolongada.
Este é precisamente um dos pontos onde muitos equipamentos económicos equipados com processadores x86 da Intel ou AMD continuam a apresentar algumas limitações, especialmente quando o objetivo é manter custos baixos.
Se as promessas da Qualcomm se confirmarem em testes reais, os utilizadores poderão beneficiar de computadores mais leves, mais silenciosos e capazes de funcionar durante mais horas longe da tomada.
Acer, HP e Lenovo já preparam novos equipamentos
A Qualcomm revelou que vários fabricantes já estão a desenvolver equipamentos baseados nesta nova plataforma.
Entre os primeiros exemplos encontra-se o portátil Acer Aspire Go 15, um modelo direcionado para estudantes e utilizadores domésticos que deverá combinar um ecrã de maiores dimensões, armazenamento adequado para tarefas quotidianas e conectividade moderna.
Além da Acer, também empresas como HP e Lenovo deverão lançar equipamentos equipados com o novo processador nos próximos meses.
Uma ameaça para Chromebooks e portáteis económicos tradicionais
A chegada do Snapdragon C poderá criar uma nova dinâmica no mercado dos computadores de entrada de gama.
Durante anos, os Chromebooks dominaram uma parte importante do segmento educativo graças aos preços reduzidos e à boa autonomia. Ao mesmo tempo, muitos portáteis Windows económicos continuaram a utilizar processadores menos eficientes e hardware relativamente modesto.
Com o Snapdragon C, a Qualcomm procura preencher precisamente esse espaço intermédio. A ideia passa por oferecer computadores Windows modernos, com autonomia competitiva e desempenho suficiente para as tarefas mais comuns, sem obrigar os consumidores a gastar muito dinheiro.
Ainda será necessário esperar pelos primeiros testes independentes para perceber o verdadeiro potencial da plataforma. No entanto, no papel, a Qualcomm parece ter identificado uma oportunidade interessante num segmento que continua a crescer e onde a eficiência energética poderá tornar-se tão importante quanto o desempenho bruto.




